F1

Dia em Sóchi revela equilíbrio entre Red Bull e Ferrari e Mercedes estranhamente perdida

O dia de treinos livres em Sóchi, na Rússia, acabou com uma sensação de que a Mercedes perdeu, em algum momento, o fio da meada nesta segunda fase de temporada. Enquanto a equipe alemã se bate para reencontrar o caminho, a Red Bull e a Ferrari se apresentam mais próximas entre si e com um desempenho bastante equilibrado

GRANDE PRÊMIO / EVELYN GUIMARÃES, de Curitiba
Depois do admirável pacote de atualizações da Ferrari em Singapura, que a levou à pole e à vitória, era mesmo de se esperar que a equipe italiana surgisse novamente forte em Sóchi, na Rússia, uma vez que a pista tem lá suas particularidades. É sinuosa e com curvas de 90ºC, tal como Marina Bay, mas possui trechos que fazem valer o motorzão italiano. Só que também por causa dessa característica é que foi surpreendente ver a Red Bull no topo da tabela ao fim da sexta-feira de treinos. Ainda que algumas partes favoreçam o refinado RB15, este é um traçado que pede potência. Agora o que chamou mesmo a atenção foi o desempenho da Mercedes. Ou melhor, o não desempenho. A impressão é de que a equipe alemã escapou da trajetória em algum momento e, de fato, como disse chefão Toto Wolff, ainda “luta para encontrar pistas” sobre o estranho desaparecimento de sua performance. O W10 é um carro que gosta de trechos de baixa velocidade, mas nem isso ajudou o time, o que também pode proporcionar um roteiro interessante para o fim de semana.
 
No primeiro treino livre do dia, Charles Leclerc e Max Verstappen ficaram separados por apenas 0s082, enquanto o carro prata mais próximo foi o de Valtteri Bottas, mais de 0s7 atrás do ritmo dos ponteiros. À tarde, o cenário ficou ainda mais nítido. O holandês da Red Bull se impôs no momento da simulação de classificação e, calçando pneus vermelhos macios, cravou 1min33s162 – foi o único a andar abaixo da marca do ano passado. Leclerc, de novo, foi o segundo colocado, mas nem tão próximo: 0s335. Quer dizer, a Red Bull vai incomodar neste fim de semana, ainda que tenha de limitar os riscos por conta da troca de motor e, consequente, punição no grid. E o que parece fazer diferença para os austríacos é mesmo o maior cuidado com os pneus e a evolução do ritmo das unidades de potência da Honda, agora aperfeiçoadas. 
A Ferrari é candidata à pole e à vitória (Foto: Ferrari)
Como dito, a Ferrari se mostrou novamente bem acertada, ajudada por todo o avanço feito em torno do bico, do assoalho e da asa traseira, além da força do motor. De novo, o monegasco foi quem ditou o ritmo, em um dia em que Sebastian Vettel cometeu diversos erros e não encontrou uma volta verdadeiramente limpa. Em condição normal, pelo desempenho do colega de equipe, Seb deve aparecer melhor. 
 
"Foi um dia bem bom. Acho que a Red Bull está bem forte, mas focamos em nós mesmos. Acho que ainda temos muito o que ganhar em termos de tempo de volta. O equilíbrio não foi exatamente o que esperava, especialmente nas simulações de classificação, mas o ritmo de corrida se mostrou forte, e isso é bom", declarou Leclerc, resumindo bem o dia ferrarista.
 
Enquanto isso, a Mercedes se bateu durante o dia e se viu perder cerca de 0s8 em reta na comparação com os carros vermelhos. É muita coisa, mesmo os rivais tendo um motorzão que fala muito alto.
 
A sexta-feira da marca da estrela de três pontas foi tão estranha que nem em ritmo de corrida a equipe conseguiu se colocar tão mais forte, em que pese também a carga de combustível e o comportamento dos pneus. Por isso não foi igualmente esquisito ver a dupla prateada pedindo chuva para o fim de semana. Eis o cenário em situação de corrida: o finlandês do carro #77 andou na casa de 1min39s4 com os compostos macios, enquanto Lewis Hamilton rodou em 1min40s3. Para efeito de comparação, Leclerc obteve 1min38s669, enquanto Verstappen apareceu pouco mais de um décimo mais lento. 
 
Mas foi com os pneus médios que Hamilton foi capaz de apresentar um ritmo melhor, virando 1min39s1, ligeiramente melhor que Vettel e muito melhor que Verstappen e Leclerc. Mas o que preocupa mesmo os prateados é a dificuldade em uma volta lançada, que algo que não parece afetar as duas rivais.
A Mercedes tenta se reencontrar em Sóchi (Foto: Mercedes)
“Eu acho que nós perdemos 0s8 para a Ferrari ou algo assim nas retas. Nós estamos melhorando, mas eles ainda estão melhorando bastante. Então nós simplesmente estamos tentando entender como podemos melhorar o carro. Mas não é uma tarefa fácil”, admitiu Hamilton após os treinos.
 
“Espero que chova. Ouvi que vai chover amanhã”, acrescentou o pentacampeão, ciente da previsão do tempo para o sábado em Sóchi. De acordo com o site especializado ‘Accuweather’, a possibilidade de chuva no treino classificatório chega atualmente a 65%.
 
Os compostos da Pirelli também devem desempenhar um papel interessante neste fim de semana. A fornecedora decidiu por uma gama mais dura do que a selecionada para o ano passado. E somente Verstappen conseguiu superar a performance do ano passado. Mas isso tudo é um possível cenário para a corrida, especialmente por conta de uma eventual chuva na classificação, que aí pode bagunçar a vida das equipes em termos de estratégia.
 
Quem não deseja chuva é Verstappen e a Red Bull. A equipe se apresentou bem com o holandês e é forte candidata à pole, mas tem de pagar uma sanção de cinco posições, e isso por si só já limita a ação. De qualquer maneira, é possível esperar um embate ainda mais acirrado na classificação do que a sexta-feira faz crer.

A F1 volta a acelerar na Rússia na manhã deste sábado com o terceiro treino livre, a partir de 6h (horário de Brasília), enquanto a definição do grid de largada está marcada para 9h. O GRANDE PRÊMIO acompanha tudo AO VIVO e em TEMPO REAL.


 
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