F1

“Fantástico, intenso e com muitas horas”: De Ferran descreve meses iniciais de trabalho pela McLaren

Gil de Ferran assumiu como diretor esportivo da McLaren em julho deste ano. Com a missão de ajudar Zak Brown a reerguer a icônica equipe britânica, o brasileiro assume o desafio com grande responsabilidade e três pontos-chave em mente: comunicação, clareza e confiança
Warm Up, de São Paulo / FERNANDO SILVA, de Interlagos / FELIPE NORONHA, de Interlagos
 Gil de Ferran (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)

2018 representou o início de um novo desafio na laureada carreira de Gil de Ferran. Vencedor das 500 Milhas de Indianápolis, bicampeão da Champ Car e consagrado como um dos maiores pilotos brasileiros de todos os tempos, o brasileiro nascido em Paris e criado no Alto da Lapa — bairro de São Paulo —, de 51 anos completados no último domingo (11), foi nomeado por Zak Brown como novo diretor esportivo da McLaren. É a sua segunda passagem pela F1 depois de ter exercido a função na BAR/Honda entre 2005 e 2007.
 
Os primeiros meses consistiram em se ambientar à equipe em Woking e viagens, muitas viagens para acompanhar a McLaren nesta segunda metade do Mundial de F1. A missão de Gil é contribuir para que a escuderia famosa por suas vitórias e títulos num passado cada vez mais distante volte a encontrar o caminho que fez dela o segundo maior time do esporte. 
 
Questionado pelo GRANDE PRÊMIO sobre o início do seu trabalho com a McLaren, Gil de Ferran fez uma avaliação bastante positiva. “Olha, cara, tem sido um trabalho fantástico, extremamente intenso e com muitas horas. Mas tem sido um trabalho fantástico, divertido”, analisou o diretor esportivo, com a habitual fala mansa e o olhar confiante.
Gil de Ferran ressaltou os desafios como diretor esportivo da McLaren (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)
“Eu estabeleci um relacionamento muito bom não só com toda a diretoria da McLaren, mas com os engenheiros, os mecânicos. Então, na verdade, estou gostando muito de todo esse trabalho. Acho que todos entendem bem o como a equipe precisa melhorar; as pessoas me parecem bem unidas e motivadas e, sei lá, isso cria um ambiente muito bom de trabalhar”, opinou.
 
De Ferran traçou um paralelo com a sua primeira participação na F1 para definir que sua função assumida na McLaren é muito mais ampla. E, também, requer uma responsabilidade muito maior. 
 
“Pelo menos do meu ponto de vista, parece muito diferente, sinto isso muito diferente. Primeiro lugar, embora a função tenha o mesmo nome, ‘sporting director’, a função em si é bastante diferente. Na Honda, eu estava lá e era responsável por tudo o que era sobre a pista, enquanto aqui tenho uma função bastante diferente: sento ao lado do Zak e do Simon [Roberts, diretor de operações] e vejo tudo, todas as operações da pista, design, manufatura, o que acontece aqui na pista... Essa minha função hoje é muito mais ampla do que era. Essa é a primeira diferença”, explicou.
 
“E a segunda diferença é interna: hoje tenho 50 anos de idade [nota da edição: a entrevista foi antes do seu aniversário], já passei por muito mais coisas, me sinto mais experiente, mais preparado... E o feeling da equipe é bastante diferente. São duas equipes bastante diferentes. Tenho mais responsabilidade nessa função que estou exercendo hoje. Estou mais maduro e mais experiente. A vontade continua igual, o fogo continua igual. Mas eu me sinto mais preparado”, destacou Gil.
 
Com a experiência de quem já teve equipe na Indy e também na American Le Mans Series, De Ferran tem em mente as chaves para ajudar a organizar a McLaren internamente e implantar uma filosofia de trabalho baseada na união entre todas as partes da equipe britânica.
 
“É como acontece dentro da sua casa, dentro da minha casa... Questão de comunicação, de clareza e, principalmente, confiança. Esses são os três fatores principais. Quando existe clareza dentro da organização, quando existe comunicação, quando existe confiança entre as pessoas, as coisas começam a andar”, concluiu o diretor esportivo da McLaren.