GP de dois dias é chave para F1 menos previsível, mas sem apelar para loteria

O GP de Eifel ganhou novos contornos após o cancelamento de dois treinos livres, minimizando o tempo de pista. Foi um desafio novo e que merece ser mantido nos próximos anos. É a forma de ser imprevisível, mas sem o exagero artificial do grid invertido

A Fórmula 1 busca nos últimos anos uma forma de ser menos previsível. O esporte ficou mais mecanizado, com análises profundas de dados tomando o espaço que em décadas anteriores era preenchido por esforços de tentativa e erro. Tudo muito tecnológico e bonito, mas chato em certa medida. A busca por uma forma de quebrar esse ciclo é longa e, até aqui, pouco frutífera. Pois talvez tenhamos uma solução, finalmente: o formato de apenas dois dias de atividade por GP parece capaz de trazer o tempero que a categoria tanto deseja.

A F1 testaria isso de um jeito ou de outro, já que o GP da Emília-Romanha será de apenas dois dias de atividades em Ímola. Só que a densa neblina de sexta-feira em Nürburgring rendeu um aperitivo: dois treinos cancelados criaram um GP de Eifel com tempo mínimo de atividades de pista. A corrida do fim de semana não foi épica, mas ganhou um tempero especial: a Red Bull esteve mais forte do que se esperava, isso enquanto Valtteri Bottas aparentou ter alguma vantagem sobre Lewis Hamilton.

São essas variáveis que a F1 busca, e que precisam de solução urgente. A F1 já criou um regulamento completamente diferente para 2022, implementou um teto orçamentário e considera até mesmo corridas com grid invertido. Tudo para evitar a rotina de dobradinhas da Mercedes.

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A densa neblina impediu carros na pista na sexta-feira em Nürburgring. Que bom (Foto: F1/Twitter)

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Há, porém, um problema. A F1 precisa ser mais imprevisível, mas sem se tornar artificial. É isso que acontece quando se tem um grid invertido, por exemplo. Não há sentido algum em colocar o 20° colocado na pole, a menos que se queira uma prova em estilo Corrida Maluca. Mesma coisa com uso exagerado de safety-car, algo mais recorrente e que remete a hábitos ruins da Nascar.

E aí chegamos no formato de apenas dois dias de pista: temos imprevisibilidade, mas uma imprevisibilidade justa. Todo mundo perde tempo de treino. A Mercedes fica mais vulnerável, mas da mesma forma que a Haas. Todo mundo corre o risco de ter um acidente ou falha mecânica e partir para a classificação quase sem andar. Talvez o formato não seja ideal para a temporada inteira, mas precisa ser usado mais vezes, variando o estilo tradicional com outros alternativos.

Isso nos leva de volta a um debate que rendeu em anos anteriores, mas que caiu em esquecimento recentemente. Já estamos há mais de uma década com GPs sempre iguais: TL1, TL2, TL3, classificação, corrida. A F1 faz diferente em Ímola não por desejo de inovar, mas porque há pouco tempo hábil para deixar o sul de Portugal e ir até a Itália por vias terrestres. Em Nürburgring, como sabemos, pelo clima desfavorável. Dito isso, não seria surpreendente se em 2021 tivéssemos formatos diferentes unicamente pelo interesse de ter provas diferenciadas aqui e ali.

A F1 tem como evitar corridas chatas sem muita artificialidade (Foto: Mercedes)

Há, claro, algumas arestas que precisam ser aparadas nesse plano. Por exemplo, um dia a menos de atividades é um dia a menos de ingressos vendidos para os promotores. Isso pode ser solucionado de formas distintas: o único treino livre poderia acontecer na sexta-feira, mantendo o aspecto de menos tempo de pista, mas diluindo em três dias; poderia haver um desconto na taxa a ser paga por promotores, já que a receita dos ingressos seria menor. Uma outra solução, mas que aí depende de ajustes que fogem do controle da F1, é rever o cronograma de categorias suporte. Mais atividades de F2 e F3 na sexta-feira poderiam ajudar.

De qualquer forma, o que importa é que a F1 tente fazer ajustes dentro do limite do aceitável. Inverter grid seria uma solução divertida em um primeiro momento, mas possivelmente cansativa no longo prazo. Dar menos tempo de pista e de reação a equipes e pilotos é outra história. É um tempero de gosto mais sutil, mas que não enjoa. Que o Liberty Media tenha reparado nisso no GP de Eifel.

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