F1

Ecclestone chega aos 85 anos em plena atividade no comando da F1. Apenas correndo menos e ficando mais sentado

Nascido em 28 de outubro de 1930, Bernie Ecclestone completa 85 anos nesta quarta-feira. Garantindo estar com a saúde ótima, o dirigente segue no comando do Mundial de F1 e tentando resolver a crise mais arrastada da história da categoria. E ele continua dando declarações polêmicas. Desta vez, teceu elogios ao controverso presidente russo Vladimir Putin

Warm Up / RENAN DO COUTO, de São Paulo
Em 1999, Bernie Ecclestone precisou ser submetido a uma cirurgia cardíaca. Àquela altura, com o britânico beirando os 70 anos, poucos imaginavam que, 16 anos mais tarde, o dirigente seguiria todo-poderoso no comando do Mundial de F1. Uns não deviam nem esperar que Bernie continuasse vivo.

Pois é. Nesta quarta-feira, 28 de outubro, Ecclestone completa 85 anos. Não fala em se aposentar e segue comandando a F1 com a mesma energia de outros tempos. Já são mais de quatro décadas assim. Inicialmente, negociando em nome das equipes. Mais tarde, atuando de fato como um chefão.

Deve ser difícil encontrar alguém que exemplifique tão bem o termo 'workaholic'.
Bernie Ecclestone até bebeu leite para acabar com protestos perto de Spa (Foto: Reprodução/Twitter)
Bernard nasceu em uma pequena cidade do interior do Reino Unido, e sua família mudou-se para Londres quando ele tinha oito anos. Na capital, passou o resto da infância e a adolescência ouvindo os estouros das bombas da Segunda Guerra Mundial. Após o fim do confronto, começou a vender motocicletas. Depois, carros. Pouco a pouco, foi crescendo, abriu seu próprio negócio e evoluindo.

Ganhando dinheiro aos poucos, alimentou o sonho de se tornar piloto, fez uma corrida aqui e outra acolá. Na F1, fez três provas extra-campeonato em 1953. Até tentou, sem sucesso, classificar-se para o GP de Mônaco de 1958. O risco envolvido com os acidentes, ainda mais naquela época, o levou a desistir. Nesse meio tempo, passou atuar como empresário do promissor piloto Stuart Lewis-Evans. Entretanto, a morte do amigo no GP do Marrocos, também em 58, afastou de vez Bernie deste meio.

Outra relação de amizade levou o inglês de volta ao paddock na década seguinte, com Jochen Rindt. A relação era tão próxima que a viagem de lua-de-mel de Rindt com sua esposa, Nina, teve a companhia de Ecclestone e sua então mulher, Tuana. Desta vez, Ecclestone se envolveu tão profundamente com a categoria que a morte do amigo em Monza, em 1970, não deixou que ele se afastasse novamente. No ano seguinte, Bernie comprou a Brabham. Logo passou a negociar com circuitos e televisões em nome das equipes. Em 1987, vendeu o time para se dedicar de vez a se tornar o chefão da F1, controlando os direitos comerciais da categoria.

Hoje, oitentão, ele tira sarro: "Ainda estou aqui!" 
Bernie Ecclestone em Amparo (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)
Em entrevista publicada pelo site oficial da F1, Ecclestone afirmou que não possui uma dieta especial para manter a saúde, tanto que está ostentando uma barriga. "Tenho que diminuir um pouco isso", falou.

O que é preciso fazer? "Eu tenho que andar mais. Eu costumava correr bastante. Agora me tornei meio que um político: sento e espero que venham até mim. Eu tenho que mudar isso de novo! Tenho que voltar aos velhos dias em que saía andando e causando problemas..."

"Eu vou ao médico de vez em quando para fazer um exame de sangue e ver se está tudo bem. Tomo alguns comprimidos para controlar o colesterol e é isso. Se não tomasse, também não faria muita diferença, eu acho. Então, até agora, estou saudável!", garantiu Bernie.

Ao longo da trajetória, Ecclestone colecionou polêmicas. Dentro dos autódromos, relacionadas aos autódromos e fora deles também. Por exemplo, nas declarações políticas. Há alguns anos, elogiou Adolf Hitler. Era fã de Margaret Thatcher. E, agora, falou bem de Vladimir Putin, com quem esteve no fim de semana do GP da Rússia - e a quem já tinha elogiado por conta das leis antigay

"Putin está perdendo tempo na Rússia. Ele deveria governar a Europa. Inteira. Ninguém está governando", disparou.
Presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o chefão da F1, Bernie Ecclestone, acompanham a corrida em Sóchi (Foto: AP)
Vira e mexe, ele sai dos cadernos de esportes, como foi no ano passado com o julgamento que encarou na Alemanha. Acusado de suborno a um banqueiro na venda das ações da F1 para o grupo de investimentos CVC, selou um acordo de US$ 100 milhões. Ele estava comprando de volta o próprio tempo. "Eu estava perdendo muito tempo da minha vida indo lá para ouvir o juiz falar no final que, na verdade, nunca houve um caso de verdade. Devo dizer que o promotor fez um trabalho muito bom para arrancar de mim todo esse dinheiro. Quando penso nisso, provavelmente teria convidado ele para trabalhar para mim quando eu era um vendedor de carros! Ele era muito bom mesmo." 
 
A vida pessoal também chama a atenção. Bernard está em seu quarto casamento, com a advogada brasileira Fabiana Flosi, 46 anos mais nova. Juntos, inclusive produzem café no interior de São Paulo. Antes, era casado com a modelo croata Slavica Radic. E Tamara, uma de suas filhas, foi capa da Playboy em 2013.

Apesar de todas as polêmicas e de tantas decisões tomadas, pessoal e profissionalmente, Ecclestone não tem arrependimentos. "A minha resposta é bem simples: se eu nascesse de novo, provavelmente não mudaria nada do que fiz, porque, o que quer que tenha sido, foi o que naquele momento pensei que fosse a coisa certa a fazer", asseverou.

Outra coisa: Ecclestone também disse que ainda não escreveu seu testamento.

Pressa pra quê? Afinal, se a vida começa aos 40, Bernie tem só 45.
 

A molecada que nunca viu Senna capotar na Peraltada — e que também não vai ver o que era a Peraltada...

Posted by Grande Prêmio on Quarta, 28 de outubro de 2015