F1

Em fase de definição, grid para temporada 2017 ainda tem dez vagas. Opções para Nasr aumentam

O fim de semana do GP da Itália foi marcado pelos anúncios surpreendentes de aposentadoria de Felipe Massa e de um ano sabático de Jenson Button, que será substituído por Stoffel Vandoorne na McLaren em 2017. Sendo assim, o grid para a próxima temporada ainda tem dez vagas a serem preenchidas, e o leque de opções para o único brasileiro do Mundial aumentou

Warm Up / FERNANDO SILVA, de Sumaré

O mercado de pilotos para a temporada 2017 do Mundial de F1 segue efervescente. Nesta semana, dois anúncios até um tanto surpreendentes colocaram ainda mais lenha na fogueira das especulações sobre o futuro de alguns nomes do grid para o ano que vem. Felipe Massa, na última quinta-feira, anunciou que 2016 será seu último ano no Mundial, abrindo uma vaga na Williams. No fim da tarde deste sábado (3), foi a vez de Jenson Button surpreender com um anúncio pouco comum: o campeão mundial de 2009, na prática, deu um tempo na sua carreira, enquanto Stoffel Vandoorne vai assumir seu lugar como titular da McLaren em 2017.
 
Mas a definição de quem vai ocupar as vagas remanescentes do grid para 2017 ainda está longe de ter um desfecho. Dos 22 carros do grid, nada menos que dez ainda não têm pilotos certos para ocupá-los no ano que vem. E aí, Felipe Nasr, único piloto brasileiro da F1 com a aposentadoria de Massa, passa a ter chances maiores em equipes com potencial maior que a Sauber, em que pese sua melhora financeira recente com a troca de dono.
 
A vaga na Williams é a mais cobiçada dentre as dez que ainda carecem de definição. Entre os principais candidatos, aparecem na lista Sergio Pérez, Pascal Wehrlein e Nasr. O brasileiro teve sua primeira experiência na F1 justamente pela Williams, onde foi trabalhou como terceiro piloto e teve a chance de guiar em alguns treinos livres na temporada 2014. Portanto, conhece bem o time e tem o prestígio da cúpula britânica. Neste fim de semana, inclusive, a imprensa europeia coloca Nasr como o grande favorito a ser o substituto natural de Massa no ano que vem.
Futuro de Pérez é uma das chaves para a definição das vagas para a temporada 2017 da F1 (Foto: Force India)
Pérez surge como boa opção, sobretudo por estar fazendo grande temporada pela Force India e também por contar com patrocinadores fortes. No entanto, embora não seja oficial, jornalistas que cobrem a F1 dão conta que o mexicano renovou com a Force India, o que aí manteria a forte dupla ao lado de Nico Hülkenberg, já assegurado para 2017. Tanto na Force India como na Williams, corre por fora Pascal Wehrlein, talentoso alemão apadrinhado pela Mercedes e que vem fazendo uma grande temporada de estreia pela Manor e até já pontuou neste ano.
 
A Toro Rosso também não definiu ainda a sua dupla para 2017. Carlos Sainz Jr. recentemente renovou seu contrato com a Red Bull e terá ao menos mais um ano pela equipe de Faenza, embora ainda não saiba quem será seu companheiro de equipe. Daniil Kvyat caiu em desgraça em meio ao comando taurino e foi rebaixado da Red Bull para a Toro Rosso em maio. Desde então, somou apenas dois pontos e ficou bem distante de mostrar o potencial que um dia o alçou ao posto de um dos pilotos mais promissores desta nova geração.
 
A principal aposta para o futuro da Toro Rosso, ao que tudo indica, é Pierre Gasly. O francês é o grande favorito ao título da GP2 e desponta como opção natural para a vaga de Kvyat, embora Helmut Marko, o polêmico consultor da Red Bull, negue e fale que tal opção seja “um disparate absoluto”. Vale lembrar que, no fim de 2013, a mesma Red Bull surpreendeu ao anunciar Kvyat, e não o então favorito António Félix da Costa para o lugar de Jean-Éric Vergne, dispensado do time italiano.
Mesmo sem bons resultados em 2016, Nasr parece ter boas alternativas para seu futuro (e para manter o Brasil no grid da F1)(Foto: Getty Images)
A vaga restante na Haas também parece ser bastante interessante. Primeiro, pelo potencial da equipe e pela proximidade técnica em razão do suporte oferecido pela Ferrari. A escuderia norte-americana não nada em dinheiro, mas ao menos tem a estabilidade financeira graças ao dinheiro oriundo do conglomerado de empresas de automação industrial de Gene Haas. Romain Grosjean terá ao menos mais um ano no time de Kannapolis. 
 
Esteban Gutiérrez, por sua vez, ainda não convenceu. O mexicano vive um bom fim de semana de GP da Itália, mas ainda não foi confirmado pelo time, que vem testando o monegasco Charles Leclerc, atual piloto da GP3, em alguns treinos livres. Contudo, o jovem piloto ainda parece estar um tanto verde para o desafio da F1.
 
Por fim, restam as vagas nas piores equipes do grid atual. A Renault sempre evidenciou o desejo de seguir trabalhando com novatos de talento, mas faltam grandes opções. Uma delas, Vandoorne, fechou com a McLaren para o ano que vem. Esteban Ocon é piloto da Mercedes e, depois de ter sido emprestado pela equipe alemã à Renault, foi alçado ao posto de titular da Manor no lugar de Rio Haryanto. Parece ser uma boa opção para uma das vagas no ano que vem ao lado de Kevin Magnussen. Jolyon Palmer, piloto de performance pálida em 2016, não parece ter grandes chances.
 

Quanto à Manor, tudo vai depender da influência que a Mercedes vai desempenhar no time britânico. No momento, é como um time B, como a Red Bull faz com a Toro Rosso, de modo que a escuderia bicampeã do mundo empreste seus talentos para serem desenvolvidos nos cockpits do time chefiado por Dave Ryan. Mas a Manor é daquelas equipes em que a prioridade é sempre o piloto que oferece mais para correr, como aconteceu com Haryanto no fim do ano. 
 
Da mesma forma, a Sauber não tem definição sobre sua dupla para o ano que vem. Marcus Ericsson é prestigiado dentro do time e tem boas chances de continuar, até mesmo porque tem bons apoiadores que garantem sua permanência em Hinwil. A segunda vaga pode até ficar com Nasr, caso não dê certo uma possível mudança para Williams ou Renault. O time suíço, que ainda não somou pontos em 2016, trabalha com a perspectiva de ter uma temporada melhor no ano que vem em razão da mudança de proprietário e do bom aporte financeiro disponível agora com a Longbow Finance, que agora promete colocar a tradicional Sauber de volta ao caminho do sucesso na F1.
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