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F1

FIA prevê esvaziamento do esporte a motor: “Não é essencial para a sociedade”

Jean Todt, presidente da FIA (Federação Internacional de Automobilismo), previu um futuro sombrio para o esporte a motor como um todo depois que a crise causada pela pandemia do novo coronavírus passar. O dirigente francês espera uma debandada de equipes, patrocinadores e fornecedores em um futuro próximo

Grande Prêmio / Redação GP, de Sumaré
Ainda é impossível mensurar o real impacto provocado pela pandemia do novo coronavírus no esporte a motor, mas Jean Todt, presidente da FIA (Federação Internacional de Automobilismo) crê em um cenário de debandada em um futuro próximo. Sem a perspectiva de retomada da maioria das categorias de alto nível para os próximos meses, muitas empresas e patrocinadores já começam a rever os seus investimentos. 
 
Na visão do dirigente francês, o esvaziamento do esporte a motor parece ser um caminho sem volta em tempos de crise sem precedentes. Neste fim de semana, Eddie Jordan, ex-dono de equipe na F1 e comentarista na imprensa britânica, apostou na debandada de grandes montadoras, fenômeno que já aconteceu ao longo da última grande crise econômica, no fim dos anos 2000, quando marcas como BMW, Toyota e Honda deixaram a categoria.
 
“Muitas equipes, patrocinadores e fornecedores deverão revisar seus programas e atividades depois desta crise. E alguns poderão se ver pressionados a abandonar seu envolvimento no esporte”, declarou Todt em entrevista veiculada pelo site ‘GP Fans’ nesta segunda-feira (4).
Jean Todt acredita que algumas equipes e patrocinadores deixem o esporte num futuro próximo (Foto: Pirelli)
“Acho que para os grandes construtores, neste momento, garantir sua continuidade no mundo do esporte não é uma prioridade”, salientou.
 
Semana passada, a Audi surpreendeu o mundo do automobilismo ao decidir deixar o DTM ao fim da temporada para focar completamente no seu projeto de carros elétricos, que tem na Fórmula E sua principal plataforma. A categoria chefiada por Gerhard Berger tem a garantia, por enquanto, de ter apenas a BMW em 2021 e corre contra o tempo para buscar alternativas e garantir a sua sobrevivência.
 
Todt citou um ponto importante que coloca em xeque o próprio futuro das competições esportivas. “Devemos ser humildes. Por mais que gostemos do esporte a motor, ele não é essencial para a sociedade”.
 
O dirigente francês torce para que “os donos das equipes e patrocinadores mantenham sua motivação. Devemos ajudar os que sentem que ainda amam este esporte e que precisam dele”.
 
Ao comentar sobre medidas que a F1 desenvolve para tornar o esporte menos caro e assegurar a sobrevivência, bem como das equipes de menor poderio financeiro, Todt entende que a categoria vai ter um perfil distinto nos próximos anos. Entretanto, o presidente da FIA pede cuidado para que as restrições não sejam tão drásticas, sob pena de a F1 perder o seu DNA.
 
“Claramente, a F1 não vai ser factível da forma como conhecemos agora. Poderíamos falar de um teto orçamentário de US$ 50 milhões, sem exceções, mas aí não seria mais a F1, talvez chamaríamos de Súper Fórmula 2”, finalizou.

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