De Hamilton a TV no Brasil: as perguntas que F1 ainda precisa responder no início de 2021

A Fórmula 1 entrou em 2021 com praticamente todo o grid definido e calendário acertado com 23 GPs. Mas a incerteza em razão do recrudescimento da pandemia e a indefinição sobre a renovação do contrato de Lewis Hamilton com a Mercedes colocam alguns pontos de interrogação no ar. A outra dúvida é: quem vai transmitir a F1 no Brasil?

Os primeiros dias de 2021 trouxeram algumas dúvidas relacionadas à Fórmula 1. Uma interrogação foi resolvida ainda no fim de dezembro com o posicionamento da Haas, que reiterou a contratação de Nikita Mazepin como titular mesmo diante do caso de abuso sexual ocorrido no mês passado. São 19, portanto, os pilotos oficializados para a temporada deste novo ano, mas justamente o maior vencedor e campeão de todos os tempos abriu 2021 juridicamente desempregado. Lewis Hamilton entrou em janeiro sem ainda ter renovado seu contrato com a Mercedes.

Também não há definição sobre os direitos de transmissão da Fórmula 1 no Brasil. O contrato entre o Grupo Globo e a Formula One Management venceu ao fim de 2020 e ainda não foi renovado. A única certeza é que a categoria vai disponibilizar no país, pela primeira vez, o serviço próprio de streaming da F1TV Pro, pacote que permite ao assinante acesso completo para assistir às corridas ao vivo, pré-corrida, entrevistas exclusivas e análises especiais.

LEWIS HAMILTON; GP DA BÉLGICA; PANTERA NEGRA;
Com o aporte da INEOS, Hamilton está perto de anunciar a renovação com a Mercedes (Foto: LAT/Mercedes)

Outra interrogação, esta cada vez mais difícil de ser respondida, diz respeito ao calendário. Isso porque o recrudescimento da pandemia torna muito difícil qualquer afirmação sobre o cronograma anunciado previamente pela Fórmula 1 para 2021. Restam pouco mais de dois meses para o início do campeonato, previsto para 21 de março, na Austrália, mas as notícias que chegam da Europa e até de dirigentes como Lawrence Stroll, dono da Aston Martin, e Guenther Steiner, chefe da Haas, dão conta que a temporada vai ter início mesmo no Bahrein, em 28 do terceiro mês.

De todas as perguntas a serem respondidas, talvez a mais próxima de um desfecho é sobre o heptacampeão mundial de Fórmula 1. Segundo os diários Express, do Reino Unido, e Corriere della Sera, da Itália, o grande imbróglio para Hamilton ainda não ter renovado seu contrato com a Mercedes é financeiro.

Segundo o jornal italiano, Hamilton não abre mão de receber € 45 milhões (R$ 293,7 milhões). A quantia informada pelo Corriere della Sera é um pouco maior que a informação trazida pelo periódico britânico Express, que dá conta de € 40 milhões (R$ 261,1 milhões) pedidos pelo piloto para colocar a assinatura no novo contrato.

Além da pedida por Lewis sobre o valor a receber por temporada, há também outra exigência: 10% do que a Mercedes receber de bônus por conquista do Mundial de Construtores deste novo ano, algo em torno de € 150 milhões (R$ 994,4 milhões, em valores atuais), o que daria ao heptacampeão cerca de € 15 milhões (ou R$ 99,4 milhões) se a escuderia de Brackley faturar o oitavo título seguido.

A Daimler, empresa-mãe da Mercedes, não concorda em desembolsar tais valores. O trunfo da gigante alemã era George Russell, uma solução muito mais barata e vista com o homem do futuro da Mercedes. Só que aí a INEOS, patrocinadora desde o ano passado e nova acionista, detentora de 33,3% da equipe, entrou na jogada e se disponibilizou a pagar parte do salário de Hamilton. Com um faturamento anual de aproximadamente R$ 434 bilhões, dinheiro não é problema para a titã petroquímica britânica, fundada por Jim Ratcliffe, o homem mais rico do Reino Unido.

Ao garantir a permanência de Hamilton na Mercedes, a INEOS realiza também um enorme investimento, já que faz do mais importante piloto da história da Fórmula 1 um grande garoto-propaganda da companhia. Segundo o Corriere della Sera, é mera questão de dias para que a renovação com a Mercedes seja oficializada e, assim, Hamilton decrete o ‘dia do fico’.

Onde vai passar a F1 no Brasil?

Eis uma pergunta recorrente nas redes sociais, principalmente. Tudo porque o contrato do Grupo Globo com a Liberty Media/FOM sobre os direitos de transmissão da Fórmula 1 ainda não foi renovado. Ao longo do último ano, muitas foram as notícias relacionadas o futuro da categoria na TV. A única certeza é a chegada ao Brasil da F1TV Pro, o pacote completo do serviço de streaming, que chega como mais uma opção para os fãs e telespectadores.

Mas ainda que o streaming tenha uma relevância cada vez maior no mercado, a televisão é, de longe, o veículo mais importante para a Fórmula 1, e o Brasil é o país de maior audiência. Portanto, é de suma importância estratégica.

A última atualização sobre a questão é de dezembro. Informação apurada pelo GRANDE PRÊMIO reportou que o caminho está livre para a renovação com o Grupo Globo depois da desistência da Disney, que não foi em frente com o projeto mesmo tendo a possibilidade de firmar parceria com o SBT.

EVERALDO MARQUES; FÓRMULA 1;
Everaldo Marques foi uma das vozes do Grupo Globo na F1 em 2020 (Foto: Reprodução)

Mas as conversas entre SBT e Disney sobre a Fórmula 1 foram até que superficiais para quem queria algo mais robusto, apurou o GRANDE PRÊMIO.

Além do preço, o SBT também desistiu por conta das afiliadas. A emissora, que não tem o mesmo alcance que a Globo, teria de pagar para as afiliadas transmitirem a categoria, sobretudo nas corridas de domingo de manhã – o horário não é nacional até a entrada do ‘Domingo Legal’, programa de Celso Portiolli. Desta forma, ficaria difícil vender um plano de patrocínio com o Ibope menor, cujo valor teria de ser repassado para as várias retransmissoras locais.

Outras emissoras da TV aberta, como a Bandeirantes, demonstraram interesse, mas esbarraram em dificuldades financeiras. Em setembro, o consórcio Rio Motorsports, que sonhava em construir um autódromo no Rio de Janeiro, anunciou a compra dos direitos, mas o anúncio da desistência veio em novembro, após o grupo não dar as garantias financeiras necessárias ao Liberty Media.

Com os meses de indefinição, a Globo voltou à mesa de negociações para manter o campeonato em sua programação na temporada 2021, a pedido de Chase Carey, que deixou o posto de chefão da Fórmula 1, agora ocupado pelo italiano Stefano Domenicali.

A Globo, então, fez uma oferta menor que os US$ 20 milhões (R$ 101,95 milhões) então propostos inicialmente, soube o GRANDE PRÊMIO. Liberty Media/FOM fizeram uma contraproposta. As negociações avançam e se encaminham para um resultado para que a Fórmula 1 permaneça no grupo, mas com menos transmissões em TV aberta e mais no SporTV.

Nos últimos dias, a Globo exibiu um vídeo no qual elencou os eventos esportivos com previsão de transmissão em 2021, com destaque para os Jogos Olímpicos de Tóquio — em risco em razão da pandemia — e da Euro 2020, para citar as competições de caráter global. Sobre a Fórmula 1, não houve nenhuma menção.

O que vai ser do calendário?

Talvez por imaginar que o pior havia passado em relação à pandemia, a Fórmula 1 confirmou, no fim de dezembro, o calendário com um número recorde de 23 GPs, com início em 21 de março, na Austrália, e desfecho em 5 de dezembro, em Abu Dhabi. Seria o retorno de todas as corridas que foram canceladas no ano dominado pela Covid-19 e representava um marco na volta à normalidade.

O ano é novo, mas os problemas ainda são de 2020. E por mais que a vacinação avance em boa parte dos países ao redor do mundo, a ciência diz que os efeitos só serão sentidos em cerca de dois ou três meses com a provável diminuição de casos graves e, principalmente, óbitos. Neste meio tempo, há uma preocupação global com novas variantes da Covid-19 e o recrudescimento da pandemia na esteira das festas de fim de ano.

Boris Johnson, premiê do Reino Unido, decretou nesta última semana o terceiro lockdown. A chanceler alemã Angela Merkel anunciou o endurecimento de medidas restritivas. Tóquio decretou estado de emergência até 7 de fevereiro em razão do aumento dos casos positivos para o coronavírus.

O GP da Austrália, previsto para março de 2021, está em xeque (Foto: Reprodução)

Inserida na incerteza do cenário global, a Fórmula 1 tenta agir para manter parte da programação e garantir os 23 GPs, visto pela organização como fundamental depois de uma temporada com somente 17 eventos e concentrada apenas na Europa e no Oriente Médio, o que representou considerável queda de receita para as equipes.

Tudo indica que o GP da Austrália vai ser cancelado, e os organizadores locais buscam encaixar uma nova data no segundo semestre. O mesmo vale para a China, ainda com as fronteiras fechadas para grandes eventos esportivos de alcance internacional.

Ímola e Portimão são cotadas para compor o calendário com as primeiras etapas, entrando no lugar da China e da data que outrora estava reservada para o Vietnã, mas Xangai também tenta um encaixe de nova data na segunda metade do ano.

Não há sequer a certeza de onde e quando será a pré-temporada, reduzida neste 2021 para apenas três dias. Barcelona seria a tradicional sede dos testes de inverno, mas a possibilidade, cada vez real, de o campeonato começar no Bahrein em 28 de março traz a tendência de que a sessão aconteça duas semanas antes em Sakhir.

Sobre as duas primeiras grandes questões do ano, a Fórmula 1 verá respostas em breve, num espaço de dias ou semanas. Quanto ao calendário, é provável que a indefinição se arraste por meses, talvez como um déjà vu de um 2020 que insiste em não acabar.

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