F1

Ferrari é clara favorita à vitória. Mercedes conta com Hamilton e tensão da dupla Vettel/Räikkönen na Itália

A Ferrari foi capaz de confirmar o favoritismo e garantiu uma importante primeira fila diante de sua torcida na Itália. Mas o fato de ter sido Kimi Räikkönen pole e, não Sebastian Vettel parece ter criado uma tensão extra nos boxes italianos, algo que a Mercedes pode aproveitar para tentar surpreender a rival. Como principal arma, a equipe prata ainda tem um consistente Lewis Hamilton saindo em terceiro
Warm Up / EVELYN GUIMARÃES, de Curitiba
 Sebastian Vettel, Kimi Räikkönen e Lewis Hamilton (Foto: Ferrari)
Não foi tão fácil quanto parecia. E pode-se dizer que a Ferrari até se surpreendeu com a maneira como Lewis Hamilton conseguiu se aproximar dos carros vermelhos na parte final da classificação, ainda que a equipe de Maranello tenha confirmado seu favoritismo ao assegurar a primeira fila do grid para a sua corrida caseira. É claro que faltou “algo especial” – leia-se a chuva –, como o inglês falou depois, mas a verdade é que a disputa da posição de honra gerou tensão extra nas garagens ferraristas, e não só pela performance do #44, mas também devido ao fato de que Sebastian Vettel não conseguiu liderar o pelotão. 
 
A esquadra chefiada por Maurizio Arrivabene desembarcou em Monza ainda festejando a vitória acachapante em Spa-Francorchamps. E seguiu exibindo uma ótima forma. Os dois carros são seguramente os mais velozes e se adaptam facilmente a qualquer condição, além de não apresentarem acentuado gasto de pneus - o que não se aplica à rival Mercedes. A Ferrari parece ter se aproximado muito da perfeição técnica com essa SF71H. Tanto é assim que seus pilotos lideraram as sessões mais importantes do fim de semana. Então, era de se esperar que Sebastian saísse da pole até com certa facilidade. Mas a história da classificação pode ter mudado também a história da corrida.
Sebastian Vettel e Kimi Räikkönen, tensão entre os ferraristas Foto: AFP)
É preciso deixar claro que os italianos são os favoritos. A questão é saber como o time vai lidar com os cenários criados depois deste sábado (1). Isso porque Kimi Räikkönen surpreendeu com a pole-position. O finlandês se apresentou veloz durante todo o fim de semana, mas não parecia capaz de arrebatar a principal posição do grid. Só que ele tinha uma carta interessante na manga e ousou em lançar mão dela. 
 
O campeão do mundo de 2007 saiu atrás do alemão e pode usar o colega como uma boa ajuda em sua derradeira volta rápida. Kimi passou 0s161 mais veloz, o suficiente para desembarcar não só Hamilton, como também o companheiro de equipe. Seb celebrava naquele momento, porque entendia que a pole era sua, mas aí seu engenheiro avisou no rádio que o nórdico havia roubado a colocação. E a resposta do #5 revelou uma estranha insatisfação e veio quase como uma intimação: "Nós vamos conversar sobre isso depois".
 
Vettel não estava nada contente quando deixou o carro e se recusou a falar sobre a misteriosa mensagem. "Claramente, eu não estava feliz, mas não vou dizer a razão. Nós temos uma ordem que muda a cada fim de semana e, neste fim de semana, era a vez de Kimi sair em segundo", completou.
 
"Não estou muito feliz com a minha última volta, mas Kimi veio um pouco rápido demais. Eu dei a melhor posição para ele. A minha última volta não foi muito boa. Agora nós vamos ver o que aconteceu", emendou o alemão.
 
A tensão ficou ainda mais clara quando Vettel foi questionado se ambos estão liberados para disputar a vitória. "Se Kimi tem permissão para vencer? Bom, ele está largando da pole, eu acho que ele tem permissão. É uma corrida longa. Obviamente, ele quer vencer, eu quero vencer. Espero apenas que um de nós possa ganhar amanhã."
Hamilton tenta se aproveitar de eventuais erros da Ferrari (Foto: AFP)
Então há a Mercedes. A esquadra prata segue ainda atrás da rival, como em Spa. Mas a distância agora se mostrou menor, muito em função do desempenho de Lewis Hamilton. O inglês, como Räikkönen, também usou bem seu companheiro de equipe para gerar ganho de performance na fase final da classificação. Ficou a menos de 0s2 do pole e a só 0s014 atrás de Vettel, o que revela muito do quanto Hamilton andou em Monza. O britânico é uma ameaça real, especialmente se algo fora do roteiro surgir amanhã. Em condições normais, o ritmo vai ditar a corrida – que tende a repetir o tedioso GP da Bélgica -, mas a tensão nas garagens ferraristas e o momento quase iluminado do líder do campeonato podem alterar a ordem dos fatores. 

Para dar um tempero especial, a revista alemã 'Auto Motor und Sport' publicou no fim do dia uma reportagem em que diz que Charles Leclerc seria anunciado como companheiro de Vettel para 2019, mas que a pole de Räikkönen atrapalhou os planos. Não é costume da esquadra italiana fazer anúncios depois de uma classificação, mas não é de se descartar que a informação em si esteja correta. A reação da Ferrari à pole de Kimi foi surpreendentemente efusiva. Maurizio Arrivabene saiu de sua posição nos boxes para dar um apertado abraço em Minttu Räikkönen, a esposa que não escondia as lágrimas. Não é de se descartar, diante de tais fatos, que Räikkönen pode, como Michael Schumacher fez em 2006, anunciar a aposentadoria tão logo a corrida acabe. E que queira brigar de fato pela vitória sem se preocupar com o companheiro que luta pelo título.