Fórmula 1 já teve seu Botafogo que perdeu um título ganho. E foi Hamilton

Se a perda de enorme vantagem do Botafogo é o assunto do Brasileirão, Lewis Hamilton viveu situação semelhante em 2007 ao dominar o campeonato e ver o título escapar no fim

O Campeonato Brasileiro de Futebol se encaminha para as rodadas decisivas pegando fogo e com uma das disputas mais equilibradas dos últimos anos. Isso se deve ao fato do Botafogo, que lidera o certame desde a terceira rodada, ver a vantagem de 13 pontos construída para o segundo colocado se esfacelar ao longo das últimas semanas, com direito a derrotas épicas, sofrendo 4-3 do Palmeiras e do Grêmio — concorrentes diretos — após abrir dois gols de vantagem no placar.

Em tempos de Fórmula 1 dominada por completo pelo neerlandês Max Verstappen, é válido recordar que o Mundial já teve um momento “de Botafogo” em sua história recente. Trata-se da inesquecível e equilibrada temporada de 2007, que tinha o então novato Lewis Hamilton como a grande sensação do campeonato.

Estreante, Hamilton estava na McLaren e formando parceria com o então atual bicampeão mundial Fernando Alonso. A equipe de Woking era a grande favorita ao título, mas tinha como adversária a Ferrari, que em nova fase após a aposentadoria de Michael Schumacher, tinha Kimi Räikkönen e Felipe Massa como dupla, e promoveu uma enorme disputa de braço de ferro contra a esquadra inglesa, com direito até a escândalo de espionagem por parte da McLaren.

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Hamilton relembrou sua primeira passagem pelo Brasil, em 2007 (Foto: Fórmula 1)

Com apenas 22 anos de idade, Lewis emplacou a temporada de novato mais impressionante que a Fórmula 1 já viu. Ele foi ao pódio em cinco oportunidades diferentes antes da primeira vitória, no Canadá — quando também assumiu a liderança do campeonato em definitivo — e manteve a grande fase e regularidade com mais triunfos, nos GPs dos Estados Unidos e da Hungria.

Alonso, por sua vez, viveu um ano mais instável que Hamilton, muito marcado por conflitos internos e acusações de que a McLaren favorecia o novato. Mesmo assim, o bicampeão mundial anotou vitórias na Malásia, Mônaco, Europa e Itália. Comendo pelas beiradas, Räikkönen venceu a abertura do campeonato, na Austrália, e apesar de um ano mais modesto, também tinha emplacado vitórias em França, Inglaterra e Bélgica.

Eis que chegou o GP do Japão, em Fuji. A corrida ficou marcada por uma enorme tempestade em Fuji. Alonso foi um dos prejudicados, já que bateu sozinho e abandonou. Räikkönen precisou de uma corrida de recuperação após um erro estratégico da Ferrari e foi segundo, enquanto Lewis teve uma das grandes pilotagens da carreira, vencendo com autoridade e praticamente encaminhando o título com duas corridas restantes para o fim do ano.

Para o GP da China, Hamilton entrou com 107 pontos, contra 95 de Alonso e 90 de Räikkönen. O cenário era muito simples: bastava um sexto lugar em Xangai e Lewis se tornaria o primeiro novato da história a ser campeão. E por antecedência. Tanto Alonso quanto Räikkönen precisavam chegar à frente do inglês para desembarcar em Interlagos com título.

Lewis Hamilton em 2007 (Foto: Reprodução)

Com a pista molhada, Lewis largou da pole-position e liderou a maior parte da primeira metade da prova. Porém, conforme a pista foi secando, a McLaren foi perdendo ritmo e desgastando muito os pneus. Mesmo assim, o plano da equipe foi de manter a estratégia original e não antecipar o pit-stop. Quando finalmente foi aos boxes, Hamilton perdeu o controle com os pneus no limite do desgaste e parou na caixa de brita, sem conseguir sair dali. Abandono no match-point, com vitória de Räikkönen e Alonso em segundo.

Em Interlagos, o cenário ainda era favorável para Hamilton. Com 107 pontos, contra 103 de Alonso e 100 de Räikkönen, bastava um sexto lugar para o título. Largando em segundo, Lewis foi engolido pelos adversários, e um erro na curva do sol ainda na primeira volta o fez perder terreno. Quando tentava se recuperar, acabou sofrendo um problema no câmbio e precisou resetar o carro, caindo para 18º. O inglês ainda fez uma recuperação para chegar ao sétimo lugar, mas foi insuficiente. O finlandês Räikkönen venceu o GP do Brasil e chegou aos 110 pontos, coroando uma das viradas mais improváveis que a F1 já viu.

Hamilton chegou apenas a 109 pontos, empatando com Alonso — terceiro em Interlagos — e saindo com o vice-campeonato após o liderar o certame ao fim de 12 das 17 etapas da temporada, ou seja, 70,5% da competição. No ano seguinte, Lewis venceu o Mundial de Pilotos pela primeira vez, e com títulos em 2014, 2015, 2017, 2018, 2019 e 2020, se consolidou como um dos maiores pilotos de todos os tempos.

Apesar de ainda ter um jogo atrasado a cumprir, o Botafogo divide a liderança, com 59 pontos, empatado com Grêmio e Palmeiras, justamente os algozes das dramáticas derrotas. O Red Bull Bragantino surge na quarta posição, com 58, enquanto o rival Flamengo é o quinto, com 56, em um Brasileirão que se desenha com um dos finais mais dramáticos de sua história e com um equilíbrio muito parecido com o trio Räikkönen, Hamilton e Alonso, que marcou a Fórmula 1 em 2007.

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