F1
06/06/2018 07:47

Corridas mais curtas e menos treinos: F1 volta a discutir mudanças no formato do fim de semana. Tudo para atrair mais fãs

Atrair fãs e cultivar os que já acompanham a F1 tem sido um assunto corriqueiro na mesa de discussões do Liberty Media, principalmente por conta das grandes mudanças no esporte para 2021. Corridas mais curtas? Novo sistema de pontuação? É nesse caminho que o esporte tenta descobrir o que fazer para tornar o espetáculo cada vez melhor
Warm Up / Redação GP, de São Paulo
 Largada do GP de Mônaco de F1 (Foto: Red Bull Content Pool)

No embalo das mudanças de regulamento para 2021, a F1 estuda alterar, também, o formato dos seus finais de semana. A medida seria pensada para deixar o espetáculo mais atrativo. Um sistema novo de pontuação, corridas mais curtas e menos tempo de treinos são alguns dos pontos que estão em discussão pelo Liberty Media, dono da F1.
 
Steve Nielsen, nomeado pelo Liberty Media como diretor de motorsport da F1, respondendo diretamente a Ross Brawn, explicou que a opinião dos fãs, nessa mudança, é bastante importante. 
 
“Há questões fundamentais que todos nós nos perguntamos e os fãs também. Por exemplo, nos perguntamos que tipo de formato de final de semana deveríamos ter, quantos treinos, quantas corridas, se deveria haver mais de uma corrida de fim de semana, como a classificação deveria ser. Temos nossas próprias idéias, mas queremos uma mistura de opiniões, queremos ter o máximo possível”, afirmou Nielsen, que se juntou a Ross Brawn no departamento de esportes ano passado, ao site ‘RaceFans’.
Novo formato é pensado para dar mais emoção ao fã da F1 (Foto: Xavi Bonilla/Grande Prêmio)
Sobre a proposta em questão, além de tornar a categoria mais chamativa para os novos fãs, as alterações também visam diminuir o trabalho dos funcionários na F1. Como um esporte que viaja muito, os membros das equipes e da administração, em geral, não encontram tempo para estar com suas famílias e para descansar. Assim há uma preocupação em ter cada vez menos interessados em se juntar à rotina imposta pelos GPs.
 
"Na equipe há cada vez menos pessoas que optam por fazer carreira como mecânico ou engenheiro de F1 porque é uma opção menos sustentável do que há dez anos, quando havia 16 ou 17 corridas. As oportunidades para respirar e passar algum tempo com a família, que costumava ser quatro ou cinco vezes por ano, agora só acontecem em agosto, durante a pausa e, se ampliarmos o calendário, a parada será mais apertada. Se deixarmos o fim de semana como é [hoje], poucas pessoas vão optar por uma corrida na F1”, completou.
 
Nielsen disse também que as mudanças são obrigatórias, caso a categoria deseje ter sucesso, e que a mudança no formato pode baratear os custos sem afetar o show.
 
“As audiências estão diminuindo. Elas melhoraram, mas a F1 precisa mudar para atingir um público mais amplo. Há muitas pessoas com menos de 30 anos para as quais a F1 tem pouco interesse. Precisamos manter os valores-chave do esporte e, ao mesmo tempo, atrair para um público mais jovem. Se abandonarmos isso, vamos envergonhar o esporte ", assegurou.
 
"É difícil, mas é o que temos que fazer. Talvez isso signifique uma corrida mais curta ou menos treinos, mais eliminatórias. Pessoas se conectam com o esporte de muitas maneiras diferentes e não querem, necessariamente, perder uma tarde de domingo ou um sábado vendo esporte, então temos que colocar todas as ideias na mesa".
 
“Há muito tempo e esforço que se aplica na F1 e que não contribuem para o espetáculo. Se as equipes trabalham até a meia-noite de uma sexta-feira, ninguém vê isso. As equipes fazem isso porque as regras permitem. Se essas oito horas de trabalho fossem limitadas, de repente, a duas, os conjuntos são inteligentes e muito rápidos, eles modificariam os procedimentos para se adaptarem a isso”, encerrou Nielsen. 
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