GP Recomenda: cinco bons motivos para não se perder o GP da Hungria de F1

A F1 vai encerrar neste fim de semana, na Hungria, a primeira parte da temporada 2015. O travado circuito de Hungaroring será palco da décima etapa do calendário, que no ano passado viu a brilhante vitória de Daniel Ricciardo, que teve de bater Fernando Alonso e Lewis Hamilton nas voltas finais, para ficar com o triunfo. Neste ano, o inglês da Mercedes chega como líder, mas já vê a ameaça de Nico Rosberg. O GRANDE PRÊMIO lista agora cinco motivos para não se perder a etapa húngara do Mundial

1) A FORÇA DAS INTEMPÉRIES

Não é novidade alguma que a chuva costuma sempre ter o fascinante poder de bagunçar a ordem natural das coisas na F1. Em 2014, uma tempestade atingiu a pista da Hungria pouco antes da liberação dos carros para o grid. A pista ainda estava molhada quando a largada foi dada, e isso ajudou a mudar completamente os rumos da corrida. No decorrer da prova, o traçado foi secando e exigindo mudanças rápidas de estratégia por parte das equipes. E nenhuma delas escapou de decisões arriscadas para tentar vencer o tumultuado GP.

A Mercedes, por exemplo, se viu envolvida em estratégias diferentes entre seus dois pilotos e acabou protagonizando um mal estar entre Lewis Hamilton e Nico Rosberg. Em determinado momento da prova, primeiro se negou a abrir caminho ao segundo, que vinha em uma tática de parada diferente. O comportamento do inglês rendeu reclamações e inúmeras explicações da cúpula prateada depois da corrida.

A Williams também se colocou em desvantagem ao não optar por uma escolha mais agressiva dos pneus. No fim das contas, quem se saiu melhor foi a Red Bull. Mesmo longe da briga com a Mercedes, a equipe austríaca foi esperta o suficiente para deixar Ricciardo em posição — com pneus novos — para atacar Alonso e Hamilton nas voltas finais. Foi a terceira vitória do australiano no ano.

Para 2015, o tempo novamente pode tumultuar a vida de engenheiros e pilotos. A sempre quente Budapeste terá dias de calor intenso nesta semana, no auge do verão europeu. As temperaturas devem passar dos 30ºC facilmente, por isso a previsão de pancadas de chuva é grande. No domingo, por exemplo, existe o risco, algo em torno de 70%, de tempestades ao longo do dia.

Como acontecera na Inglaterra, a pista molhada sempre provoca alterações. E pode ser garantia de um GP cheio de alternativas que não a Mercedes…

GP da Hungria começou com chuva em 2014 (Foto: Getty Images)
2) WILLIAMS E A SÍNDROME DO CASCÃO

Nesta semana, Felipe Massa e Valtteri Bottas novamente se queixaram da falta de desempenho da Williams com pista molhada. A equipe inglesa já sofrera deste mal no ano passado, quando o FW36 perdia rendimento vertiginosamente. Neste ano, o problema parece ser persistir. Tanto que, quando começou a chover em Silverstone, na etapa disputada há quase três semanas, o carro de 2015 da esquadra de Grove caiu de desempenho com a fraca eficiência do downforce e a falta de aderência.


Tanto Massa quanto Bottas já apontaram a má performance na chuva como ponto fraco do FW37. E pediram mudanças urgentes neste quesito. Outra situação que pode comprometer o desempenho da Williams, que vinha em uma ascendente desde o pódio do finlandês no Canadá, é a própria característica do travado circuito húngaro. O time inglês sofre neste tipo de traçado, como ficou claro em Mônaco. Tudo por conta do baixo rendimento em termos de downforce.

Portanto, será interessante acompanhar a evolução e as decisões da Williams neste fim de semana. A equipe vem crescendo desde a Áustria, ainda que pese os problemas no GP da Inglaterra. E precisa continuar nesse caminho de desenvolvimento se quiser recuperar o tempo perdido para cima da Ferrari. Então, o pacote de atualizações das últimas provas será ainda mais decisivo em Hungaroring

Com Massa à frente, Williams comanda início de corrida em Silverstone (Foto: AP)
3) A REPETIÇÃO DE MÔNACO

Ao contrário da Williams, a Red Bull e até a McLaren veem a etapa da Hungria como um alento neste fim de primeira parte de campeonato. Ambas atravessam um período difícil — ainda que em estágios diferentes de desempenho —, e a pista travada de Hungaroring surge como uma possibilidade de brigar mais à frente. Isso porque o circuito se assemelha em muitos pontos com a pista de Monte Carlo, onde as duas conseguiram seus melhores resultados até o momento no Mundial.

Como o motor será menos exigido, a Red Bull poderá fazer um melhor uso da usa conhecida eficiência aerodinâmica, além das decisões acertadas que costuma tomar quanto à estratégia de parada, especialmente em provas tumultuadas, marcadas pela chuva ou outros problemas com os rivais. Vale dizer também a Renault tem conseguido minimizar os problemas e prolongar a vida útil de seus motores, evitando assim mais punições.

A McLaren Honda, por sua vez, espera voltar a pontuar, tirando proveito exatamente das características do traçado magiar. Agora, a aposta está em um pacote maior de atualizações, além do próprio trabalho de revisão dos motores feito pela Honda.

Embora a fabricante japonesa ainda não tenha usado mais do que duas fichas de desenvolvimento até agora, alguns recursos foram utilizados para aumentar a potência das unidades. Ainda assim, a Honda não planeja introduzir nenhum dispositivo extra. Deve esperar até as férias de verão para aí, sim, lançar mão das fichas.

Jenson Button (Foto: McLaren/Facebook)
4) RUMORES QUENTES E BORBULHANTES

A F1 viveu um período de três semanas de folga depois do GP da Inglaterra. E neste tempo, os rumores não esfriaram. Ao contrário. Veio da Itália a especulação mais quente do momento: a Ferrari ‘comprou o passe’ de Valtteri Bottas e vai colocá-lo no lugar de Kimi Räikkönen em 2016. Foi o 'Corriere dello Sport' que deu a notícia da negociação na semana passada, quase que ao mesmo tempo em que Felipe Massa apontou o companheiro como o elemento chave do mercado de pilotos. Parece que é mesmo.

Falando nisso, Massa e a Williams já se acertaram para 2016. A informação foi dada pelo DIÁRIO MOTORSPORT, parceiro do GRANDE PRÊMIO, também na última semana.

Por isso, o paddock de Hungaroring deve esquentar ainda mais neste fim de semana, por conta do quebra-cabeça que a imprensa deve começar a formar na tentativa de montar o grid da F1 para a próxima temporada.

5) MINUTO DE SILÊNCIO

Jules Bianchi será lembrado, uma vez mais, por seus colegas na Hungria. O jovem francês morreu na última sexta-feira (17), ainda em decorrência do grave acidente que sofreu em Suzuka no ano passado. A perda prematura de Jules comoveu os pilotos, dirigentes e todos que, de alguma forma, têm envolvimento com a F1. E boa parte do grid também compareceu ao tocante funeral, realizado nesta terça-feira, em Nice, onde Bianchi nasceu.

Muitas foram as homenagens e palavras de carinho, lamento e força para a família. Por isso, dificilmente, o GP da Hungria vai passar ileso desse clima de tristeza e consternação, mas também de lembranças. Aliás, também será respeitado um minuto de silêncio antes da largada em tributo a Bianchi.

Pilotos da F1 prestam última homenagem a Jules Bianchi (Foto: AP)

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