Diretor admite que Alpine “estava perdida” no começo da temporada 2021 da F1

CEO da Alpine, Laurent Rossi não escondeu que equipe possuía muitas dificuldades no início da temporada 2021, sem saber como resolver os problemas apresentados pelo carro

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A Alpine travou uma batalha particular com a AlphaTauri pelo quinto lugar no Mundial de Construtores de 2021 e conseguiu sair vencedora no final. No entanto, a vantagem da equipe francesa foi construída principalmente em dois momentos de sucesso extremo na temporada — vitória de Esteban Ocon na Hungria e pódio de Fernando Alonso no Catar —, já que o conjunto da escuderia demonstrou bastante instabilidade ao longo do ano. E o CEO da Alpine, Laurent Rossi, admitiu que o time estava “perdido”.

O diretor da equipe inclusive relembrou o GP de Mônaco, em que Ocon somou dois pontos comemorados com a nona posição em um momento que a Alpine não tinha noção do que estava fazendo. Alonso, por sua vez, foi apenas o 13º.

“No início da temporada, estávamos perdidos”, relembrou Rossi. “Mônaco é na verdade uma memória muito ruim, pois estávamos perdidos naquele momento e não tínhamos ideia do que fazer. Marcamos pontos, mas não sabíamos nem mesmo como. Isso foi difícil, porque não conseguíamos entender bem o carro. Era apenas o começo, depois disso passamos a saber o que esperar”, revelou.

O pódio de Fernando Alonso no Catar foi fundamental para a Alpine (Foto: Alpine)

Rossi ainda argumentou que a curva de crescimento de sua equipe não foi tão oscilante como pareceu nos resultados de pista. De acordo com o dirigente francês, a Alpine começou a obter um melhor desempenho a partir do momento em que melhorou a precisão de suas atividades extra-pista e descobriu as forças e fraquezas do carro.

“Provavelmente é difícil para você observar do lado de fora, mas para nós, [o desempenho] foi bem mais linear do que se pensa”, explicou. “Conforme a temporada foi passando, nós entendemos o carro muito melhor. As maiores melhorias foram realmente em nossa maneira de operar. Extrair o máximo dos pilotos e então como equipe, aumentar ainda mais os limites”, disse.

Até que chegou o GP da Hungria, 11ª etapa do ano, e Valtteri Bottas perdeu o ponto de frenagem na largada sob chuva para abalroar diversos pilotos à sua frente. Assim, Ocon se aproveitou das circunstâncias e de um erro de estratégia de Lewis Hamilton para assumir a liderança. Com ajuda de seu companheiro Alonso, que segurou o heptacampeão tanto quanto pôde, o francês assegurou sua primeira vitória na F1.

Ocon garantiu a primeira vitória da Alpine na Fórmula 1 ao vencer o GP da Hungria (Foto: Alpine)

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Só neste final de semana, foram 25 pontos somados pela equipe com a vitória do piloto francês e mais 12 pelo espanhol, que terminou a corrida com a quarta colocação. São 37 pontos fundamentais na briga com a AlphaTauri, que contou quase que exclusivamente com Pierre Gasly na disputa.

“Nós levamos quatro ou cinco meses para chegar lá, mas crescemos constantemente”, salientou. “E acho que a Hungria foi um demonstrativo dramático do que conseguimos quando ajeitamos tudo corretamente. Foi dramático, mas vimos progresso. E então, conseguimos prever melhor o que faríamos na próxima corrida. De fato, sabíamos que poderíamos somar em todas as corridas alguma quantidade de pontos”, destacou.

Por fim, Rossi destacou que as pistas com menor aderência ofereciam as piores condições para o modelo A521 da equipe, que sentia dificuldades com o asfalto mais escorregadio. Em Estados Unidos e México — duas etapas consecutivas —, a Alpine apresentou resultados modestos em pistas que o nível de ‘grip’ não favorecia às características de seu carro.

GP dos Estados Unidos representou dor de cabeça para a Alpine em 2021 (Foto: Alpine)

Assim, a AlphaTauri conseguiu apertar a briga mais perto do encerramento da temporada e indicou que lutaria até o final pelo quinto lugar entre os Construtores. No entanto, Rossi declarou que a Alpine tinha consciência de que teria vantagem em outras corridas subsequentes.

“Sabíamos que Austin seria extremamente difícil”, admitiu. “Todos estavam: ‘Talvez seja o fim da Alpine e a AlphaTauri os alcance’. Não sabíamos se íamos conseguir resistir à AlphaTauri, mas tínhamos certeza de quais corridas seriam boas para nós. No asfalto de pouca aderência, sofremos para encontrar equilíbrio”, reconheceu.

“Em Austin, você tem os solavancos toda hora, não há tração”, explicou. “Tivemos que trabalhar na tração, e quando fizemos isso, não tivemos que trabalhar no resto. Parecia errático, mas sabíamos que o carro estava operando bem”, encerrou.

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