Ferrari anuncia reestruturação e apela até para projetista da ‘Era Schumacher’

Em crise na temporada 2020 da Fórmula 1, a Ferrari anunciou a criação de um departamento chamado 'Desenvolvimento de Performance', com discurso de "voltar a ser protagonista". No novo time, destaque para Rory Byrne, que foi projetista nos anos de domínio de Michael Schumacher

A Ferrari mexeu na organização interna para a continuidade da temporada 2020 da Fórmula 1. Nesta quarta-feira (22), a equipe anunciou a criação de um novo departamento chamado ‘Desenvolvimento de Performance. O escolhido para chefiar a nova área foi Enrico Cardile, que era o chefe da aerodinâmica do time. Ao lado de Enrico, se destaca o nome de Rory Byrne, projetista da equipe nos anos vencedores de Michael Schumacher, que agora ocupa papel de consultor técnico.

A confirmação do novo departamento acompanha a fala de Mattia Binotto após mais uma performance decepcionante da Ferrari, com apenas o sexto lugar de Sebastian Vettel na Hungria. Na oportunidade, o chefe da equipe pediu paciência para deixar a crise e afirmou que mudanças organizacionais estavam no horizonte do time de Maranello.

Apesar da realocação de Cardile e da criação de uma nova área na organização da Ferrari na F1, as mudanças param por aí. Enrico Gualtieri continua sendo o responsável pelo desenvolvimento do motor, Laurent Mekies segue como diretor de esportes e Simone Resta comanda o trabalho nos chassis.

Mattia Binotto
Mattia Binotto e a Ferrari mexeram nas estruturas (Foto: Ferrari)

“Como havíamos antecipado nos últimos dias, queríamos intervir na estrutura organizacional da área técnica com o objetivo de tornar o processo de projetar e desenvolver a performance do carro de maneira mais rápida e eficiente. Era preciso orientar, identificando responsabilidades e processos com mais clareza e, ao mesmo tempo, reafirmar a confiança da companhia neste grupo técnico. A área confiada a Enrico Cardile, que vai fazer uso da contribuição da experiência de Rory Byrne e vai continuar a contar com um técnico preparado como David Sánchez, vai ser a pedra angular do desenvolvimento da performance do carro. Estamos convencidos de que o valor dos funcionários da Ferrari é do mais alto nível e não deixa nada a desejar aos nossos principais concorrentes, mas tivemos de intervir para dar um forte sinal de descontinuidade, elevando o nível de responsabilidade dos líderes de cada área”, disse Binotto.

A Ferrari ocupa a quinta colocação no Mundial de Construtores e não tem demonstrado um ritmo animador nas corridas e nas classificações. Até aqui, soma dois abandonos em um acidente interno na Estíria causado por Charles Leclerc, um 11º lugar do monegasco na Hungria, um sexto posto de Vettel em Budapeste, além de um décimo de Seb e um quase inacreditável segundo lugar de Leclerc na Áustria.

“Já dissemos isso várias vezes, mas vale a pena repetir: começamos a lançar as bases de um processo que deve nos levar a construir um novo ciclo de vitórias, com duração ao longo do tempo. É um caminho longo, que pode sofrer contratempos com o que estamos enfrentando atualmente em termos de resultados e desempenho, mas que deve nos fazer reagir com força e determinação para retornar o mais rápido possível ao posto de protagonistas absolutos desse esporte. É isso que todos queremos e o que os nossos fãs em todo o mundo esperam”, completou.

Enrico Cardile assume o novo departamento da Ferrari (Foto: Ferrari)

Quem é Enrico Cardile

O escolhido para chefiar o novo departamento de desenvolvimento de performance da Ferrari nasceu em Arezzo em 5 de abril de 1975. Formado em Engenharia Aeronáutica pela Universidade de Pisa em 2002, desenvolveu uma tese sobre o túnel de vento da Ferrari. No ano seguinte, trabalhou na universidade em colaboração com a Ferrari em projeto de inovação aerodinâmica.

Segundo informa a própria Ferrari, Cardile chegou de vez à Ferrari em 2005 e trabalhou no projeto de versões de competição de carros GT: 458 Italia GT2 e GT3 e o 488 GTE e GT3, carros que venceram competições como as 24 Horas de Daytona e 24 Horas de Le Mans, além de conquistarem títulos do Mundial de Endurance.

Em 2016, passou a fazer parte da chamada Gestão Esportiva da Ferrari como chefe de desenvolvimento aerodinâmico e, no ano seguinte, foi promovido a gerente de projetos de veículos. Em 2019, quando Mattia Binotto virou chefe da equipe de Fórmula 1, Cardile subiu para a função de chefe de aerodinâmica.

A Ferrari diz também que “no pouco tempo livre que tem no seu trabalho com a Ferrari, Enrico gosta de um bom vinho, viajar, dirigir carros esportivos e motos”.

Rory Byrne (Foto: Reprodução)

Quem é Rory Byrne

Veterano de 76 anos, o sul-africano Byrne é um dos projetistas mais vitoriosos da história da Fórmula 1. Sua trajetória na categoria teve início na Toleman, em 1981, onde chegou a trabalhar com Ayrton Senna. O trabalho seguiu na Benetton, com as primeiras vitórias conquistadas e, claro, os primeiros títulos.

Com a saída de Schumacher para a Ferrari, e a Benetton perdendo muita força, o projetista estava prestes a se aposentar, mas o alemão e também Ross Brawn fizeram o sul-africano ter espaço na escuderia de Maranello.

Entre 1996 e 2006, Byrne foi responsável direto por uma das eras de maior domínio da história da F1, projetando os carros dos títulos de Schumacher. Com a aposentadoria do alemão, Rory mudou de área e virou um consultor da equipe, chegando a atuar como uma espécie de mentor de Resta no design dos carros.

Ao todo, os carros projetados por Byrne venceram 99 corridas e conquistaram sete títulos do Mundial de Pilotos e outros sete do Mundial de Construtores. Em números gerais, é apenas menos que Adrian Newey e Colin Chapman.

Após mais de uma década atuando como consultor de forma mais geral, Byrne agora volta a desenvolver um papel importante no novo departamento da Ferrari e já de olho também no desenvolvimento do projeto de 2022.

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