F1
05/02/2016 16:24

Diretor da Mercedes rejeita ‘clima de já ganhou’ e observa avanço de Ferrari e Honda com motores para 2016

Segundo Andy Cowell, diretor da divisão de alta performance e trem de força da Mercedes, embora os motores da fábrica alemã ainda sejam os melhores da F1, as rivais vão ter muito espaço para evolução. O engenheiro destacou sobretudo Ferrari e Honda, mas não descartou nem mesmo um avanço da Renault nesta temporada
Warm Up / Redação GP, de Sumaré
 Nico Rosberg meteu quase 0s5 no TL2 em cima de Hamilton (Foto: Getty Images)
Desde que os motores turbo híbridos foram adotados pela F1, em 2014, a Mercedes dominou como quis o esporte. Afinal, foram nada menos do que 32 vitórias em 38 GPs disputados nas duas últimas temporadas e os quatro títulos mundiais obtidos pela sua equipe de fábrica, sendo dois dos Construtores e outros dois logrados por Lewis Hamilton. Sem grandes modificações no regulamento técnico, tudo indica que a Mercedes entra em 2016 novamente como favorita e tendo como um grande trunfo sua unidade de potência. Contudo, a fábrica prega respeito e cautela ao citar a evolução das suas adversárias no grid, sobretudo Ferrari e Honda.
 
A Ferrari aproveitou a brecha encontrada no regulamento do ano passado para desenvolver sua unidade de potência através do sistema de fichas de desenvolvimento, os chamados tokens. O time de Maranello ressurgiu depois de um ano desastroso em 2014 e voltou a ser competitivo, lutando esporadicamente por vitórias e chegando ao topo do pódio em três oportunidades em 2015, todas com Sebastian Vettel. Boa parte do êxito da escuderia italiana foi atribuída à nova especificação do propulsor.
Andy Cowell rejeitou o discurso de favoritismo da Mercedes em 2016 (Foto: Getty Images)
Por outro lado, a Honda viveu uma situação completamente oposta. De volta à F1 no ano passado como fornecedora e parceira da McLaren, a fábrica japonesa recomeçou sua trajetória no esporte muitos degraus abaixo das suas adversárias no grid, foi alvo de críticas ácidas de Jenson Button e, principalmente, Fernando Alonso, e teve até mesmo a competência do seu chefe, Yasuhisa Arai, questionada. 
 
Ao longo de 2015, a fábrica de Sakura detectou que o principal problema foi no sistema de reaproveitamento de energia, o ERS, que prejudicava de forma enorme o rendimento dos carros da McLaren, sobretudo nos trechos de alta velocidade. Situação que Arai garante que vai ser solucionada para 2016.
 
Desta forma, Andy Cowell, diretor da divisão de alta performance e trem de força da Mercedes e responsável pela unidade de potência fabricada pelos alemães, entende que não é hora de falar em favoritismo, mas sim de observar o trabalho feito pelas outras montadoras da F1.
 
“Se você olhar para o que a Ferrari fez nos últimos 12 meses, é algo notável. As melhorias deram um crédito enorme em termos de motivação, entusiasmo. Todo mundo aqui vai pra cima, e eu me pergunto, como vamos fazer? Ninguém aqui está dizendo que está tudo ganho. Todo mundo aqui está assumindo que tanto Ferrari quanto a Honda são uma grande ameaça para nós”, afirmou o engenheiro em entrevista concedida à revista britânica ‘Autosport’.
 
Sobre a Honda, Cowell destacou a capacidade de trabalho e ainda citou a McLaren, que por 20 anos foi parceira da Mercedes e contou com os propulsores alemães. “Eles chegaram muito rapidamente e estão tendo de aprender diante de todo mundo, mas eles são muito determinados. Eles têm uma parceria com a McLaren, que é muito determinada. Sabemos exatamente como a McLaren trabalha em termos de uma abordagem orientada a dados, de forma que eles vão fazer enormes evoluções”, previu o diretor.
 
Até mesmo a Renault, que tanto sofreu com falta de potência e confiabilidade, gerando uma enorme crise com a Red Bull no ano passado, pode fazer um bom trabalho em 2016, segundo Cowell. “Na sequência disso, há a determinação da Renault, e eles estão cada vez mais envolvidos com a F1. Ao invés de ser apenas um fornecedor de unidades de potência, a Renault fez uma reestruturação na equipe. De modo que vamos ter algumas grandes histórias para contar.”
 
A primeira impressão que o mundo do esporte vai ter das novas especificações de motor desenvolvidas pelas montadoras vai ser durante os testes da pré-temporada, com início previsto para 22 de fevereiro, em Barcelona. Já o Mundial de F1 em 2016 começa em 20 de março com a disputa do GP da Austrália, em Melbourne.
 
VEJA A EDIÇÃO #15 DO PADDOCK GP, COM LUCAS DI GRASSI