F1

De Fittipaldi a Schumacher: após invasão dos jovens, quem vem por aí na F1?

Com uma invasão de jovens pilotos, dos principais nomes dos últimos anos nas categorias-satélite, ao grid da Fórmula 1, há a necessidade de uma avaliação mais profunda para saber quem é que pode pintar nos próximos dois anos. O GRANDE PRÊMIO destaca cinco nomes

Grande Prêmio / PEDRO HENRIQUE MARUM, do Rio de Janeiro
A Fórmula 1 passa, nos últimos anos, por uma espécie de troca de guarda. Uma série de pilotos extremamente jovens e vistos com grande futuro na categoria assumiram lugares e não devem deixar o grid por bons anos. Sob a luz de tanta gente que tem aparecido, quem é que aparece como bom palpite para subir à categoria em 2020 e 2021? O GRANDE PRÊMIO faz uma análise. 
 
Apenas nos últimos dois anos, por exemplo, subiram para a categoria principal Charles Leclerc, Lando Norris, Alexander Albon e George Russell. Max Verstappen tem 21 anos, Carlos Sainz ainda nem completou 25 e Esteban Ocon, hoje fora do grid apenas por um tremendo azar no desenho da silly season da temporada passada, tem 23. Apenas nesse panorama, sete pilotos com futuro extremamente promissor.
 
Não há nomes que ocupam um lugar tremendo de ânimo na cabeça daqueles que acompanham as categorias-satélite da F1, mas é exatamente por isso: os mais promissores dos últimos tempos conseguiram vaga e estão tendo suas chances. Além dos citados, outros como Pierre Gasly (23 anos) e Antonio Giovinazzi (25), que passam por momentos de provação para que não sejam descartados como foram, num passado recente, Pascal Wehrlein e Stoffel Vandoorne. Lance Stroll tem 20 anos e nao vai a lugar algum, porque o pai é dono da equipe em que está.
 
A situação para novos pilotos será facilitada também pela alteração no sistema da superlicença: com a pontuação distribuída para aqueles que participarem de treinos livres da F1, as equipes têm a possibilidade de agilizar a marcação de pontos para que promovam seus pupilos. A mudança passa a valer no ano que vem. 

Para não parecer que está chutando para todos os lugares, a avaliação do GP vai ficar restrita aos cinco pilotos jovens que contam com maior probabilidade de ingressar no grid até 2021. A avaliação é feita com um certo pragmatismo, entendendo que os fatores não estão apenas no talento, mas na questão financeira, conexões que já estão postas e aberturas das equipes. 
Max Verstappen e Charles Leclerc (Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)
Pietro Fittipaldi
 
Na realidade, Fittipaldi já viu as chances de ter uma vaga como uma possibilidade maior que a atual. A Haas gosta de Pietro, especialmente o chefe Guenther Steiner, que fez questão de buscá-lo como piloto de desenvolvimento no fim de 2018. O brasileiro é o mais velho da lista, mas, aos 23 anos, ainda tem tempo. E Haas tem pressa.
 
Fittipaldi não teria mesmo condições, muito provavelmente, de guiar o carro na temporada 2020. Steiner deixou claro que precisa de pilotos experientes, mas aí, sim, vem algo que tende a jogar a favor do piloto: Kevin Magnussen e Romain Grosjean vivem temporadas muito ruins - e, salvo pela primeira metade de 2018 do dinamarquês, não vinham de um ano tão bom assim. Mas Steiner e Gene Haas vivem a falar sobre a importância da continuidade. Até hoje, em três anos, a Haas suportou temporadas de atuações duvidosas e só fez uma troca: sacou Esteban Gutiérrez por Magnussen.
 
Desta forma, é improvável que Grosjean e Magnussen sejam demitidos ao mesmo tempo: um deles provavelmente vai ganhar mais uma oportunidade. Com uma temporada a mais na conta fazendo desenvolvimento e o fim das chances do sobrevivente da dupla atual, pode ser que Pietro consiga convencer a Haas de que merece a chance. A questão é que os pontos que conquistou com o título da World Series, em 2017, vão vencer no fim de 2020. Há a necessidade de recuperar boa parte destes 25 tentos.
Pietro Fittipaldi (Foto: DTM)
Nicholas Latifi
 
As chances de Latifi são reais e moram, sobretudo, nas posses financeiras da família. Michael Latifi, pai do piloto, é um empresário canadense que ficou rico no ramo da comida. E se interessa pela Fórmula 1 para além do filho, como mostra o investimento de cerca de US$ 270 milhões que fez na McLaren. A oportunidade do filho não está lá, entretanto.
 
É com a Williams que sonham os Latifi. Com a equipe em crise, Nicholas já serve como piloto de desenvolvimento, mas espera uma porta aberta para que a injeção financeira faça dele um titular - nos moldes do que aconteceu com Lance Stroll e até com Sergey Sirotkin em anos recentes. Atualmente, George Russell está por lá, bancado pela parceira Mercedes, e Robert Kubica levou consigo a petrolífera estatal da Polônia. 
 
Na F1, a expectativa é que Russell não siga por muito tempo na Williams, visto que é um talento claro. A Racing Point é o destino mais provável, mas o que realmente importa é que um espaço seja liberado. Latifi vive o melhor ano dele na F2: já venceu quatro provas e está na briga pelo título, sobretudo com Nyck de Vries como principal rival.
Nicholas Latifi (Foto: Williams)
Mick Schumacher

O filho do heptacampeão mundial ainda precisa comprovar qual o calibre como piloto. Sim, foi campeão da F3 Euro em 2018, mas após uma incrível pane mental de Dan Ticktum e num campeonato sem tanta gente de destaque e no segundo ano. Na chegada à F2, Schumacher já falava de F1 e testava carros da categoria principal, mas a realidade que a pista apresentou foi outra.
 
Mick começou a temporada com reais dificuldades de guiar o carro e chegou a engrenar sete corridas seguidas sem marcar um ponto sequer. O nível de pilotagem simplesmente não era bom. Antes do recesso de verão, entretanto, a chance se apresentou: a primeira vitória veio na última corrida na Hungria. Bom para ele, que agora pode buscar um norte, mas ainda ocupa o 11º lugar do campeonato.
 
Melhor ainda para Schumacher é que, apesar da pressão inerente a ser filho de quem é, os laços sanguíneos também mexem com o emocional e são capazes de arrastar consigo o interesse dos patrocinadores. A F1 está louca para ter Mick em seus quadros. Basta que ele faça um papel bom, não precisa sequer ser excelente. Se entrar pela academia da Ferrari, onde hoje está, o caminho mais provável é uma Alfa Romeo que conta com um Giovinazzi que busca se provar e com um Kimi Räikkönen que, em cerca de dois meses, terá 40 anos de idade.
Mick Schumacher (Foto: FIA Fórmula 2)
Pato O'Ward

A lista vai ser encerrada com dois nomes da Red Bull para os próximos anos. Não é segredo que o programa, que há algum tempo borbulhava de talento para todos os lados, especializou-se em ser uma máquina de moer pilotos e perdeu espaço que tinha frente ao desenvolvimento dos programas de Mercedes e Ferrari. A Red Bull teve de recorrer a Alexander Albon na temporada passada - uma escolha que se mostrou acertada, mas é bom lembrar que o tailandês não fazia parte do guarda-chuvas rubro-taurina. 
 
Hoje, as hipóteses maiores da Red Bull para o futuro próximo da Toro Rosso estão em dois nomes. Um deles é o mexicano Patricio O'Ward, versado nos Estados Unidos e que começou a temporada na Indy. Na pista, pela Indy Lights e pelo IMSA SportsCar, mostrou enorme talento. O maior problema é a falta de dinheiro.
 
Tanto que foi atrapalhado pela Harding no começo do ano, que prometeu um espaço e, por falta de dinheiro, não cumpriu e teve de se meter numa mambembe Carlin. Com tudo dando errado, assinou com a Red Bull e ganhou a chance de correr apenas duas provas com a fraca MP na F2. Muito pouco. É necessário que tenha mais tempo, o que provavelmente vai acontecer com vigor apenas no ano que vem.
 
Pato tem talento e tem, de certa forma, a boa vontade de uma Red Bull que se viu forçada a olhar para o outro lado do Atlântico para encontrar talento. Mas a situação não é tão favorável. O bom é que, aos 20 anos, ainda tem tempo.
Pato O'Ward (Foto: Indycar)
Jüri Vips
O outro nome da Red Bull é o estoniano Jüri Vips. Entre aqueles que foram tratados desde muito novos pela fábrica de energéticos, Vips aparecia bem atrás de Dan Ticktum até o ano passado. Ticktum, aliás, era o favorito até perder o campeonato da F3 e ir tentar a sorte no Japão, pela Super Formula, onde fracassou de forma retumbante e foi demitido da equipe japonesa e dispensado do programa Red Bull.
 
Vips é jovem e o único desta lista que ainda está na Fórmula 3. É o jovem - completa 19 anos de idade exatamente hoje - atualmente atuando na Europa que mais se aproxima da F1 na academia da Red Bull. Vips estreou na categoria ano passado, superado pelos mais velhos Ticktum e Schumacher, mas faz um ano promissor agora e luta pelo título contra Robert Shwartzman, outro que é quase um ano mais velho. Mas a ligação com a Red Bull e o deserto de opções coloca o caminho limpo para alcançar a maior das categorias.
Jüri Vips comemora vitória na corrida 1 da F3 em Silverstone (Foto: FIA F3)
Além dos cinco destacados, outros pilotos podem ser citados. Ticktum, uma aposta interessante até meses atrás, foi largado pela Red Bull, bem como Nyck de Vries viu a McLaren encerrar o contrato dele no último mês de maio. Mesmo líder da F2, hoje é complicado imaginar que De Vries, sem conexão na F1 e aos 25 anos, terá espaço no grid. 
 
Shwartzman, o líder da F3, vai completar 20 anos em setembro. É jovem e talentoso, mas a academia da Ferrari ainda conta com Schumacher à frente dele. A missão é bastante complicada. Sérgio Sette Câmara faz um trabalho de desenvolvimento para a McLaren, mas sem briga por título na F2 as chances são mínimas. A situação de Sette Câmara tem ainda outros complicadores: o afastamento da Petrobras do incentivo à F1 e o fato de que a McLaren, com Norris e Sainz, tem sua dupla do futuro. 


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