F1

Ecclestone alfineta Liberty Media e critica nomeação de Brawn como diretor esportivo da F1: “Nunca teve visão dos negócios”

Antigo todo-poderoso da F1, Bernie Ecclestone dá um jeito de alfinetar os novos donos do esporte vez ou outra. Desta vez, o empresário britânico disparou contra a decisão do Liberty Media em nomear Ross Brawn como diretor esportivo. E disse ter méritos na situação atual do esporte por ter aprovado o novo regulamento, que entrou em vigor em 2017
Warm Up / Redação GP, de Sumaré
 Bernie Ecclestone e Ross Brawn (Foto: Getty Images)

Bernie Ecclestone está oficialmente fora do comando da F1 desde o fim de janeiro, quando Chase Carey assumiu como novo todo-poderoso da categoria. Desde então, o icônico dirigente britânico sempre deu um jeito de continuar sob os holofotes e, quase sempre, criticando a nova gestão do Liberty Media. Ecclestone, que chegou a dizer recentemente que o grupo administra a F1 como “uma filial do Starbucks”, voltou a apontar sua metralhadora verbal à empresa norte-americana. E, dessa vez, criticou a nomeação de Ross Brawn como diretor esportivo do esporte.
 
Em entrevista veiculada pelo site ‘F1 Today’, Bernie afirmou que é normal hoje ser criticado por ter mantido o esporte por tanto tempo na contramão da interação com os fãs, ponto vital para o Liberty Media neste novo momento da F1.
 
“Tenho de conviver com isso. Talvez eu deveria ter mudado mais coisas, já que os americanos agora estão mudando tudo”, disse Ecclestone, em tom irônico. “Para mim, sempre foi claro: queria gerir a F1 para que isso se convertesse em lucro para os acionistas. E, no fim das contas, as ações eram tão altas que essa foi a razão pela qual [a F1] foi comprada pelo Liberty”, comentou.
Bernie Ecclestone segue disparando sua metralhadora verbal contra o Liberty Media (Foto: Beto Issa)
Ao ser questionado sobre a relação que tem hoje com Carey, Ecclestone foi lacônico. “Bem, ele não precisa de mim. Ele diz que sabe o que está fazendo. E ele se cercou de pessoas que também dizem que sabem o que estão fazendo”, contou o britânico, que não acredita que a mídia televisiva esteja totalmente satisfeita com a nova gestão. “Muitas emissoras de TV estão incomodadas e irritadas”, apontou.
 
Carey assumiu o comando geral da F1 como presidente e nomeou dois executivos para trabalhar em conjunto: Sean Bratches como diretor comercial e Ross Brawn, campeão do mundo na Benetton, Ferrari e Brawn, para atuar como diretor esportivo.
 
“Ross nunca teve visão dos nossos negócios. Ele trabalhou como engenheiro com Flavio Briatore na Benetton. Então, ele foi para a Ferrari, e não quero falar sobre como ele geriu sua equipe mais adiante”, alfinetou Bernie. “Mas ele não tem uma grande noção de política e processos comerciais”, bradou.
 

Indagado sobre a nova fase da F1 com o novo regulamento técnico, e consequentemente algumas corridas bem mais agitadas, Ecclestone tomou para si os méritos. “Isso não tem nada a ver com a nova gestão. Há dois anos, decidi ir adiante pelo novo regulamento, com pneus mais largos e carros mais rápidos. Isso mudou a situação para melhor.”
 
No fim das contas, mesmo longe de forma efetiva do esporte — embora ocupe a função decorativa de presidente honorário da F1 —, Bernie Ecclestone continua trabalhando e não dá indícios de que vai parar. “Vou para meu escritório muito cedo e muitas vezes vou embora bem tarde. Mantenho meu ritmo”, finalizou o empresário britânico, hoje com 86 anos.
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