Ferrari e Red Bull travam confronto de acertos e gestão de pneus no GP da França de F1

A Ferrari explorou bem a performance em volta única e ainda promoveu um inteligente jogo de vácuo para assegurar a pole-position de Charles Leclerc. É um primeiro passo para tentar vencer o GP da França. Mas a rival Red Bull tem no ritmo de corrida uma arma poderosa para contra-atacar os italianos

Uma vez mais na Fórmula 1 2022, Ferrari e Red Bull travam uma disputa de detalhes, diante dos caminhos que cada uma tomou no que diz respeito ao acerto do carro. E Paul Ricard, palco do GP da França deste domingo, é um cenário que ajuda a traduzir bem essas opções das duas ponteiras que correm em uma liga própria – ao menos até aqui. O caso é que o circuito francês trabalha bem com quem tem mais downforce, mas também ajuda aqueles que buscam velocidade final. Por enquanto, os italianos levaram o primeiro round com a posição de honra conquistada por Charles Leclerc neste sábado (23).

Desde sexta-feira, a Ferrari tem apresentado um ritmo forte em uma única volta. A F1-75, equipada com novo assoalho e um motor significativamente melhor no carro de Carlos Sainz, voou pelos 5.842 m da pista de Le Castellet, exibindo um equilíbrio impressionante no primeiro e, principalmente, no terceiro setores. Além disso, a construção da sétima pole de Leclerc veio de forma inteligente, uma vez que a Red Bull preencheu algumas lacunas entre os treinos de ontem e a classificação de hoje.

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O fato é que os engenheiros de Maranello usaram bem Sainz para assegurar o posto principal ao monegasco. Na fase decisiva da definição do grid, o espanhol serviu a equipe e promoveu o vácuo ao colega, mas o que chamou a atenção foi a tática usada: ali na segunda parte da Mistral em que o DRS não é permitido. Essa foi uma vantagem gloriosa, porque a diferença de velocidade foi crucial: Charles foi capaz de colocar 0s3 em cima de Max. Por isso, Leclerc agradeceu o auxílio dado pelo companheiro. “Foi uma ótima volta. Eu sofri ao longo do final de semana para alcançar uma boa volta e no fim consegui”, celebrou.

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“Tenho de dizer que tive uma ótima ajuda de Carlos [Sainz], foi um grande trabalho de equipe, sem ele estaríamos muito mais próximos [das Red Bull], então um grande obrigado a Carlos e espero que ele possa estar na briga com a gente amanhã”, completou.

O vice-líder do campeonato tem total razão. Verstappen comandou o TL3 e se colocou como uma ameaça real durante a disputa das posições de largada. Só que a jogada ferrarista deu certo e colocou Leclerc em uma colocação forte para o início da corrida. Porém, nada está garantido. Afinal, o monegasco está cercado pelos dois carros taurinos e terá trabalho para se defender logo de cara. Max e Sergio Pérez largam da segunda e da terceira posições, respectivamente. De novo, a Ferrari parece desfrutar de um sabor agridoce em suas conquistas.

Há ainda outro ponto que pode acabar como fiel da balança: a escolha feita pelos italianos, que optaram por uma configuração de maior carga aerodinâmica, contra um acerto contrário da Red Bull, que segue investindo na velocidade de reta. “Talvez tivéssemos ficado 0s1 ou algo assim mais próximos [sem o vácuo de Sainz], mas o ritmo de volta lançada da Ferrari era melhor que o nosso hoje. Só que temos conceitos diferentes nesta pista: a Ferrari está usando mais downforce, enquanto nós estamos mais talhados para a corrida. Amanhã é que vale: temos dois contra um, o que é uma dinâmica interessante”, explicou Christian Horner, o chefão da Red Bull.

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Charles Leclerc alcançou a sétima pole do ano e a 16ª da carreira na F1 (Foto: Ferrari)

E Verstappen confirmou a visão do dirigente: “Somos mais rápidos nas retas, então, espero que possamos nos valer disso para amanhã. Estará quente e eles [Ferrari] foram muito rápidos.”

A percepção, inclusive, é a mesma da própria Ferrari. “Vai ser difícil [bater a velocidade em reta da Red Bull], mas sabemos que o fim de semana não termina no sábado. No geral, sabemos que somos rápidos no sábado, mas [a pole-position] tem um sabor a mais porque não estávamos rápidos pela manhã”, reconheceu Laurent Mekies, diretor-esportivo da Ferrari, que tem uma carta da manga.

“Tem sido uma tendência termos um pouco mais de downforce, que gera mais arrasto em comparação a eles [Red Bull]. Cada concorrente olha para as características de seu carro e o coloca na melhor janela de desempenho, e essa foi a nossa”, acrescentou.

Existe, claro, uma boa razão para a opção ferrarista e que, provavelmente, será a principal arma dos vermelhos contra os energéticos neste domingo: os pneus. O calor e a natureza do traçado de Paul Ricard vão exigir muito dos compostos da Pirelli. O desgaste será decisivo em uma pista que demanda mais dos pneus dianteiros. A escolha da Ferrari tem a ver também com isso.

“A compensação [desse acerto] é que você tem uma melhora do desgaste dos pneus com mais downforce, mas vamos ficar mais expostos”, admitiu Mekies.

Essa também é crença da Red Bull, mas com uma ressalva. Os austríacos apostam em uma maior vulnerabilidade dos adversários. “O fator decisivo será fazer com que os pneus dianteiros sobrevivam. Fizemos um bom trabalho ontem à noite no simulador e, se estivermos perto de Charles, as ultrapassagens serão possíveis”, afirmou Horner.

Portanto, o GP da França se desenha em um duelo de acertos entre Ferrari e Red Bull diante de uma batalha estratégica. A Pirelli acha que é possível percorrer as 53 voltas com apenas uma parada, mas isso vai depender da temperatura ambiente e, principalmente, do gerenciamento dos pneus. Até aqui, neste quesito, a balança segue equilibrada entre as líderes da F1 2022. Resta saber quem fez a aposta certa.

GRANDE PRÊMIO acompanha AO VIVO e EM TEMPO REAL todas as atividades do fim de semana do GP da França. No domingo, a largada está marcada para as 10h (de Brasília, GMT-3).

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