F1
11/09/2018 06:05

Ferrari cumpre primeiro ato e anuncia saída de Räikkönen, que volta à Sauber em contrato de dois anos

Como já era esperado desde o fim de semana do GP da Itália, a Ferrari anunciou a saída de Kimi Räikkönen. Mas o 'Homem de Gelo' não vai deixar a F1. O finlandês, aos 38 anos, assinou com a Sauber e volta para onde tudo começou, com um contrato de duas temporadas
Warm Up / FERNANDO SILVA, de Sumaré / NATHÁLIA DE VIVO, de São Paulo / GABRIEL CURTY, de São Paulo
 Kimi Räikkönen celebra pole em Monza (Foto: Reprodução/Twitter)
Acabou o mistério. Kimi Räikkönen vai mesmo deixar a Ferrari ao fim da temporada 2018 do Mundial de F1. O anúncio oficial feito pela equipe italiana aconteceu na manhã desta terça-feira (11). Mas o 'Homem de Gelo', o piloto mais velho do atual grid da categoria, não vai se aposentar. Kimi volta para onde tudo começou e assinou com a Sauber para ocupar o lugar de Charles Leclerc, este de partida para realizar o sonho de ser titular na Ferrari. O finlandês, hoje com 38 anos, fechou um acordo válido por duas temporadas e retorna para onde começou sua carreira na F1, em 2001.

No comunicado vindo de Maranello, a Ferrari rendeu palavras de gratidão ao seu último campeão mundial, em 2007. “Durante esses anos, a contribuição de Kimi para a equipe, tanto como piloto tanto por suas qualidades humanas, foi fundamental. Ele desempenhou um papel decisivo no crescimento da equipe e foi, ao mesmo tempo, sempre um grande homem de equipe. Como campeão mundial pela Scuderia Ferrari, ele sempre vai fazer parte da história e da família da equipe. Agradecemos a Kimi por tudo isso e desejamos a ele e sua família um futuro próspero”.

Em seguida, Kimi, também por meio da sua conta oficial no Instagram, oficializou seu regresso à equipe de Hinwil. “Adivinha quem está de volta? Pelos próximos dois anos com a Sauber. É extremamente bom voltar para onde tudo começou”.
Kimi Räikkönen se despede da Ferrari ao fim da temporada 2018 da F1 (Foto: AFP)
A Sauber, que em 2018 vive um momento de grande crescimento em relação aos últimos anos, comemorou a chegada do vitorioso finlandês. “Assinar com Kimi Räikkönen como nosso piloto representa um pilar importante do nosso projeto e nos aproxima do nosso objetivo de fazer progressos significativos no futuro próximo”, afirmou o chefe Frédéric Vasseur.
 
“O talento inquestionável e a imensa experiência de Kimi na F1 não apenas vão ajudar para o desenvolvimento do nosso carro, mas também vai acelerar o crescimento e o desenvolvimento da nossa equipe como um todo. Juntos, vamos começar a temporada de 2019 com uma base forte, impulsionada pela determinação de lutar por resultados que contam”, complementou.
 
Räikkönen tem uma carreira da qual deve se orgulhar. Chegando ao certame em 2001 pela Sauber, passou também com muito brilho pela McLaren, onde talvez tenha atingido seu auge técnico. Esteve na Lotus, uma equipe de porte médio, entre 2012 e 2013, após interromper sua carreira e também teve ótimo desempenho, obtendo pela escuderia aurinegra sua última vitória até então, no GP da Austrália de 2013.

Pela Ferrari, foram duas passagens: a primeira, entre 2007 e 2009, e a segunda, entre 2014 até o fim desta temporada. Ao longo da sua carreira, o nórdico conquistou 20 vitórias, além de 100 pódios e 18 pole-positions, a última delas conquistada diante dos fanáticos tifosi no fim de semana do GP da Itália, no começo do mês. Ainda, foi campeão em 2007 com a Ferrari — uma conquista improvável diante de um ano dominado pela McLaren de Lewis Hamilton e Fernando Alonso, além de ter sido vice em 2003 e 2005, com a McLaren.
Kimi Räikkönen brilhou em Monza no último fim de semana (Foto: Ferrari)
Sua entrada na principal categoria do automobilismo mundial foi impressionante. Em 2001, aos 21 anos, logo chamou atenção por seu jeito irreverente e talento natural nas pistas. A contratação de Kimi causou polêmica à época por conta da sua inexperiência. Antes da F1, o piloto tinha apenas 23 corridas disputadas pela F-Renault. Mas foi uma aposta pra lá de certeira de Peter Sauber e que se confirmou naquele ano com um bom desempenho. Por isso, a McLaren rapidamente se interessou pelo finlandês, firmando um contrato para substituir o bicampeão Mika Häkkinen já no ano seguinte. 

Sua passagem pela equipe de Woking também impressionou. Na temporada de estreia, somou 24 pontos — que poderiam ter sido mais, caso não fosse o grave problema de confiabilidade de seu carro. Os campeonatos seguintes foram também de encher os olhos, conquistando pódios, vitórias e o ano de 2005 sendo considerado um dos melhores de sua carreira.

Após bons anos de McLaren, Kimi assinou com a Ferrari em 2007. O 'Homem de Gelo' chegava com a duríssima missão de substituir ninguém menos que Michael Schumacher, que havia se aposentado um ano antes. A vitória na corrida inaugural, na Austrália, já era um aviso de que algo bom estava por vir. E veio o único título do finlandês em um ano que a McLaren viu uma guerra interna acontecer entre Fernando Alonso e Lewis Hamilton, que perderam o caneco mesmo com um carro melhor. Entretanto, com dois anos seguintes abaixo do esperado, o piloto teve sua primeira 'aposentadoria' da categoria.

No breve intervalo entre 2010 e 2011, disputou o Mundial de Rali, onde teve uma quinta colocação como melhor resultado e poucos sucessos. Voltou para a F1 em 2012 com a Lotus, onde ficou também em 2013 e brilhou, mesmo atuando por uma equipe longe de ter o poderio financeiro dos grandes times da F1. Foi com a equipe chefiada por Éric Boullier que Kimi mostrou que ainda tinha muita lenha para queimar.
Räikkönen volta para o lugar onde tudo começou na F1: a Sauber (Foto: Sauber)
Em 2014, voltou para a Ferrari, tendo Alonso como companheiro de equipe. A partir de 2015, passou a ter Sebastian Vettel ao seu lado nos boxes. Fazendo par com o alemão, Räikkönen teve poucos brilhos nas pistas, quase nunca batendo o colega e vivendo de alguns pódios e quase sem chances de vitória.

Nesta temporada, no entanto, vem se mostrado muito forte, ainda que não tenha vencido, e prova disso foi o espírito combativo durante o GP da Itália, que só não o teve no topo do pódio por conta de problemas com os pneus traseiros e também por conta da atuação soberba de Hamilton.

Mas para quem poderia sentir saudades do 'Homem de Gelo', sua presença na F1 vai ser um alento e tanto. E o acordo com a Sauber até o fim de 2020 responde às muitas perguntas dos críticos: a motivação de Kimi, de fato, sempre esteve com ele.