Guia F1 2015: Lamentamos dizer que vai ser como em 2014: Mercedes de braçada

Se você tem alguma esperança de que a Mercedes vai ser destronada em 2015 por quem quer que seja, amigo ou amiga, a gente mui respeitosamente informa que o domínio até pode ser pior

SENHORAS E SENHORES, lamentamos informar que vai ser como no ano passado. Ninguém conseguirá chegar na Mercedes, que conquistará o bicampeonato.

Com Hamilton.

 
O “lamentamos” aí em cima fica por conta da repetição. O fato de o cenário ser muito parecido com o de 2014 não significa que o Mundial será necessariamente chato. O último não foi. A disputa entre os dois pilotos do time alemão foi divertida e teve alguns momentos que, mesmo que remotamente, lembraram os duelos Senna x Prost nos anos 80 e 90.
 
O problema é que a briga vai se restringir a esses dois carros, o que é ruim. Até porque Hamilton não é Senna, nem Rosberg, Prost. As outras grandes vivem o perigoso período do limbo.
Lewis Hamilton, o homem a caminho do tricampeonato (Foto: Xavi Bonilla/Grande Prêmio)
A Ferrari vai crescer com Vettel e toda a tropa que substituiu Montezemolo & companhia bela. Mas não o bastante para arranhar o câmbio dos prateados. A meta, vejam só, é ganhar duas corridas. E mesmo assim o time vermelho considera o objetivo um tanto quanto ambicioso.
 
A Red Bull virá bem, mas não o bastante. Como em 2014, quando ganhou algumas corridas graças ao talento de Ricciardo. A Williams, receio que não tenha subido os degraus necessários para entrar na luta por vitórias com frequência. E a McLaren, bem… A McLaren vai sofrer, e paciência será a virtude mais importante para todos neste ano. Neste e no próximo. E o desperdício de grana será sentido no final de 2016, quando o regulamento deve mudar de novo. O timing da Honda, definitivamente, não tem sido o melhor. Deixou a F1 no final de 2008 com um carro pronto para ser campeão no ano seguinte – que se chamou Brawn e levou um motor Mercedes no cangote. Agora, volta no segundo ano de um regulamento complicadíssimo que tem data para mudar – exatamente no momento em que a Honda terá conseguido entendê-lo.
A McLaren capengou na pré-temporada e nem Fernando Alonso terá na estreia (Foto: Xavi Bonilla/Grande Prêmio)
O resto será o resto, sem grandes chances de brilharecos. Talvez a Sauber, que andou bem na pré-temporada, mas a gente sabe como são essas coisas. Dois dias depois do último treino de Barcelona, a equipe arrumou um novo patrocinador principal. As pessoas acreditam naquilo que querem. Toro Rosso, Lotus e Force India comporão o grid. Manor-Marussia, sei lá. Vai lavar dinheiro de alguém. Serão dez equipes no primeiro grid do ano. Duvido que todas no último. A crise é braba e, sinceramente, não sei mais de onde sai o dinheiro para manter um esporte tão absurda e desnecessariamente caro.
 
Para o Brasil, os dois Felipes terão anos obviamente distintos. Massa vai para sua 14ª temporada na categoria. Nasr estreia agora. O primeiro sonha com pódios e vitórias. O segundo, com pontos. O primeiro conseguirá os pódios – vitórias, difícil. O segundo vai somar seus pontos, afinal metade dos que largam pontuam. 
Felipe Nasr tem de brigar por pontos e ficar à frente de seu companheiro Ericsson (Foto: Xavi Bonilla/Grande Prêmio)
A novidade do calendário é muito bem-vinda, a volta do México. OK que estragaram a pista, tirando a Peraltada. Mas o povo mexicano é apaixonado por corridas, bem mais que indianos, barenitas, coreanos e venusianos. 
 
Alonso na McLaren e Vettel na Ferrari deveriam ser as grandes atrações do ano em suas novas equipes. Mas nesta F1 esquisita, em que uma equipe não consegue dar um salto de qualidade de um ano para o outro – é processo que leva quatro, cinco anos –, precisaremos esperar um bom tempo até que eles possam fazer algo, e isso se seus times conseguirem construir carros vencedores. Num mundo ideal, quatro ou cinco equipes grandes lutariam por vitórias em condições mais ou menos iguais. Mas isso não acontece faz tempo. Nem com duas… 
 
Se olharmos para os anos recentes, de 2009 para cá só não houve domínio absoluto de alguém em 2010, ano em que Vettel, com a Red Bull, ganhou seu primeiro campeonato. A F1 tem sido um samba de uma nota só com muita frequência, o que não é bom. 2015 será assim. Torçamos para que Rosberg dificulte a vida de Hamilton. E que algum milagre faça alguém chegar perto da Mercedes.

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