FIA admite risco de interesse por F1 cair logo após pandemia

O fim da pandemia do coronavírus não vai significar necessariamente o retorno à vida como era antes. Jean Todt, presidente da FIA, admite que pode levar algum tempo até fãs e organizadores toparem a realização de GPs em condições normais

A Fórmula 1 já tem um calendário virado de cabeça para baixo por conta da pandemia do coronavírus, que forçou adiamentos e cancelamentos no primeiro semestre de 2020. A previsão mais otimista é de que seja possível competir no fim de junho, abrindo campeonato compactado no segundo semestre. Só que até mesmo esse cenário traz questionamentos: nem mesmo a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) sabe se o público vai ter interesse em visitar autódromos tão logo os GPs retornem.
 
“Outro problema que precisamos encarar é o interesse. Quando isso tudo [coronavírus] acabar, você ainda vai querer ir a uma corrida?”, questionou Jean Todt, entrevistado pelo ‘Motorsport.com’. “Você ainda vai querer ir ao jogo? Você ainda vai querer ir ao teatro, ao restaurante, ao cinema? Você precisa aprender a recomeçar, porque nesse momento estamos confinados e dependendo muito de onde e como estamos”, seguiu.
Quando a F1 volta ao normal? Jean Todt não sabe ao certo (Foto: Xavi Bonilla/Grande Prêmio)
Além de uma possível queda de interesse do público, Todt pondera que o mesmo pode acontecer da parte dos organizadores. O retorno à vida normal, pós-pandemia, não significa necessariamente a retomada de todos eventos originalmente previstos. Isso arrisca ser uma pedra no caminho da F1, que tenta o mínimo de 15 GPs na temporada 2020.
 
“Assim que soubermos que podemos começar, acho que podemos ter de dois a três GPs por mês. Se começarmos em julho ou agosto e continuarmos até dezembro, temos seis meses. De cinco a seis meses, se você multiplicar isso por três, você ganha uma opção. Mas não podemos esquecer de situações que podemos encarar, como um organizador que pode realizar um GP de forma segura, mas diz que não quer, que não está no clima para receber um GP. No fim das contas, isso pode acontecer. Uma corrida é uma celebração, mas, como disse antes, talvez a gente fique em uma situação em que tudo não haja vontade de celebrar, mesmo com tudo em ordem”, encerrou.
 
Uma das opções já levantadas pela própria F1 é a realização de GPs com portões fechados, atenuando riscos de saúde no paddock. Outra, sugerida por organizadores do GP da Holanda, é encaixar provas durante a semana, uma forma de tornar o calendário ainda mais compacto.
 
 
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