F1

Diretor de Corridas da F1, Charlie Whiting morre aos 66 anos às vésperas do GP da Austrália

Charlie Whiting estava em Melbourne, onde começaria mais uma temporada como diretor de corridas da F1, quando sofreu uma embolia pulmonar e não resistiu. Whiting tinha 66 anos de idade e estava ligado à F1 desde 1977

Grande Prêmio / PEDRO HENRIQUE MARUM, do Rio de Janeiro / JULIANA TESSER, de São Paulo
🏁 Charlie Whiting: 1952-2019

O fim de semana de abertura da temporada 2019 do Mundial de F1 será em luto. Charlie Whiting morreu nas primeiras horas desta quinta-feira (14, de acordo com o horário australiano) vítima de uma embolia pulmonar. Whiting, que estava na F1 desde 1977, trabalhava para a FIA desde 1988 e era diretor de corridas desde 1997, tinha 66 anos de idade - 42 deles dedicados à categoria. 
 
Whiting estava na Austrália, inclusive apareceu no paddock do Albert Park, para cumprir normalmente as funções durante o retorno das atividades da F1. Foi lá em Melbourne que passou mal e morreu.

Presidente da FIA, Jean Todt exaltou Whiting e avaliou que a F1 perdeu um “amigo fiel e um embaixador carismático”.

“Foi com imensa tristeza que soube da morte repentina de Charlie”, disse Todt em um comunicado enviado pela FIA. “Conheço Charlie Whiting faz muitos anos e ele foi um ótimo diretor de provas, uma figura central e inimitável na F1, que personificava a ética e o espírito deste fantástico esporte”, seguiu.
 
“A F1 perdeu um amigo fiel e um embaixador carismático com Charlie”, resumiu. “Todos os meus pensamentos, os da FIA e de toda a comunidade do esporte a motor vão para sua família, seus amigos e todos os amantes da F1”, concluiu.
Whiting
Contemporâneo de Whiting, o hoje diretor-esportivo da F1, Ross Brawn, também se manifestou. "Conhecia Charlie desde o início da minha vida nas corridas. Trabalhamos juntos como mecânicos, ficamos amigos e passamos muito tempo juntos em pistas ao redor do mundo. Fui tomado por imensa tristeza ao ouvir a notícia de sua trágica morte", lamentou.

"Estou devastado. É uma grande perda não apenas para mim pessoalmente, mas também toda a família da F1, a FIA e o esporte a motor como um todo. Todos os nossos pensamentos estão com a família", finalizou.

O pentacampeão mundial Lewis Hamilton foi mais um a se pronunciar e lamentar a morte de Whiting.

"Fiquei sabendo neste minuto da morte do Charlie Whiting e estou chocado. Não posso acreditar, naturalmente, e estou profundamente triste. Charlie fez muito pelo esporte, ajudando em tantas áreas para pilotos e equipes na segurança. Minhas condolências para sua família. Realmente aproveitei nossas conversas durante os anos, Charlie. Sentiremos sua falta. Que deus descanse sua alma, amigo", falou.

O chefe de Hamilton e da Mercedes, Toto Wolff, chamou Charlie de "guardião dos interesses da F1". 

"Estou chocado e triste ao saber da notícia da morte de Charlie. Ele foi um pilar da nossa família da F1 - equilibrado nas abordagens, sutil na compreensão e sempre com os interesses da F1 como foco. Foi um fantástico embaixador para nosso esporte e um verdadeiro guardião de seus melhores interesses. Todos nós que fomos sortudos o bastante para conhecê-lo vamos sentir falta do sorriso sempre pronto e do humor gentil. Em nome de toda a família Mercedes, mando nossas mais profundas condolências à família e aos amigos", finalizou.
Charlie Whiting foi convocado para a coletiva dos pilotos (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)
A ligação de Whiting com a F1 começou quando ele tinha 24 anos, em 1977, trabalhando então para a Hesketh. A carreira começou a decolar quando se mudou para a Brabham, então no auge dos seus poderes, para ser mecânico-chefe. Nesse mesmo cargo esteve quando Nelson Piquet, ainda pela Brabham, conquistou os títulos mundiais de 1981 e 1983. 
 
Deixou a equipe quando Bernie Ecclestone, dono da época, resolveu vender o time, em 1987. Já no ano seguinte foi para a FIA, onde foi delegado-técnico, delegado de segurança e diretor de corridas.
 
No cargo que ocupou até esta quarta-feira, Whiting trabalhou para fazer evoluir os padrões de segurança na F1. Pesou a mão, por exemplo, para que o Halo fosse introduzido. Em entrevista concedida em junho de 2018, destacou a reação ao acidente fatal de Ayrton Senna como responsável pela maior mudança de segurança em toda a história do esporte a motor. 

“Estou na F1 há 40 anos e, logo, vi muitas mudanças no ponto de vista da segurança. Comecei ainda quando os chassis eram de alumínio e as coisas se tornaram, pouco a pouco, mais sofisticadas. Em 1985, creio que fizemos o primeiro teste de impacto, mas creio que a maior mudança ocorreu em 1994, após a morte de Ayrton Senna. Se não tivéssemos esse fim de semana, teríamos tardado a receber esse estímulo de renovação”, afirmou.
 
A partir do acidente de Senna, a F1 iniciou aprimoramentos de segurança que culminaram, no início da década de 2000, com a introdução do HANS. A rejeição inicial ao dispositivo, que protege a região do pescoço dos pilotos, foi usada como exemplo por Whiting na comparação com o halo.
 
“Cada vez que discutimos possíveis novas medidas de segurança, as equipes são muito receptivas e os pilotos, creio, não entendem tão bem quanto os engenheiros. Quando é algo visível, como coisas no cockpit, a princípio nenhum condutor gosta. Tivemos o HANS, por exemplo, e os pilotos diziam que não podiam usar isso. Agora, nenhum deles pensa em entrar num carro sem um protetor desse, é impensável. Atualmente temos o halo, que é um grande passo adiante. Creio que todos se acostumarão muito rapidamente”, comparou na época.