F1

Ex-presidente da Renault e Nissan, executivo brasileiro Carlos Ghosn é preso no Japão por fraude financeira

Nascido em Porto Velho, Carlos Ghosn foi um dos responsáveis pelo retorno da Renault à F1 como equipe de fábrica. O executivo, que tirou a Nissan da falência, é acusado pela justiça japonesa de ter feito uso pessoal do dinheiro da montadora
Warm Up / Redação GP, de Sumaré
 Ghosn
Um grande escândalo na indústria automobilística foi deflagrado pela justiça japonesa nesta segunda-feira (19). Carlos Ghosn, executivo brasileiro de destaque no cenário internacional por ter presidido a Nissan e a Renault nos últimos anos, foi preso na esteira de uma investigação do Ministério Público do Japão sob acusação de fraude financeira. Ghosn, de 64 anos, foi denunciado por ter feito uso pessoal de dinheiro da montadora japonesa. As informações são da agência de notícias ‘Reuters’.
 
A própria Nissan, por meio de comunicado emitido à imprensa, anunciou que vai demitir Ghosn por conta da fraude financeira descoberta, que recaem sobre o executivo brasileiro e também sobre o diretor-representante Greg Kelly. 
 
“A investigação mostrou que ao longo de muitos anos, Ghosn e Kelly relataram valores de compensação no relatório de valores mobiliários da Tokyo Stock Exchange, que eram menores do que a quantia real, a fim de reduzir a quantia divulgada da compensação de Carlos Ghosn”, diz a montadora.
Carlos Ghosn foi preso no Japão acusado de fraude financeira contra a Nissan (Foto: Divulgação)
“Além disso, se tratando de Ghosn, numerosos outros atos de conduta errônea foram descobertos, como uso pessoal dos ativos da companhia. A Nissan está fornecendo aos promotores públicos do Japão e está cooperando com as investigações”, informa o comunicado.
 
Nascido em Porto Velho, Ghosn, de descendência libanesa e dono de cidadania francesa, iniciou sua carreira como executivo na Michelin, sendo contratado pela Renault. O brasileiro passou a fazer parte da Nissan em 1999, depois que a montadora japonesa foi salva pela Renault após esta ter se tornado acionista majoritária. Carlos assumiu como CEO em 2001 na Nissan e permaneceu nesta função até o ano passado. Neste tempo, também foi executivo-chefe da Renault.
 
Durante tal período, Ghosn é considerado pelos japoneses como um dos principais responsáveis por ter salvado a Nissan da falência. Carlos também atuou como responsável por levar a Renault novamente ao grid da F1 como equipe de fábrica após a montadora adquirir a estrutura da Lotus em Enstone, na Inglaterra, no fim de 2015.
 
De acordo com o jornal local ‘Asahi’, os promotores começaram a revistar os escritórios da sede da Nissan nesta noite de segunda-feira no Japão. Contudo, o Ministério Público de Tóquio evitou comentários sobre o caso no momento.
 
Segundo a Nissan, Hiroto Saikawa vai propor ao conselho da montadora a demissão de Ghosn e Kelly dos seus respectivos cargos. O fato é que, no momento, as ações da Renault na Bolsa de Valores de Paris despencaram 12%, enquanto os papéis da Nissan em Frankfurt caíram também 12%.
 
Às vésperas de finalizar a temporada 2018 do Mundial de F1, a Renault se prepara para o ano que vem, quando pretende dar um grande salto de qualidade com a contratação de Daniel Ricciardo. Por conta do maior envolvimento com a F1, a fábrica francesa optou por deixar as operações na FE, que ficam a cargo da Nissan a partir do quinto ciclo da categoria dos carros elétricos, que começa em 15 de dezembro na Arábia Saudita.