F1
10/10/2018 02:10

Diretor da F1, Brawn vê morte de Marchionne como causa da fase ruim da Ferrari: “Um impacto enorme”

Ross Brawn, ex-chefe da Ferrari e atual diretor esportivo da Fórmula 1, acredita que a morte de Sergio Marchionne teve grande efeito sobre a disputa pelo título em 2018. Brawn diz “não ter dúvidas” de que Maranello sentiu o baque e ainda não se recuperou
Warm Up / Redação GP, de Berlim
 Sergio Marchionne pareceu empolgado com a vitória de Vettel em Cingapura (Foto: Ferrari)
Sergio Marchionne, presidente da Ferrari que morreu de forma inesperada em julho, é apontado como um dos motivos por trás da dificuldade dos italianos nas pistas. De acordo com Ross Brawn, ex-chefe de equipe em Maranello e atual diretor esportivo da própria Fórmula 1, acredita que a escuderia não foi capaz de lidar com a perda de uma liderança tão importante na área administrativa.
 
“É óbvio que, mesmo com uma análise simples da forma com que o carro se comporta, a Ferrari tem um pacote técnico muito forte”, disse Brawn, em coluna divulgada após o GP do Japão. “Isso é graças aos esforços dos últimos anos, que fizeram a equipe diminuir a diferença que a Mercedes tinha desde a introdução dos motores híbridos em 2014. Até a confiabilidade da Ferrari melhorou, comparando com o ano passado. Então qual é o problema? Não tenho dúvidas de que o choque pela morte recente do Sergio Marchionne, que era uma referência tão importante dentro da equipe, tenha um impacto enorme. É totalmente compreensível”, seguiu.
Maurizio Arrivabene, chefe da Ferrari, foi afetado pela morte de Sergio Marchionne, ex-presidente (Foto: Getty Images)
Quando Marchionne entrou e coma e morreu dias após o que aparentava ser uma inofensiva cirurgia no ombro, a Ferrari ainda brigava de igual para igual com a Mercedes. A situação seguiu assim por mais algum tempo, mas a balança logo começou a pender mais para o lado de Lewis Hamilton, agora dono de uma rara sequência de quatro vitórias seguidas. Sebastian Vettel, por sua vez, passa a ser questionado ao não manter o nível de atuação esperado.
 
“Tendo lidado com várias crises nos meus dias de Ferrari, o que eu sei é que essa é a hora de se unir e olhar em frente, sem se recriminar ou culpar uns aos outros. Pilotos, engenheiros e diretoria ganham e perdem juntos, e isso é uma regra de qualquer esporte. Todo mundo em Maranello sabe disso. Essa é a hora de tentar reverter a situação e tentar terminar em alta uma temporada de muitos pontos positivos”, encerrou Brawn.
 
Um efeito direto da morte de Marchionne é a já comentada disputa por poder dentro da Ferrari. O jornal ‘Corriere della Sera’ apontou que o chefe Maurizio Arrivabene e o diretor-técnico Mattia Binotto lutam por influência dentro da escuderia. Arrivabene, todavia, negou as acusações.