F1

Do espaço dado pelo avô ao calendário cheio e a superlicença: o início do trabalho de Fittipaldi na Haas

Piloto reserva da Haas, Pietro Fittipaldi já iniciou o trabalho com a equipe em janeiro e teve a oportunidade de guiar o novo carro na primeira semana de testes, em Barcelona, na Espanha. De mais importante, Fittipaldi tirou a experiência de integrar uma equipe de F1, além da relação com os engenheiros e os pilotos titulares. Mesmo com os conselhos do avô bicampeão, Pietro preza o espaço para aprender tudo sozinho

GRANDE PRÊMIO, de Barcelona / EVELYN GUIMARÃES, do Circuito da Catalunha
A vida de Pietro Fittipaldi com a Haas na F1 não começou em Barcelona. O jovem piloto de testes da equipe norte-americana já vem trabalhando desde janeiro, especialmente no simulador, com o objetivo de entender e ajudar o time a desenvolver o VF-19. E na semana passada veio a chance de andar com o novo carro. O primeiro contato foi meio que de surpresa, depois que a esquadra decidiu colocá-lo para andar no fim do segundo dia após problemas no assento de Kevin Magnussen. Na manhã seguinte, Pietro guiou durante toda a atividade em um programa diverso, mas com o foco na confiabilidade. Ao falar da oportunidade, Fittipaldi foi bastante cauteloso ao analisar o desempenho.
 
Para o neto de Emerson, o carro é muito bom. “O objetivo era dar o máximo de quilometragem possível. Por causa de alguns problemas nos primeiros dias, eles não conseguiram andar tanto quanto queriam, então a minha tarefa foi tentar fazer o máximo de voltas. E a gente conseguiu fazer isso. Tudo o que a gente quis testar, nós conseguimos testar. E tivemos alguns pontos positivos, mas também foi possível perceber aquilo que não funcionou. Então, foi um dia muito bom”, contou Pietro ao GRANDE PRÊMIO
 
Fittipaldi também revelou que agora entende como a Haas consegue superar as adversárias até maiores, mesmo sendo uma equipe novata e relativamente pequena. “A equipe em si não é tão grande e não tem tantos funcionários quanto outras, mas eles ainda conseguem resultados melhores do que times maiores. As pessoas dentro da equipe são muito boas. Os engenheiros e os mecânicos são muito competentes, e isso me ajuda muito também”, completou o novato.
Pietro Fittipaldi durante os testes de pré-temporada (Foto: Xavi Bonilla/Grande Prêmio)
“É importante ver como eles trabalham, como o engenheiro acerta o carro. Aí consigo entender porque, às vezes, eles conseguem terminar na frente de algumas equipes que são maiores.”
 
Mas Pietro ainda acha cedo para dizer em que posição a Haas deve aparecer no início da temporada, uma vez que o grupo intermediário do grid segue bastante equilibrado. “É difícil de dizer em que posição a equipe está no grid. Ainda é muito cedo, as equipes vêm fazendo programas diferentes, mas eu achei o carro bastante competitivo.” 
 
"Acho que vamos ter um cenário melhor na segunda semana. Os problemas que tivemos são comuns nesta fase e é importante avaliar tudo isso, tentar anular todas as falhas agora. Eu estava fazendo saídas de dez a 15 voltas, para analisar a confiabilidade do carro. Esse era o foco do teste. Por isso, penso que foi tudo certo”, acrescentou ao GP.
 
A relação com a equipe e o trabalho
 
Fittipaldi também elogiou o ótimo ambiente da Haas e a comunicação fácil com engenheiros e pilotos. "É uma relação muito aberta, eu posso perguntar o que quiser, tanto para eles quanto para os pilotos. E isso me ajuda muito. O ambiente dentro da equipe é realmente muito bom”, contou o piloto, que também detalhou mais do seu trabalho com o time. “O trabalho é bastante intenso. Eu comecei já no início de janeiro."
 
"De duas a três vezes por semana a gente vai para o simulador.  Isso tem sido uma boa experiência para mim. Já é bem similar ao carro real, o que é incrível. Não esperava ser tão parecido assim, então é uma surpresa. Essa experiência tem me ajudado muito. O aprendizado não é tanto da pilotagem em si, mas do acerto do carro, dentro de uma equipe de F1. Ver como a equipe desenvolve o carro, então é uma questão muito mais técnica", falou.
 
A superlicença
 
Como se sabe, para competir na F1 é preciso ter a superlicença, que só é conquistada por meio de uma pontuação obtida nas classes de acesso (40 pontos) e/ou acúmulo de quilometragem com um carro de F1 (300 km). O documento não preocupa Pietro, que rodou em dois dias 284 km. A decisão também está nas mãos da Haas, que ainda entende que não é o momento para solicitar a licença, como apurou o GRANDE PRÊMIO. De qualquer forma, Pietro vem trabalhando para não só obter o necessário, mas também tentar competir em outra categoria - apenas uma, já que precisa conciliar o trabalho com a Haas. Neste momento, o foco está na Super Fórmula, no Japão, mas “desde que tenha nas mãos um bom equipamento”, disse o piloto.
 
“A minha prioridade é com a Haas, então se eu fizer outra coisa precisa estar em acordo com o calendário da equipe. Quando o Günther (Steiner, chefe da equipe) me ofereceu essa vaga, ele disse que o meu calendário seria bem cheio. Então, eu já sabia que seria difícil competir em outra categoria, mas ainda estou buscando alguma coisa. E que campeonato pode se adequar ao calendário da Haas. Mas eu quero um campeonato em que possa ser realmente competitivo. O que dá para fazer é a Super Fórmula. Mas ainda está difícil, porque é como eu falei... Eu quero um carro competitivo”, afirmou.
Pietro Fittipaldi (Foto: Xavi Bonilla/Grande Prêmio)
Aprender sozinho
 
Pietro carrega o sobrenome do piloto que abriu as portas para os demais na F1. E entende o que significa, mas prefere também fazer as coisas do seu jeito. Fittipaldi revelou que o avô até acompanha de perto a sua evolução, mas que também dá espaço. “Ele está sempre por perto, pergunta, mas, no fim, ele sempre deixa espaço para que eu possa aprender sozinho”, contou. 
 
“Sempre me aconselha. Como sempre foi muito bom em acertar os carros, me fala para focar muito nisso, prestar atenção nos detalhes. Sempre depois de cada sessão, ele manda mensagem, liga, quer saber como foi. E, mesmo de longe muitas vezes, ele vai ajudando em várias coisas. Mas quem coloca mais pressão em melhorar sou eu mesmo. Sou eu que tenho de ser melhor”, concluiu.

GRANDE PRÊMIO cobre ‘in loco’ a pré-temporada da F1 em Barcelona com os repórteres Evelyn Guimarães, Vitor Fazio,  Eric Calduch e o fotógrafo Xavi Bonilla. Acompanhe tudo aqui.