Dennis vê caminho longo para reação da McLaren, mas diz que Honda é opção ideal: “Chance concreta para voltarmos ao topo”

Grande chefe da McLaren, Ron Dennis disse à revista italiana ‘Autosprint’ que não esperava ver a equipe de Woking enfrentando tantas dificuldades neste novo capítulo da parceria com a Honda. Ainda assim, o dirigente britânico demonstrou toda a confiança no trabalho da fornecedora japonesa e garantiu: “Vamos chegar lá mais cedo do que as pessoas pensam”

Os tempos são dos mais difíceis para a McLaren na F1. A equipe não vence uma corrida desde o GP do Brasil de 2012, pelas mãos de Jenson Button, e sua última vez no pódio aconteceu há quase um ano e meio, no GP da Austrália do ano passado. Em 2015, foram apenas cinco pontos somados em nove provas do Mundial, sendo quatro por Button e um por Fernando Alonso, a grande contratação do time de Woking. A retomada de um casamento vitorioso com a Honda tem sido complicada, muito pela falta de performance do conjunto chassi-motor que forma o MP4-30. Mas Ron Dennis não perde a esperança e acredita que muito em breve seu time voltará ao topo da F1.

Grande chefe da McLaren, Ron Dennis revelou que não esperava ver a equipe lidar com tantas dificuldades neste começo de temporada. Contudo, o dirigente não esconde que confia muito na capacidade de trabalho não apenas da McLaren, mas também da Honda, para que o time “chegue lá mais cedo do que as pessoas pensam”. Na visão de Dennis, a opção pelos motores da fornecedora japonesa foi a ideal por considerar o caminho melhor pavimentado para voltar a vencer, ainda que isso leve algum tempo.

Ron Dennis deposita sua confiança na capacidade de trabalho da McLaren e da Honda (Foto: Getty Images)

Em entrevista à revista italiana ‘Autosprint’, Dennis foi questionado se esperava por tantos problemas desde o primeiro teste com o novo motor Honda, em Abu Dhabi, ainda no ano passado. “Certamente que não. Tinha todos os motivos para pensar que estaríamos numa situação melhor atualmente. Estamos diante de um grande desafio, porque nosso objetivo continua a ser vencer o título mundial”, declarou o chefe-executivo da McLaren ao jornalista italiano Cesare Maria Manucci.

Dennis justificou sua opção pela Honda, que entrega seus propulsores em 2015 exclusivamente à McLaren. Renault, Ferrari e Mercedes, ao contrário, têm vários clientes no grid. “O objetivo não estaria ao nosso alcance se continuássemos a usar um motor ‘cliente’. Temos muita experiência trabalhando com a Honda. Eles são uma organização técnica e científica. Seu nível tecnológico é muito alto. Hoje não estamos no nível que queremos estar, mas tenho certeza de que vamos chegar lá mais cedo do que as pessoas pensam.”

O passado vitorioso da McLaren-Honda na F1, sobretudo no período entre 1988 e 1991, culminando com a conquista de oito títulos mundiais, foi citado por Dennis. O dirigente lembrou o grande trabalho feito pela Honda naquela época, levando Ayrton Senna à conquista do tricampeonato mundial, mas deixou claro que enxerga a marca como referência tecnológica, mas que agora é o futuro que importa.

“Não acho que enfatizamos muito o tempo com Ayrton e a Honda. Mas ninguém pode negar que a Honda, no seu tempo, construiu um dos melhores motores da história da F1. Muitas vezes foi dominante no motociclismo, seus motores foram uma referência às muitas soluções técnicas”, salientou. “Para uma indústria que quer ser competitiva na F1, o caminho ainda é longo. A Mercedes levou tempo para ser competitiva com sua equipe. Mesmo com o motor Mercedes, no início da nossa parceria, as coisas não foram fáceis”, comentou Dennis, fazendo menção ao início do tempo da duradoura parceria de 20 anos entre McLaren e Mercedes, iniciada em 1995. A McLaren só foi voltar a vencer no fim de 1997.

“O mesmo desafio se repete agora. Veja a última classificação em Silverstone: a equipe de fábrica foi quase 1s mais rápida que a Williams. Com um motor Mercedes ‘cliente’, você nunca vai conseguir fechar reduzir essa diferença. Esses motores são muito complexos. É preciso um comprometimento total da parte dos fornecedores e parceiros técnicos. É por isso que preferi o caminho da Honda. Porque mesmo que ela demore mais tempo, é a chance mais concreta para a McLaren voltar ao topo. Simplesmente vai demorar um pouco mais de tempo do que gostaríamos que fosse”, concluiu Dennis.

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