Fase abençoada de Verstappen permite sonho de virada da Red Bull contra Ferrari

A Red Bull ainda não está em segundo no Mundial de Construtores, mas já dá a impressão clara de ter deixado a Ferrari para trás. É um pouco benção do incrível Max Verstappen, que de certa forma balanceia o questionável Pierre Gasly

A F1 pós-2016, quando os carros passaram a ser criados de acordo com um regulamento aerodinâmico mais agressivo, ganhou uma ordem clara no pelotão dianteiro. Há três equipes de ponta, sendo que a Mercedes é quem ganha títulos, a Ferrari é quem vence uma vez que outra e a Red Bull é quem fica com as migalhas. Os resultados do Mundial de Construtores nos últimos dois anos falam por si. Só que o jogo parece ganhar nova cara agora: muito por conta do momento incrível de Verstappen, que parece imune a erros, a briga entre Ferrari e Red Bull passou a ter a possibilidade de virada no horizonte.
 
Isso porque o Mundial, o mesmo que ainda aponta a Ferrari em segundo e a Red Bull em terceiro, também aponta outra tendência. A diferença entre as duas equipes é de 44 pontos, sendo que poderia ser ainda menor se a Red Bull confirmasse a vitória de Verstappen na Hungria. O castelo da equipe italiana ainda se sustenta, mas já sem a solidez de outrora. Tanto que apostar na manutenção da classificação na ordem atual já tem jeito de aposta arriscada.
A Red Bull entrou nos trilhos na fase europeia da temporada (Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)

Para começo de conversa, parece claro que a Red Bull já tem um carro melhor que o da Ferrari na maioria das pistas. O começo lento, ainda de adaptação ao motor Honda, foi seguida de uma fase europeia muito forte. O GP da Áustria foi marcante não só por conta da vitória heroica de Verstappen, mas por ser o primeiro de uma sequência de provas em que a equipe taurina teve vantagem clara sobre a italiana. A situação se repetiu na Inglaterra, na Alemanha e na Hungria. São pistas muito diferentes uma da outra, o que deixa claro que existe vantagem de um carro sobre o outro. Já tinha se visto isso antes, mas parecia muito mais um relampejo de Max do que necessariamente a derrocada de Sebastian Vettel e cia.

 
Se a Red Bull já tem um carro cada vez mais consolidado como segundo melhor do grid, então o que a equipe ainda faz em terceiro na classificação? O motivo tem nome, sobrenome, RG e CPF. É Pierre Gasly, hoje dono de aproximadamente um terço dos pontos do companheiro Verstappen – 63 contra 188. Tivesse o francês metade – o que ainda seria um cenário tenebroso em termos de disputa interna –, o total de 94 já seria um impulso importantíssimo. No Mundial, a diferença para a Ferrari cairia para 13. Considerando que são 43 pontos em jogo para os construtores a cada GP, é quase um empate técnico.
Pierre Gasly é o fardo que dificulta (ou impede) a virada (Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)

Só que, como se nota pelo título da análise, não dá para cravar que a virada vem aí. Os próximos dois GPs, os da Bélgica e da Itália, com longas retas. Isso joga a favor do potente motor Ferrari, talvez o melhor da F1 atual. A vitória é muito possível, isso enquanto a Red Bull tende a sofrer com a ainda deficitária unidade da Honda. É possível abrir uma margem confortável, isso enquanto os italianos tentam fazer o carro melhorar.

 
A briga, de qualquer jeito, está aberta. A Red Bull tem chances reais de fechar o ano ainda como segunda força da F1. Independente de o que farão Verstappen e Gasly daqui em diante, é inegável que houve um salto em ano que prometia ser de dificuldades pela Honda. Resta correr atrás nas nove provas restantes. No fim das contas, a F1 2019 é um mundo em que Verstappen consegue transformar sonhos em realidade.

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