Guia 2020: Perto de igualar Schumacher nos números, Hamilton já é o maior da história

Aos 35 anos, maduro e consciente do papel que exerce dentro e fora do esporte, Lewis Hamilton chega a 2020 como grande favorito ao título e a poucos passos de quebrar o recorde de vitórias na F1. Se der a lógica, no fim do ano o britânico vai festejar a conquista do heptacampeonato e empatar com Michael Schumacher como o maior campeão da história da categoria

 

Maior piloto da F1 na atualidade, um dos maiores de todos os tempos e símbolo máximo da categoria da qual faz parte desde 2007, Lewis Carl Davidson Hamilton atingiu um nível de excelência, maturidade e consciência social tamanho que se tornou uma das principais vozes do esporte ao redor do mundo e um dos poucos a sair do lugar comum e se posicionar a respeito de causas fundamentais. No auge da carreira e da vida, Hamilton chegou aos 35 anos com a certeza do papel que exerce perante a sociedade em caráter global e da liderança e referência que representa nas pistas.

Em 2020, tem a oportunidade de traduzir a grande fase que vive novamente em sucesso, vitórias e títulos. Lewis está muito perto de quebrar alguns dos recordes mais importantes da Fórmula 1 e igualar seu antecessor na Mercedes, Michael Schumacher, como o maior campeão de todos os tempos nos números. Mas a maneira como atua, ativamente, na luta contra o racismo e as injustiças sociais, colocando literalmente a cara na rua e sendo fundamental para que o debate vá além de hashtags vazias e rasas, já o torna maior no conjunto da obra como um todo.

Hamilton tornou-se um esportista tão grande que, mesmo em tempos sem corrida, foi de longe figura central em questões essenciais. Foi Lewis quem chamou para si na Fórmula 1 a luta pública contra o racismo e a repressão policial. Furioso com a inércia de quem vive na bolha cor-de-rosa das redes sociais, o hexacampeão colocou o dedo na ferida e se revoltou ao dizer que está “sozinho” diante daqueles que “silenciam diante da injustiça”. O gesto do britânico mexeu com os mais jovens e colocou um pouco mais de consciência social na mente de nomes como Charles Leclerc e Lando Norris.

Esportivamente, nas pistas, os números de Hamilton na F1 são incontestáveis e impressionantes: seis títulos mundiais, 84 vitórias, 88 poles (recordista na estatística), 47 voltas mais rápidas, 151 pódios alcançados ao longo de 13 temporadas e 250 GPs disputados (110 pela McLaren e 140 pela Mercedes).

Teoricamente, as marcas de uma laureada carreira tendem a ser amplificadas em um ano de inegável favoritismo para a Mercedes, que continua a ser a prima-dona da Fórmula 1 e assim tende a ser também em 2021. No entanto, o calendário apertado em razão da pandemia e ainda não completamente fechado traz um quê de imprevisibilidade. Some-se a isso a discussão sobre seu futuro no Mundial. Se Lewis vai seguir depois deste incomum 2020, aí é uma outra história, embora a possibilidade maior neste momento seja de renovação de contrato com a equipe prateada.

 Lewis Hamilton e o Laureus de melhor esportista masculino pela temporada 2019 (Foto: Mercedes)

Hamilton está a somente oito vitórias de superar o alemão, que ostenta a marca de 91 triunfos, inimaginável de ser quebrada tempos atrás. Quanto aos pódios, restam somente quatro troféus para Lewis alcançar 156 top-3, deixar Schumacher para trás e ser o maior de todos os tempos no quesito.

Antes mesmo do início da hoje distante pré-temporada, no mês de fevereiro, em Barcelona, Hamilton comemorou seu primeiro título de 2020. Ao lado de ninguém menos que Lionel Messi, o britânico dividiu o prêmio Laureus — considerado o Oscar do esporte — de melhor atleta masculino do ano. Uma conquista que colocou lado a lado duas lendas do século.

Se Hamilton está no mesmo patamar do genial Messi como o melhor do mundo no seu tempo, na F1 não há ninguém que sequer chegue aos seus pés neste momento. A categoria tem talentos em franca ascensão, como os campeões do mundo em potencial Max Verstappen e Charles Leclerc. Sebastian Vettel, salvo situações esporádicas, jamais estabeleceu com Lewis a grande rivalidade aguardada pelos fãs entre os dois grandes campeões da década.

E Valtteri Bottas, seu companheiro de equipe, vive de brilharecos aqui e ali, mas nunca se consolidou, nem de longe, como um adversário a ser levado a sério.

Somente nomes do passado podem ser comparados a Hamilton pelas suas respectivas carreiras no grid. Obviamente, é impossível definir quem é o maior piloto de todos os tempos pelo simples fato de que a F1 da época de Juan Manuel Fangio foi completamente diferente da categoria com a evolução alcançada em todos os aspectos com o passar dos anos. Mas se é verdade que Fangio, Jim Clark, Jackie Stewart, Niki Lauda, Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet Ayrton Senna, Alain Prost, Vettel e Schumacher fazem parte do clube dos grandes da história, Hamilton tem seu nome em destaque como um dos maiores dentre os grandes.

Hamilton parte em 2020 para igualar Schumacher como o maior campeão da F1 (Foto: Reprodução)

E se Schumacher aproveitou os anos de ouro da Ferrari, entre 2000 e 2004, para entrar de vez para a história da F1, Hamilton viu sua carreira mudar justamente quando aceitou o convite de Niki Lauda para substituir Michael na Mercedes e, a partir de 2014, conquistar cinco títulos entre seis possíveis e somar à taça lograda em 2008 com a McLaren para ser o segundo homem em quase 70 anos de categoria a chegar ao hexa.

A estabilidade nas regras, o desempenho errático da Ferrari na pré-temporada e a força exibida pela Mercedes nos testes de inverno fazem com que somente um grande pulo do gato da Red Bull possa impedir que a dinastia prateada continue pelo sétimo ano consecutivo. Mas a busca incessante pela perfeição torna os comandados de Toto Wolff praticamente imbatíveis e dá a Hamilton a inevitável condição de grande candidato ao título em 2020. Ainda que seja um ano afetado diretamente pela pandemia.

Piloto genial, maduro e completo, absoluto em ritmo de classificação e quase impecável nas corridas, Lewis Hamilton segue exigente consigo mesmo, faminto e obstinado na sua cruzada para ser o maior campeão e vencedor da F1 nos números. Pura questão de tempo.

Sorte da Fórmula 1 ter alguém como Hamilton que, além de ser o grande protagonista da categoria neste milênio com vitórias e títulos, levou o nível da discussão a um patamar nunca antes imaginado no esporte a motor. Se hoje se fala abertamente na luta contra o racismo, na busca por mais igualdade e diversidade, contra a covarde repressão policial, se assuntos outrora tabus no automobilismo são debatidos, é muito graças à força de Lewis Hamilton. Pelo que significa dentro, mas principalmente fora das pistas, não é exagero nenhum dizer que ele já é, sem dúvidas, o maior piloto da história da F1.

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