Ferrari apela de punição branda à Racing Point e se junta a Renault e McLaren

A punição aplicada pela FIA à Racing Point não agradou parte do grid da Fórmula 1. A Ferrari questionou a decisão da entidade máxima do esporte, assim como McLaren e Renault, pela ilegalidade cometida pelo time adversário ao copiar o design do duto de freio da Mercedes

A punição dada pela FIA à Racing Point por ter violado o regulamento ao usar dutos de freio traseiros da Mercedes do ano passado em seu atual carro deu início a uma nova batalha entre equipes da Fórmula 1. Três equipes entraram já nesta sexta-feira (7) com uma apelação para que a punição seja revista e ampliada: Renault, McLaren e Ferrari.

A Federação Internacional de Automobilismo aceitou as alegações da Renault ao protestar contra a legalidade dos dutos de freios da Racing Point no RP20, carro de 2020 apelidado de ‘Mercedes rosa’ por ser praticamente uma cópia do Mercedes W10, modelo usado pela equipe hexacampeã do mundo no ano passado.

Para a entidade, o atual design do duto de freio dianteiro da Racing Point foi uma evolução do que a equipe usou do ano passado, mas entendeu que o conceito dos dutos dos freios traseiros do RP20 foi baseado no que a Mercedes produziu.

A equipe foi considerada culpada por ilegalidades no processo de design dos dutos de freios e foi punida com uma multa de € 400 mil (cerca de R$ 2,5 milhões) e a perda de 15 pontos no Mundial de Construtores. As punições dizem respeito a três finais de semana. A primeira vez que a Renault protestou contra a Racing Point foi pouco depois do GP da Estíria. As sanções aplicadas pela FIA à equipe de propriedade do consórcio liderada por Lawrence Stroll se referem à prova disputada no Red Bull Ring.

McLaren, Ferrari e Racing Point andaram próximas em Silverstone (Foto: McLaren)

Mas para as três equipes rivais, a FIA foi muito branda. Dentro das 24 horas de prazo para apelação, a Ferrari foi a primeira a confirmar publicamente sua contestação; na sequência, McLaren e Renault o fizeram. Agora, as equipes têm 96 horas para formalizar a apelação e apresentar evidências para que o caso seja analisado à Corte de Apelações da entidade máxima do automobilismo.

A Racing Point, no entanto, não está sozinha e ganhou um escudo respeitável: Toto Wolff, chefe da Mercedes, saiu em defesa da equipe e chegou até a falar em inveja das demais. “Eles não violaram nenhuma regra técnica porque em 2019 estas partes [os dutos de freio] não estavam listadas e passaram a ser no ano seguinte. Não havia nenhuma regra concreta ou uma diretiva técnica dizendo que não era permitido usar partes de 2019 que já se tem”, alegou o dirigente.

Wolff foi além e comparou o caso com o da Haas de 2015. “Ela tinha o carro inteiro da Ferrari que não tinha uma única parte desenhada por ela mesma. Usaram uma brecha e foram bem competitivos. Nós engolimos isso, mas veio um esclarecimento depois”, lembrou, já salientando que a Mercedes não tem nada a ver com a história. “Nós não forneceríamos algo que não esteja listado.”

O apoio de Wolff acaba sendo importante neste momento porque, em paralelo, a Mercedes foi clara ao dizer que não vai assinar o Pacto da Concórdia — acordo entre F1, FIA e as equipes — nas atuais condições. “Nós deixamos claro que estamos felizes com uma divisão mais igualitária do dinheiro de premiação. A maneira com que o sucesso é valorizado, também concordamos. Somos as grandes vítimas, digamos, dessa nova divisão. Já a Ferrari manteve sua posição vantajosa. Com a Red Bull, tudo se equilibra com a AlphaTauri. Então é isso que nos machuca mais”, comentou Toto.

Sem assinar o pacto, não tem Mercedes na Fórmula 1. A FIA, que não resolveu a situação em sua origem por ser incapaz de fiscalizar apropriadamente as peças de todos os carros, tem uma bomba nas mãos.

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