Diretor-técnico da FIA critica e diz que Honda “abusou da boa-fé” do regulamento com troca de motores em Spa

Charlie Whiting, diretor de provas da F1 e chefe do departamento técnico da FIA, não gostou da atitude da McLaren Honda em Spa-Francorchamps, com as trocas seguidas de motores, e disse que a esquadra explorou a boa-fé dos regulamentos

Diretor de provas da F1 e chefe do departamento técnico da FIA, Charlie Whiting acredita que a McLaren Honda explorou demais as regras no GP da Bélgica, realizado no último fim de semana, e usou da boa-fé do regulamento. A equipe inglesa escolheu introduzir novos motores na sexta-feira, forçando uma punição a Fernando Alonso e a Jenson Button, que perderam, por conta das trocas dos componentes, 30 e 25 posições, respectivamente.

No entanto, no sábado, a esquadra inglesa decidiu por uma nova mudança das unidades de potência, mesmo sem nenhum problema com os motores anteriores. A alteração, evidentemente, causou sanções e perdas de colocações no grid. A punição adicional incorreu em 25 posições para cada piloto. Na soma, foram incríveis 105 colocações. Porém, com os ajustes nas regras, os dois pilotos foram apenas descolados para a última fila do grid.

Fernando Alonso deixa os boxes (Foto: McLaren/Facebook)

A ideia foi usar o regulamento a favor. Agora, as regras permitem que a Honda opte livremente por qualquer um dos dois novos motores — tanto os usados na sexta-feira quanto os do sábado — nas próximas corridas sem qualquer risco de punição, porque já sofreu as sanções devidas. Na verdade, a equipe de Woking e a parceira japonesa lançaram mão desse artifício para evitar novas penas em etapas em que, potencialmente, pode obter resultados melhores, como em Cingapura, onde a pista tem mais trechos de baixa velocidade. Tudo isso dada a fragilidade também das unidades japonesas.

Ao analisar a tática da McLaren Honda, Whiting reconheceu que situações como essa poderiam acontecer em algum momento na temporada. "A FIA tinha essas preocupações e as apresentou ao Grupo de Estratégia", afirmou o inglês em entrevista à revista 'Auto Motor und Sport'.

"No entanto, tivemos a sensação de que os comentários negativos de quase todas as partes sobre as punições severas e as sanções adicionais durante as corridas estavam prejudicando ainda mais o esporte."

"É claro que a regra foi escrita na boa-fé e não era para ter servido de incentivo para fazer o que a Honda fez", completou.

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