Ferrari em xeque, Red Bull em ascensão e ‘nova’ Mercedes: GP da Espanha redesenha F1

Com um regulamento novo e desafiador, as equipes retornam ao palco onde a temporada 2022 começou e apostam nas atualizações para alcançar as respostas que ainda faltam

Barcelona, Espanha, 23 de fevereiro de 2022. Nesta data, as dez equipes do atual grid da Fórmula 1 iam à pista pela primeira vez com suas respectivas leituras de um regulamento totalmente novo, que trazia mudanças significativas na aerodinâmica. Os carros apresentavam linhas mais arredondadas nas asas, proteção nas rodas, sidepods redesenhados, um conceito pensado para diminuir a turbulência do ar, grudar o carro no chão e resgatar o efeito-solo. Os pneus também seriam maiores, de 13 para 18 polegadas, numa tentativa de evitar o superaquecimento da borracha e aumentar as disputas de pista.

Passados quase três meses desde o primeiro contato dos pilotos com os novos carros, a F1 retorna ao palco onde tudo começou num cenário que caminha para ser decidido nos detalhes técnicos. E novidades não vão faltar nos carros. A partir desta sexta-feira, com os primeiros treinos livres do fim de semana para o GP da Espanha, as respostas começarão a ser dadas, e há equipes que precisam delas mais do que outras.

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A Ferrari chega à Espanha na liderança, mas pressionada pela Red Bull (Foto: AFP)

Ferrari em xeque, Mercedes querendo se encontrar e McLaren em busca de ser “a melhor do resto”

Com exceção da Haas, todo o grid confirmou que vai para Barcelona com alguma mudança no carro — seja para melhorar a aerodinâmica, seja para diminuir o peso. Três equipes em especial chegam ao circuito da Catalunha precisando muito acertar nas atualizações, e a Ferrari é a principal delas.

Depois de sofrer dois reveses da Red Bull, em Ímola e em Miami, os italianos ainda tentam ditar o controle, com Charles Leclerc garantindo que o ritmo da F1-75 não preocupa e que está confiante no pacote de atualizações prometido para a corrida espanhola. Na pista, porém, a situação é muito clara: a Ferrari tem de apresentar alguma coisa para frear a arrancada dos austríacos.

Com as vitórias nos dois GPs anteriores, Max Verstappen conseguiu diminuir a vantagem para Leclerc, que chegou a ser de 46 pontos antes do GP da Emília-Romanha, para 19. Para se ter uma ideia do que isso significa, se o monegasco abandonar na Espanha e o holandês chegar em segundo e fizer a volta mais rápida, ele assume a liderança por ter a vantagem no número de vitórias. A Ferrari sabe, portanto, que é vencer ou vencer para manter a Red Bull a uma distância segura.

“Claro que eles estão melhorando. Acho que todos esperávamos por isso. Eles são um time muito forte, e estamos cientes disso, então não é uma surpresa. Também confio na minha equipe e tenho certeza de que traremos atualizações que nos levarão de volta ao topo”, disse Leclerc.

O revolucionário ‘zero-pod’ da Mercedes pode ficar pelo meio do caminho (Foto: Mercedes)

A Mercedes também aguarda ansiosamente pela prova em Barcelona por uma razão muito simples: foi lá, em fevereiro, que ela decidiu mexer totalmente no design do seu carro. Já na rodada seguinte, no Bahrein, surpreendeu a todos com o conceito ‘zero-pod’, mas que ainda não surtiu o efeito esperado. Desacostumada a andar do quinto para baixo, já aceita que talvez seja preciso olhar para trás.

“Eu não descartaria nada, mas precisamos dar ao nosso pessoal o benefício da dúvida. Eles construíram grandes carros de corrida no passado e acreditamos que este é o caminho a seguir. Barcelona definitivamente será o lugar em que será possível correlacionar com o que vimos em fevereiro e coletar mais dados”, admitiu Toto Wolff.

A McLaren, por sua vez, vai a Barcelona com atualizações, mas ciente de que o teto de gastos tem limitado o seu desenvolvimento. Para driblar a questão, aposta na pesquisa para encontrar os caminhos certos e levar alterações eficientes no seu MCL36. “A pista se encaixa melhor com nosso pacote uma vez que testamos lá na pré-temporada. Claro que algum tempo passou, mas, como todo mundo, temos trabalhado em nosso carro e contamos com uma compreensão muito maior do que tínhamos nos testes de Barcelona ou até no Bahrein, quando nossos carros ainda eram bem jovens”, disse o chefe Andreas Seidl.

Na temporada até aqui, os ingleses vivem altos e baixos, dependendo muito dos resultados de Lando Norris, enquanto Daniel Ricciardo parece não conseguir corresponder ao que se espera dele. Mas o ritmo nas corridas também decepciona, tanto que eles reconhecem que a Alfa Romeo foi superior em Miami. O GP da Espanha surge, portanto, como uma espécie de ponto-chave para o time de Woking na briga pelo título de campeã da “F1 B”.

Max Verstappen fez a vantagem de Charles Leclerc cair de 46 para 19 pontos em duas corridas (Foto: Red Bull Content Pool)

Red Bull em ascensão, porém ainda em alerta

Ainda com questões sérias em termos de confiabilidade, a Red Bull tem feito valer a incrível velocidade do RB18 para pressionar de vez a Ferrari na briga pela ponta da tabela. E ela quer melhorar ainda mais o desempenho, confirmando que a meta para a Espanha e solucionar o excesso de peso.

“Temos alguns desenvolvimentos para o verão que também devem ajudar, e precisamos diminuir o peso, mas estamos em uma boa trajetória. Podemos melhorar em todos os lugares. Precisamos melhorar as partes lentas e perder peso”, afirmou o chefe dos taurinos.

Com um carro que consegue aproveitar a vantagem do efeito-solo e sem sofrer com o porpoising como a rival italiana, os taurinos sabem que têm a faca e o queijo na mão, como diz o ditado, para assumirem o posto de equipe a ser batida no campeonato. Mas isso só vai acontecer se parar de quebrar.

O equilíbrio nas vantagens (e nos problemas) no pelotão intermediário

No meio do grid, a disputa está bastante equilibrada e deve ser decidida nos detalhes. Alfa Romeo, Alpine, AlphaTauri, Haas, Aston Martin e Williams dividem os prós e contras, seja na performance de seus pilotos, seja na perda de rendimento em ritmo de corrida.

Valtteri Bottas lidera a Alfa Romeo para ser a melhor do resto (Foto: Alfa Romeo)

De todas, a que sai na frente é, sem dúvida, Alfa Romeo, que conseguiu bater de frente com a Mercedes em Miami. Ela é rápida, tem um carro que sofre bem pouco com o porpoising e também não bate-cabeça para reduzir o peso. Some-se isso à experiência de Valtteri Bottas e temos uma forte candidata para brigar com a McLaren para ser a melhor do resto.

“Podemos ficar razoavelmente confiantes [nas atualizações para a Espanha]. E há mais vindo, então está bom, por enquanto. [Nosso objetivo é] o mesmo das cinco primeiras corridas: estar lutando contra todos. Mostramos um desempenho decente em todas as pistas, e acho que estaremos no topo do pelotão intermediário novamente, com os dois carros”, disse o diretor de engenharia de pista, Xevi Pujolar.

Quem também precisa muito acertar a mão é a Alpine. Não que as atualizações apresentadas até aqui não tenham surtido efeito, pelo contrário, como Otmar Szafnauer disse. Mas a equipe também apresentou problemas de confiabilidade e ainda briga para diminuir o peso da A522 e, com isso, melhorar o rendimento na pista. “Alcançamos um pouco, mas ainda há mais por vir. Temos bons avanços em vista para essa área. Ainda estamos um pouco pesados na lateral”, disse o chefe dos franceses.

Por fim, as quatro últimas da tabela, AlphaTauri, Haas, Aston Martin e Williams. Todas dependem muito de acertos para saírem desse “Z4” da Fórmula 1 atual. No caso de Haas e Williams, a situação é um pouco pior, já que pilotos das duas equipes — Mick Schumacher e Nicholas Latifi — ainda não pontuaram no ano.

Em termos de performance, os americanos conseguem ligeira vantagem, mas empurrados exclusivamente por Kevin Magnussen. A verdade, contudo, é que a Haas ainda peca bastante no ritmo de corrida, então é de se estranhar que o time não use Barcelona para promover alguma mudança, uma vez que se trata de uma pista importante para testes.

No geral, todas possuem metas pessoais e estão apostando alto no GP de Barcelona — que costuma ser bem monótono, com poucas disputas de posições, mas a corrida em si pouco vai importar. Numa F1 cada vez mais técnica, a chance de voltar ao início de tudo pode ser decisiva até para o resultado final do campeonato. É como disse Pujolar: a partir de agora, a vantagem estará com quem levar as melhores atualizações.

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