Ferrari vê pandemia como “grande golpe” e revela prejuízo de R$ 300 milhões

CEO da Ferrari, Louis Camilleri entende que 2020 é um ano completamente atípico em razão da pandemia que ceifou milhares de vidas e paralisou a economia global. O executivo mostra cautela sobre o ano que vem, mas com viés otimista: “Deve ser melhor”

A pandemia do novo coronavírus mudou a realidade de todo o planeta neste devastador ano de 2020. A doença, que já infectou cerca de 18,5 milhões de pessoas e ceifou 700 mil vidas também afetou os rumos da economia, em cenário que provocou demissões e milhares de empresas fechadas mundo afora. No esporte a motor e na Fórmula 1, não é diferente. A incerteza sobre o calendário, o cancelamento de várias provas previstas para o ano e a realização das corridas com portões fechados diminuíram drasticamente a entrada de dinheiro nos cofres das equipes. E mesmo a Ferrari, equipe mais rica e de maior tradição na categoria, sofreu um prejuízo milionário.

Segundo números revelados por Louis Camilleri, CEO da Ferrari, em teleconferência com acionistas na última terça-feira, o prejuízo da equipe no segundo trimestre de 2020 foi de € 48 milhões (R$ 300 milhões na cotação atual. Os valores em patrocínios e receitas comerciais, de marca e merchandising, caiu de € 131 milhões (R$ 819 milhões) para € 83 milhões (R$ 518,96 milhões) em relação ao mesmo período do ano passado.

Entre os patrocinadores que deixaram a Ferrari está a chinesa Weichai, gigante chinesa do ramo de motores a diesel. A empresa deixou de estampar sua marca nos carros de Maranello neste ano.

Nem a Ferrari escapou dos prejuízos neste 2020 de pandemia global (Foto: Ferrari)

Em entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera, o executivo abordou os impactos econômicos da pandemia no esporte. “A Fórmula 1 neste ano vai ser, em termos de benefícios e perdas, o maior golpe que enfrentamos. Por conta da redução de receita que recebemos do proprietário dos direitos comerciais, a redução de patrocínios e de corridas, o golpe é de dezenas de milhões de euros”.

Camilleri mostra cautela sobre o ano que vem, mas com um viés mais otimista. “Vamos ver o que vai ser no ano que vem. Deve ser melhor porque tomara que no ano que vem possamos voltar a um programa completo e obtenhamos a verba necessária em termos de patrocínio e receita do proprietário dos direitos comerciais”.

“É um pouco difícil comparar 2020 e 2021, mas definitivamente 2020 vai ser um golpe grande, como havíamos antecipado no começo de maio”, frisou.

Em termos de competitividade de uma equipe que sofre nesta temporada, o CEO da Ferrari endossou as palavras recentemente proferidas pelo presidente da marca, John Elkann, prometeu muito trabalho, mas acredita que vai levar ainda um bom tempo para voltar às vitórias na Fórmula 1. Sobre Mattia Binotto, chefe da equipe, o discurso também segue e enfatiza a confiança no trabalho do dirigente ítalo-suíço.

“Não há como negar que estamos enfrentando uma temporada muito difícil, com um carro sem desempenho em vários níveis. Nossos adversários, em particular a Mercedes, são incrivelmente fortes e tiramos o chapéu para eles”, disse.

“Posso garantir que a equipe está trabalhando dia e noite para melhorar o carro e, de alguma forma, tratar do impacto nos custos. Embora tenhamos de reconhecer que muitos elementos foram congelados pelos regulamentos que foram adotados, levando em conta a incerteza econômica resultante da pandemia do Covid-19, acredito que temos um grupo de talentos muito forte, que continuaremos a fortalecer, e tenho toda a confiança em Mattia e sua equipe no futuro”, assegurou.

“Como disse John Elkann, vai levar tempo, mas vamos seguir focados e decididos a alcançar nossas ambições, isso segue intacto”, concluiu Camilleri.

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