GUIA 2021: Vencedor, Pérez dá maior salto da carreira com chance merecida na Red Bull

Bem diferente do menino que chegou à McLaren em 2013, o Sergio Pérez titular da Red Bull em 2021 é mais maduro e vencedor e mostra ser o homem certo para equilibrar a equipe taurina e diminuir a ‘Verstappendependência’. Aliás, sobre o holandês, fica a curiosidade sobre como vai ser o relacionamento com seu novo companheiro de equipe

A Fórmula 1 divulgou uma simulação de volta no mais novo circuito de rua da Fórmula 1, Jidá, na Arábia Saudita (Vídeo: Fórmula 1)

A incrível e outrora impensável vitória conquistada por Sergio Pérez no GP de Sakhir em 6 de dezembro de 2020 mudou o destino do mexicano na Fórmula 1. De futuro desempregado depois de ter sido trocado por Sebastian Vettel na Aston Martin — novo nome da Racing Point —, ‘Checo’ deu o maior salto de uma carreira de dez temporadas no grid e ganhou uma chance improvável, mas igualmente merecida. Pérez foi contratado para ser o novo titular da Red Bull para a temporada 2021 e fez a equipe dos energéticos mudar uma filosofia sobre a qual estava baseada desde 2014, quando, a partir de então, passou a contar apenas com nomes oriundos do chamado Red Bull Junior Team nos carros da sua equipe principal na F1. Não é pouca coisa.

Pérez fez uma temporada extraordinária com a Racing Point em 2020, disparado a melhor da carreira. Mesmo tendo perdido duas corridas — por ter sido infectado pela Covid-19 —, ‘Checo’ realizou grandes corridas, subiu duas vezes ao pódio, virou vencedor na Fórmula 1 e foi o quarto colocado no Mundial de Pilotos, à frente de nomes badalados como Daniel Ricciardo, Charles Leclerc, Carlos Sainz e Lando Norris, e ficou só atrás de Lewis Hamilton, Valtteri Bottas e do seu novo companheiro de equipe, Max Verstappen.

Seria injustiça demais — embora, sempre seja bom ressaltar, a F1 é um esporte onde nem sempre a justiça costuma prevalecer — se Pérez estivesse fora do grid em 2021 depois de tudo o que fez.

SERGIO PÉREZ; RED BULL; F1; FÓRMULA 1; F1 2021;
Sergio Pérez dá o grande salto de qualidade da carreira na Fórmula 1 (Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)

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Vez ou outra, em meio às boas atuações correndo pela Force India, também a partir de 2014, Pérez falava sobre o seu desejo de voltar a uma equipe de ponta da Fórmula 1. E é aí que o grande fracasso do mexicano no Mundial é lembrado. ‘Checo’ foi contratado pela McLaren no fim de 2012 para ser o substituto de Lewis Hamilton — que havia partido para a Mercedes para ocupar o lugar de Michael Schumacher, aposentado de forma definitiva da F1.

Mas se a equipe anglo-alemã vivia um momento de ascensão antes de tornar-se força hegemônica do grid, a McLaren entrou no seu período de decadência e iniciou, em 2013, um jejum de vitórias que dura até hoje. Pérez, um menino de apenas 23 anos, não tinha maturidade e cancha suficientes para lidar com a pressão de não corresponder às expectativas da exigente e multicampeã equipe de Woking depois de ter brilhado com a Sauber no ano anterior. De grande promessa, Pérez ficou apenas uma temporada, teve como melhor resultado o 5º lugar no GP da Índia e foi dispensado.

Outra chance em equipe de ponta? Improvável, pensaram muitos depois do fracasso do mexicano na McLaren. Pela força dos patrocinadores, a maioria do bilionário Carlos Slim, o maior apoiador da sua carreira, ‘Checo’ conseguiu um bom lugar na Force India, uma equipe com razoável estrutura e em boa posição no bloco intermediário do grid, embora vivesse às voltas com problemas financeiros aqui e ali, fruto da gestão oscilante de Vijay Mallya.

Pela equipe baseada em Silverstone, Pérez se destacou no pelotão do meio e conseguiu conquistar pódios importantes. A cada troféu levantado, o piloto dava seu recado e, mesmo sem desmerecer a equipe pela qual corria, reiterava o desejo de voltar a correr por uma equipe grande. Mas a Mercedes não parecia uma opção, enquanto a Ferrari tinha as portas fechadas depois que ‘Checo’ decidiu não esperar para ser elevado ao posto de titular da Scuderia — o mexicano fazia parte da cobiçada Academia da Ferrari — e optou pela McLaren. Red Bull? Uma equipe que sempre contrata pilotos do seu próprio programa de pilotos? Impossível.

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SERGIO PÉREZ; RED BULL; F1; FÓRMULA 1; F1 2021;
Sergio Pérez fez o impossível ser real como novo piloto da Fórmula 1 (Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)

Mas o competidor nascido em Guadalajara fez do impossível seu lema de vida na Fórmula 1, levou a Racing Point ao topo do pódio e alcançou o inimaginável: com a bênção dos exigentes Christian Horner e Helmut Marko, Pérez foi contratado para substituir Alexander Albon e formar dupla com Verstappen em 2021.

Obviamente, Pérez foi contratado para trazer o que Albon não foi capaz de proporcionar na temporada e meia que teve como titular da Red Bull. Se talento não falta ao anglo-tailandês, faltou a tão necessária consistência para pressionar Verstappen (levou 17 x 0 em classificações em 2020) e somar pontos com frequência. ‘Checo’ desembarca em Milton Keynes com a missão de tornar a dupla taurina mais equilibrada e menos dependente de Max.

Tudo isso, no fim das contas, tem um único objetivo: fazer com que a Red Bull tenha dois pilotos fortes o bastante para poder lutar com a Mercedes por títulos. E a julgar pelo que Pérez fez nos testes de pré-temporada, com uma rápida adaptação ao RB16B e à equipe como um todo, dá para considerar, sim, que os taurinos finalmente vão ter uma dupla competitiva ao longo da temporada como um todo.

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SERGIO PÉREZ; RED BULL; F1; FÓRMULA 1; F1 2021;
Mais maduro, Sergio Pérez teve a tão almejada nova chance em uma equipe de ponta da F1 (Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)

‘Checo’, como não seria diferente, está radiante com a oportunidade que está diante do seu horizonte e que se faz realidade. “Sendo sincero, há momentos em que ainda custo a acreditar. É a Red Bull, uma equipe que, quando cheguei à F1, já sabia que não poderia estar lá. Era a única equipe que tinha seu programa de jovens pilotos, é uma grande equipe. Quando vi meu nome lá pela primeira vez e comecei a trabalhar, foi uma loucura ver que já era piloto da Red Bull”, destacou ‘Checo’ em entrevista ao podcast oficial da F1, o ‘Beyond the Grid’.

“Tenho muita fome de sucesso e acho que agora tenho uma oportunidade que chega só uma vez na vida. Quero aproveitar esta oportunidade ao máximo, e que chega no melhor momento possível”, comemorou o mexicano.

Ciente da mudança de patamar ao se transferir de uma equipe boa, mas ainda do meio do grid, para uma postulante a vitórias e talvez até a títulos, Pérez sabe que seu foco na Red Bull também terá de ser diferente. Afinal, o nível do sarrafo também aumentou consideravelmente.

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Sergio Pérez se adaptou logo de cara ao novo RB16B da Red Bull para 2021 (Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)

Pérez destacou as diferenças mais importantes sobre a Red Bull e sua antiga equipe, hoje rebatizada como Aston Martin.

“A Red Bull é uma grande equipe e é possível ver a paixão que todos têm por vencer. Todo mundo que trabalha aqui quer vencer. Quando estava na Racing Point, tudo era diferente, levando em conta que não tínhamos esta equipe e este carro. Lá estávamos para tirar o máximo do potencial, mas, na Red Bull, maximizar o potencial é vencer”, disse.

“Dito isso, no fim das contas, é uma equipe de F1. Todos estão muito motivados, mas também estão sob uma grande pressão e têm de corresponder, todo mundo quer fazer um bom trabalho desde o primeiro dia. Além disso, a Red Bull é uma equipe muito grande, e as equipes em que estive antes eram menores e era sempre mais fácil encontrar a pessoa certa para fazer alguma coisa. Aqui, é um pouco diferente”, complementou.

Relação com Verstappen é grande incógnita

Ao longo da sua carreira de dez temporadas na Fórmula 1, Pérez sempre teve companheiros de equipe rápidos e capazes. No começo da carreira, dividiu os boxes da Sauber com Kamui Kobayashi. Depois, teve uma aliança não muito amistosa com Jenson Button na McLaren. Na Force India, entre 2014 e 2016, teve como companheiro de equipe Nico Hülkenberg, enquanto nos dois últimos anos Lance Stroll dividiu os boxes da Racing Point. O único piloto com quem Pérez teve uma relação bélica foi Esteban Ocon, entre 2017 e 2018, também na Force India.

Curiosamente, Ocon também é desafeto de longa data de Verstappen, que saiu na porrada com o francês logo após o fim do GP do Brasil de 2018.

Uma das grandes dúvidas é sobre como vai ser a relação entre Pérez, um piloto que não leva desaforo pra casa, e Verstappen, o ‘dono’ da Red Bull e o homem talhado por Horner e Marko para ser o futuro campeão do mundo pela equipe dos energéticos.

MAX VERSTAPPEN; SERGIO PÉREZ; FÓRMULA 1; F1; F1 2021; RED BULL;
Max Verstappen e Sergio Pérez serão companheiros de equipe na Red Bull em 2021 (Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)

Há quem possa imaginar que Pérez vai ser, para Verstappen, o que Valtteri Bottas é para Lewis Hamilton na Mercedes. É bem verdade que ‘Checo’ é um piloto mais maduro e que não vai partir para o confronto logo de cara, mas também é correto supor, por tudo o que fez nos últimos anos, que o mexicano não vai se sujeitar a ser um segundão passivo. Mesmo tendo em conta o contrato de apenas 1 ano de duração.

Ainda em dezembro, Verstappen disse que queria “destruir” Pérez. A afirmação pode chocar, mas é natural de alguém que queira demarcar território e mostrar quem manda. Da mesma forma, ainda que não tivesse verbalizado, Sergio traz o mesmo sentimento. Afinal, qual piloto não deseja derrotar seu companheiro de equipe, o primeiro rival?

O que há, por ora, é um clima de respeito. Pérez reconhece em Max um piloto extraclasse e não se furta em destacar a capacidade do holandês, 8 anos mais novo.

“Desde que soube que viria para a Red Bull, também sabia que teria um grande desafio com Max. Mas também é o que eu queria. Quero lutar contra os melhores deste esporte. Ele é um piloto muito completo e forte em todos os sentidos”, disse. Pérez também lembrou que Verstappen, ao menos fora do cockcpit, “é um cara muito tranquilo, não faz jogos políticos. Max é só um menino novo que curte a vida”.

Uma das expectativas é que Pérez, com a velocidade e a experiência que possui, possa ser útil não apenas para a Red Bull em si, mas também para o próprio Verstappen porque, diferente de Pierre Gasly e Albon, o mexicano tem todos os quesitos para fazer o holandês sair da zona de conforto dentro da equipe e buscar algo além na Fórmula 1 do que vitórias aqui e ali quando o carro assim o permite.

Além de ser capaz de impulsionar a equipe e equilibrar sua dupla de pilotos, Pérez parte para a 11ª temporada da sua carreira ciente do que fazer para continuar por mais tempo na Red Bull. O fracasso com a McLaren aconteceu há muito tempo e praticamente não há nada daquele ‘Checo’ de 2013 no piloto de 2021. Com um excelente carro, ótimo motor e uma grande estrutura por trás, além de um excepcional companheiro de equipe para pressioná-lo a ser ainda mais rápido, o mexicano tem como grande missão fazer o dever de casa, ajudar a Red Bull a lutar frequentemente por vitórias e títulos e andar próximo do ritmo de Verstappen em todas as corridas. Se cumprir todo o script, Pérez vai vestir o macacão da marca austríaca dos energéticos por muitos anos.

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