GUIA 2020: Em ano de rivalidades quentes, F1 põe veteranos e jovens frente a frente

Todo o esporte precisa de grandes rivalidades, e a F1 não é diferente. Na verdade, a maior das categorias vive um momento raro em termos de concorrência, é um cenário dos mais interessantes que põe frente a frente veteranos e jovens

 

Em um grid tão jovem – metade tem entre 20 e 25 anos –, é justo imaginar que os veteranos sigam dando as cartas em 2020. Afinal, o piloto mais vitorioso da história recente da F1 inicia sua 14ª temporada aos 35 anos e dono de seis títulos mundiais, além de uma performance exuberante e de pouquíssimos erros. De fato, Lewis Hamilton é o homem a ser batido, até porque está na melhor equipe do campeonato. Porém, apesar de todo o favoritismo, o inglês não deve ter vida fácil. Se dentro das garagens da Mercedes, uma disputa com Valtteri Bottas parece improvável, é fora que Hamilton terá de lidar com inimigos bem mais perigosos.

O primeiro deles, claro, precisa ser o tetracampeão Sebastian Vettel. O alemão está de saída da Ferrari e deve endurecer o caldo, se o carro vermelho permitir. Afinal, Seb só tem 32 anos e não pode ficar fora do grid. Então, a disputa entre os dois maiores vencedores da última década por si só já seria um elemento para não se perder nenhuma corrida – ainda que seja dentro de uma temporada marcada pelos efeitos da crise do novo coronavírus -, mas o que chama atenção nesta possível briga é a forma distinta com que cada um se apresenta na pista. Enquanto Hamilton é mais frio e calculista, Vettel é pura emoção. Talvez por isso, o ferrarista acabe se envolvendo em mais confusão que o adversário, o que torna a rivalidade entre ambos uma das mais emblemáticas da F1.

Charles Leclerc e Max Verstappen, uma disputa que pode ser tornar explosiva (Foto: Reprodução)
Só que os dois não devem protagonizar um embate solitário. E é aí que entram os jovens. Dentro da própria Ferrari, Sebastian ainda terá de encarar um Charles Leclerc mais bem preparado e com um respaldo ainda mais amplo dos italianos, que, inclusive, estenderam seu contrato até 2024, deixando claro que confiam no talento do monegasco para liderar a equipe. Como a Ferrari vai lidar com os dois, em situações tão diferentes, também será um dos pontos de maior interesse em 2020.

E se Vettel está na mira de Charles, Hamilton também, o que reforçaria a ideia de que a Ferrari vai entrar na briga pelo campeonato. Mas há aí um terceiro elemento: Max Verstappen. O holandês tem como meta colocar a Red Bull também na luta pelo campeonato, e isso vai implicar em um duro embate não só com os prateados, como também com os ferraristas. E a história recente conta que o potencial para o espetáculo é enorme. E para faíscas também.
 
Hamilton já provou que sabe lidar bem com a agressividade de Max, dosando os momentos de ataque e aqueles em que precisa dizer quem manda. Há um respeito mútuo aí, mas as brigas entre Verstappen e Vettel já acabaram mal, assim como embate com Charles, mas quem não se lembra com entusiasmo da eletrizante disputa entre eles em Silverstone no ano passado? É, pode acontecer. E ainda tem um Alex Albon correndo por fora. O anglo-tailandês, de ultrapassagens tão precisas, fez até o hexacampeão errar – aconteceu no GP do Brasil do ano passado.

F1 tem embate entre veteranos e jovens (Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)
Dito isso, é possível afirmar que o pelotão dianteiro está muito bem servido. E o grupo do meio? Bem, aqui tem uma grande expectativa sobre como Daniel Ricciardo vai lidar com Esteban Ocon. De temperamento arredio e extremamente arrojado, o jovem francês, que volta ao grid neste ano, se assemelha muito a Verstappen, com quem o australiano não teve vida fácil na Red Bull. É claro que Ricciardo ainda ocupa o posto de líder da Renault, mas Esteban, como Max, não costuma respeitar hierarquias.
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