Fórmula 1 se aproxima de acordo de 5 anos com Interlagos e volta a procurar Globo

O GP do Brasil de F1 segue no autódromo paulistano até 2025, pelo menos, em um acordo que enterra o inefável projeto de levar a corrida para o Rio de Janeiro em uma floresta

De cabeça de juiz e do Liberty Media, pode-se esperar qualquer coisa, mas está previsto para esta terça-feira (10) um comunicado oficial da Fórmula 1 e seus órgãos agregados que confirme a volta – ou permanência, já que, na prática, não houve uma saída – de Interlagos ao calendário em 2021. A data há de revelar o calendário da categoria para o ano que vem, com 22 ou 23 corridas.

Mas não se trata de um ‘acordo-tampão’ entre a prefeitura de São Paulo e a F1 até que o projeto de autódromo do Rio fique pronto: é um contrato de cinco anos com opção de renovação por outros cinco, apurou o GRANDE PRÊMIO.

A situação ainda está condicionada à assinatura do contrato porque todas as questões legais ainda não ficaram prontas a tempo. Assim, o novo acordo vai até 2025, com opção de prolongamento até 2030.

O GP do Brasil de F1 ficará sob responsabilidade da Interpub, companhia que vem promovendo a corrida há anos, mas não sob a batuta de Tamas Rohonyi – que seguirá, mas sem envolvimento diário no negócio.

Durante o PADDOCK GP, mesa-redonda do GRANDE PRÊMIO, os jornalistas Victor Martins e Flavio Gomes deram em detalhes as informações, com comentários de Gabriel Curty, Guilherme Bloisi e Pedro Henrique Marum. Clique abaixo para assistir o trecho exato.

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O recuo da Fórmula 1 partiu do próprio Chase Carey, que notou que seu lobby sobre o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, por meio de uma carta a ele endereçada em julho, não surtiu efeito imediato. O diretor-executivo da F1 cobrara do governante a liberação da área da floresta do Camboatá, em Deodoro, para que as obras do autódromo pudessem ser realizadas e o acordo com a Rio Motorsports, de José Antonio Soares Pereira Jr., ou JR Pereira, tivesse validade. O conteúdo da carta foi revelado em primeira-mão pelo jornalista Américo Teixeira Jr., do Diário Motorsport, parceiro do GRANDE PRÊMIO.

Ao ver que daquele mato não sai autódromo, Carey procurou a prefeitura de São Paulo no fim de outubro para retomar as conversas relacionadas a Interlagos, soube o GRANDE PRÊMIO. A data coincide também com o término do prazo estipulado pela Fórmula 1 para validar o acordo de direitos de transmissão da categoria em território brasileiro, também com a mesma Rio Motorsports. Assim, tratava-se de uma minuta de contrato entre as partes.

Carey também pediu que a Globo voltasse à mesa de negociações para a transmissão da Fórmula 1, apurou o GRANDE PRÊMIO. A emissora havia desistido de renovar o contrato para a próxima temporada pelo alto preço cobrado pelo Liberty Media. A companhia que controla a Fórmula 1 cobrava US$ 22 milhões – cerca de R$ 120 milhões – para um novo acordo.

A F1 entende que só a emissora tem condições estruturais e financeiras de exibir as corridas em TV aberta. O Brasil é o maior mercado do mundo em termos de audiência.

Acertando ou não com a Globo, a F1 TV, serviço via streaming, estará disponível aos brasileiros em seu acesso completo a partir de 2021.

Everaldo Marques foi um dos narradores da Fórmula 1 pela Globo em 2020 (Foto: Reprodução/TV)

O cenário aponta o fiasco que foi a empreitada da Fórmula 1 em acreditar na Rio Motorsports tanto no projeto nefelibata do tal autódromo em uma região de mata atlântica quanto de que uma empresa que acabara de dar um calote na Dorna, promotora da MotoGP, em acordo similar seria a melhor opção para arrebatar os direitos de transmissão da categoria.

Em ambos os casos, a Rio Motorsports teve como braço direito, inclusive atuando em negociações, gente do alto escalão que presta serviço para a Globo há décadas.

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