Erro de Leclerc embaralha grid em Miami e abre chance para Pérez “ser perfeito” em 2023

Talvez no mano a mano fosse difícil, mas Sergio Pérez fez sua parte na classificação deste sábado e foi recompensado com uma bandeira vermelha no momento certo. A pole representa a chance de assumir a ponta da tabela da F1 2023, enquanto Max Verstappen terá de se recuperar não só dos erros, mas também por ser obrigado a partir da nona colocação neste domingo em Miami. No meio de tudo, está esse Fernando Alonso em estado de graça

Pouca gente apostaria em uma pole de Sergio Pérez em Miami. Mesmo vindo de um fim de semana espetacular no Azerbaijão, o mexicano se viu em dificuldades na pista da Flórida. De início, se queixou dos pneus e da aderência, depois notou certo desconforto com o acerto do RB19 e, acima de tudo, em nenhum momento pareceu que seria uma ameaça ao companheiro de Red Bull. Portanto, teria sido difícil mesmo encarar Max Verstappen de igual para igual, mas a verdade é que Pérez fez bem a parte que lhe cabia e não deu chances, foi perfeito. A primeira tentativa de volta rápida no Q3 foi precisa e acabou sendo suficiente. A posição de honra conquistada neste sábado (6) é significativa, não só pela vantagem em relação ao grid, mas principalmente na oportunidade que se abre no que diz respeito ao campeonato que tenta travar contra o holandês.

Acontece que, às vezes, a Fórmula 1 consegue ser caprichosa, e a classificação reservou ainda outros elementos que formam um cenário dos mais interesses para esse domingo. O primeiro deles é o revés sofrido pelo líder da temporada 2023, que ganhou contornos dramáticos após mais um erro — e prejuízo para a Ferrari — de Charles Leclerc.

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Ao longo das duas primeiras fases da sessão que decidiu as posições de largada, Verstappen não teve com o que se incomodar. O desempenho forte o afastou da concorrência e parecia apenas uma questão de tempo para que a pole fosse consolidada. O problema, no entanto, é que a pista recém-recapeada impôs um novo desafio aos pilotos: o piso escorregadio cobrou um preço alto de quem ousou sair da trajetória. Além disso, a própria natureza do traçado também criou pequenos obstáculos que demandaram atenção. Verstappen sentiu na pele.

Ao arriscar mais do que o necessário, Max errou em seu primeiro giro lançado no Q3. Já havia certa dificuldade com o primeiro setor, mas o holandês preferiu dobrar a aposta. Deu ruim. E a volta precisou ser abortada. Era o início do fim. Porque Pérez foi capaz de virar 1min26s841, para comandar a folha de tempos. Instantes depois, Leclerc escapou do traçado, rodou e bateu forte no muro da curva 7. A bandeira vermelha agitada pelo acidente também antecipou o fim das ações. Com isso, o bicampeão ficou apenas com a nona posição no grid de largada.

Verstappen admitiu o incômodo pelo erro e pelo momento da bandeira vermelha. “Eu estava um pouco fora de linha entre as curvas 6 e 7, senti um pouco que o carro saiu de frente e simplesmente não consegui mais voltar para a trajetória. Por isso, abortei a volta. Às vezes, é preciso um pouco de sorte, que não haja uma bandeira vermelha. Mas é claro, quando você tenta pensar assim, acontece. Então, é um pouco perturbador.”

“Fomos rápidos durante todo o fim de semana, minha volta no Q2 foi rápida o suficiente até para a pole no Q3.  Quero dizer, estamos todos no limite, um pequeno erro pode te jogar fora imediatamente. E foi o que aconteceu comigo hoje. Mas. ainda assim. você sempre quer tentar ser perfeito, certo? Ainda estou chateado comigo mesmo, mas também sei que amanhã é um novo dia, muitas coisas podem acontecer”, completou Max, que já traçou a meta do domingo: chegar em segundo.

Ainda que tenha nas mãos um carro especialmente rápido, o holandês terá uma dura tarefa pela frente em uma pista de difícil ultrapassagem com um asfalto traiçoeiro. O ponto positivo é a performance em corrida da Red Bull — muito forte com todos os pneus da gama da Pirelli, além do equilíbrio técnico e velocidade de reta. Só tem um ponto nisso: Pérez está muito à frente e tem a chance de mudar a história. “Acho que foi meu pior fim de semana até a classificação, não consegui descobrir como tirar o ritmo que sempre me faltou em comparação com Max e aos carros da Ferrari. Quero dizer, eu estava tentando redefinir tudo. Fizemos uma pequena mudança na classificação que deixou o carro mais vivo, realmente ficou mais palpável, acertamos quando importava porque estava lutando por equilíbrio, confiança”, explicou o mexicano após a classificação.

Charles Leclerc bateu forte e decidiu a classificação em favor de Sergio Pérez (Vídeo: reprodução/F1 TV)

Pérez sabe que a chance é de ouro, porque pode sair de Miami em uma inédita liderança do Mundial. E mais: seria uma forma de colocar em prática o plano de ampliar a pressão para cima do colega de Red Bull. “Estou pensando corrida a corrida. Amanhã é uma nova oportunidade largando da pole, somos nós que temos algo a perder”, acrescentou.

A cautela de Pérez também se justifica diante de quem está ao seu redor no grid de largada. Fernando Alonso é o grande nome nesse cenário. Uma vez mais, o espanhol surpreendeu e tirou um desempenho que parecia não existir na Aston Martin — ao menos não em classificação. O caso é que o bicampeão soube aproveitar a melhor da aderência do piso de Miami. Tanto que, na volta inicial do Q3, optou por usar pneus usados. E deu muito certo. O tempo de 1min27s202 pode ser considerado substancial. Claro que Alonso foi ajudado também pelas mazelas de Leclerc, mas não há dúvida de que foi capaz de impor uma alta performance na fase decisiva da classificação. O prêmio é a primeira fila e a possibilidade de reeditar uma batalha que deveria ter acontecido na Arábia Saudita. “A posição no grid torna a nossa vida mais fácil desta vez”, afirmou o asturiano, com um sorriso no rosto.

Fernando é um elemento dos mais intrigantes. Isso porque o carro verdinho costuma ser melhor em corrida do que classificação. Assim, a largada vai carregar uma expectativa ainda maior do que o habitual. “Foi uma boa classificação. Acho que o TL3 foi confuso para nós, tentamos acertos diferentes e eles não funcionaram. Mas a equipe colocou o carro do jeito que estava antes e ele renasceu na classificação. Extremamente feliz com a segunda colocação, primeira fila, vamos ver o que acontece”, disse o piloto #14, que tenta voltar ao pódio.

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Para completar, o acidente causado por Leclerc e que bagunçou a parte final da classificação colocou Carlos Sainz em evidência. Depois de uma etapa difícil no Azerbaijão, o espanhol salvou a imagem da Ferrari. Com uma condução mais limpa, Sainz garantiu o terceiro lugar e também é uma peça a se olhar neste início de prova. O ritmo de corrida dos carros vermelhos é mais forte e, se houve um controle maior entendimento do comportamento dos pneus, há uma chance de briga. Ao menos com a Aston Martin.

Sainz, na verdade, terminou a sessão com um sentimento de que poderia ter feito mais até. “Com certeza o tempo que marcamos hoje não representa o valor máximo do carro e faltou muito para extrair na segunda tentativa. A primeira volta da Q3 não foi nada de especial, não tive ritmo, também devido a alguns problemas de aquecimento dos pneus.”

“A gente não sabe muito como o carro vai performar no calor, normalmente a corrida é nosso ponto fraco. Eu vou tentar fazer um trabalho melhor do que na última prova. A Red Bull é favorita, mas com Fernando e as Mercedes, que estão um pouco mais para trás, vai ser uma briga boa”, emendou.

Lewis Hamilton errou na volta final do Q2 e ficou fora da parte decisiva da classificação (Foto: AFP)

De fato, a disputa atrás também promete. Isso porque Kevin Magnussen se destacou com a Haas na parte final da classificação, tirando proveito das atualizações do carro americano. Então, há esse Pierre Gasly muito bem colocado em quinto, logo à frente de George Russell. Aí o grid encorpa com Leclerc, Esteban Ocon e Verstappen. Lewis Hamilton sai apenas em 13º. E como em outras vezes, a Mercedes costuma dar um passo à frente em ritmo de corrida, muito embora a equipe alemã já tenha jogado a toalha neste fim de semana.

“É a falta de compreensão do que está errado que torna esse carro tão desagradável. Não é um bom carro”, desabafou Toto Wolff, o chefão da esquadra de Stuttgart.

Por fim, é importante colocar aqui que os pneus terão, de novo, um peso enorme sob o desempenho. Neste sentido, não deixa de ser interessante que a Alpine seja o carro mais veloz com os pneus duros e os médios, enquanto a Red Bull os trata melhor, tanto com Verstappen como com Pérez, assim como a Aston Martin nas mãos de Alonso. Ferrari e Mercedes costumam sofrer mais. De novo, a previsão é de um único pit-stop. Porém, também é bom dizer que há uma expectativa de pancadas de chuva para a quente tarde de Miami neste domingo.

A largada para o GP de Miami está marcada para as 16h30 (de Brasília, GMT-3). O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades da temporada 2023 da Fórmula 1 AO VIVO e EM TEMPO REAL. Neste domingo, tem ainda a segunda tela da corrida em parceria com a Voz do Esporte a partir das 16h10.

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