F1

Direção da Caterham alega falha em obrigações contratuais em processo de venda e abandona comando da equipe

A atual direção da Caterham disse que vai devolver o comando da equipe de F1 para Tony Fernandes, a quem acusa de não ter cumprido com responsabilidades na negociação realizada em julho
Warm Up / Redação GP, de São Paulo
 Tony Fernandes com a medalha que recebeu do presidente da França (Foto: Caterham)
A atual direção da Caterham, representada no mundo da F1 por Manfredi Ravetto e Colin Kolles, anunciou na tarde desta quarta-feira (22) que vai se retirar das atividades da equipe e devolver o comando do time verde para Tony Fernandes, o antigo dono.

Em comunicado, o grupo Engavest SA afirmou que Fernandes não cumpriu com as obrigações do contrato de compra e venda firmado no meio deste ano. Além disso, acusa o magnata malaio de divulgar releases com informações inverídicas a respeito da Caterham nas últimas semanas.
Tony Fernandes anunciou a venda da Caterham na semana do GP da Inglaterra (Foto: Ted Kravitz/Twitter)

A nota desta quarta diz que o contrato de compra e venda teve a empresa Caterham Enterprises Ltda., Caterham Ltda. e o Sheikh Mohamed Nasarudin, além de seus acionistas Tony Fernandes e Datuk Kamarudin Bin Meranun (vendedores) “se negaram a obedecer suas obrigações legais para transferir suas ações para o comprador” — no caso, o Engavest.

“O comprador foi deixado na desagradável posição de ter que financiar a equipe sem ter o título legal da equipe que tinha comprado. Isso está em total contradição com o comunicado do vendedor no dia 3 de outubro, que afirmou que Fernandes e a Caterham não tinham mais conexão com a Caterham”, continua.

Na semana passada, a empresa Caterham Sports Limited (CSL), empresa que fabrica os carros usados nas corridas, entrou em processo de administração judicial. A CSL presta serviço para a 1 Malaysia Racing Team (1MRT), companhia malaia que ainda opera o time da Caterham na F1. A firma indicada para tocar a administração é a Smith & Williamson.

De acordo com a nota desta quarta, esses administradores foram colocados lá em nome do Banco de Importações e Exportações da Malásia (Exim), “um credor de Fernandes e do Grupo Caterham” e não tem conexão alguma com os compradores.

“Desde que foram indicados, os administradores divulgaram várias declarações que foram extremamente prejudiciais à direção da Caterham F1”, reclamam os compradores.

“Depois de três meses operando a Caterham F1 com boa fé, o comprador agora é forçado a explorar todas as suas opções, incluindo a retirada de seus diretores. Advogados foram instruídos pelo comprador a entrar com todas as acusações necessárias contra todas as partes, incluindo Fernandes, que, como dono, vai tomar conta da equipe de F1”, encerra o texto.

Como Fernandes não demonstra interesse em continuar no mundo da F1, tudo indica que este pode ser o fim da Caterham.

No começo da semana, Fernandes já havia confirmado a venda da equipe de GP2 da Caterham, que vai ser substituída pela Status no grid da categoria de base a partir do próximo ano.

No início do mês, surgiram notícias sobre a presença de oficiais de justiça na fábrica de Leafield, o que levou o time a fazer um pronunciamento antes do GP do Japão, condenando o que chamou de “rumores infundados sobre as ações contra a 1MRT, a proprietária da Caterham F1”.

Chefe da Caterham desde o GP da Itália, Manfredi Ravetto admitiu em entrevista ao site ‘Crash.net’ que não sabe qual será o futuro do time: deixou de responder pela escuderia após receber ordens de seus superiores nesta quarta.

“Eu fui ordenado por meu superior direto a recuar, e isso eu tenho que seguir. Então presumo que os donos da Caterham — que entendo que ainda é Fernandes — tem de dar todos os passos a partir de agora”, disse.

Ravetto não sabe dizer se o time viajará para Austin para o GP dos Estados Unidos. “Isso eu não posso dizer porque mantivemos os preparativos normais até hoje. O que acontece a partir de amanhã não está mais sob o meu controle”, comentou.