Haas paga preço de se render à família Mazepin e vive 2021 infernal na F1

A Haas já sabia que 2021 seria um ano difícil, mas provavelmente não esperava algo tão desolador assim. A fase russa da escuderia começou com o pé esquerdo, com um carro horrível e uma dupla de novatos que erram até dizer chega

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Mitch Evans, com chances grandes de título, não conseguiu largar e foi atingido em cheio por Edoardo Mortara (Vídeo: Fórmula E)

2020 acabou sendo um divisor de águas para a Haas. A equipe, que já tinha o orçamento mais enxuto da Fórmula 1, viu-se com um problemão na pandemia da Covid-19. Problemas financeiros surgiram, levando à necessidade de buscar um piloto pagante. Veio Nikita Mazepin, acompanhado por Mick Schumacher, para substituir a dupla Romain Grosjean e Kevin Magnussen. Bastou apenas um semestre em 2021 para ver: os americanos estão com problemas ainda maiores na principal categoria do automobilismo.

É que a dupla de pilotos novatos está com dificuldades claras na F1. Mazepin pegou a fama, mas Schumacher também erra bastante. Os dois já bateram aos montes e receberam críticas públicas do chefe Guenther Steiner. O suposto poderio financeiro da família russa vai pelo ralo conforme milhões de euros são gastos em reparos nos carros. Além disso, há a consequência esportiva, já que é difícil sair do fundo do poço com tantos contratempos.

O VF-21 é uma bomba e, convenhamos, não há muito o que Mazepin e Schumacher poderiam fazer, além de não bater. Só que os acidentes, aliados à notória falta de velocidade, deixam muito claro que a Haas virou a pior equipe da Fórmula 1. A Alfa Romeo era uma rival direta em 2020, mas não é mais. A Williams estava atrás, mas já está à frente. Grosjean e Magnussen, tão criticados, faziam o possível com um carro dos mais limitados.

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NIKITA MAZEPIN; RODADA; GP DA ESTÍRIA; TREINO LIVRE 3;
Nikita Mazepin roda no Red Bull Ring. Uma cena recorrente (Foto: F1/Twitter)

O argumento da Haas é que tudo vai valer a pena no longo prazo. O dinheiro da família Mazepin vai viabilizar o projeto do carro de 2022, assim como a dupla de pilotos vai estar melhor adaptada. Ou seja, uma esperança de que é apenas um passo para trás antes de dar dois passos para a frente. Mas até onde isso é factível? As equipes ao redor parecem ter recursos também – a Williams tem o Dorilton Capital, a Alfa Romeo tem a… Alfa Romeo –, significando que não é apenas uma questão de investir aos montes e ter garantia de voar com o novo regulamento.

O que se sabe é que o 2021 da Haas está condenado. A equipe fica no purgatório com um carro que é quase idêntico ao de 2020, fruto da decisão de fazer desenvolvimentos mínimos no carro. A única esperança da escuderia de não terminar o Mundial em último era uma corrida maluca, com pontos vindo de baciada. Tal oportunidade até veio na Hungria, mas não foi aproveitada, com Mick em 12° e Nikita abandonando. Em contrapartida, a Williams somou 10 pontos e se tornou virtualmente inalcançável.

Os pilotos penam nas mãos do VF-21, mas não é como se fossem completos inocentes. Mazepin, que já tinha comportamento altamente questionável fora das pistas, mostrou inabilidade dentro delas. O russo errou muito nos primeiros cinco GPs e, mesmo quando parou de rodar, seguiu perdendo para Schumacher quase sempre. Só nos GPs de Mônaco e da Inglaterra que Nikita terminou à frente. Em 11 GPs até aqui, o novato foi o último colocado em oito ocasiões.

MICK SCHUMACHER; HAAS; ACIDENTE; GP DA HUNGRIA; TREINO LIVRE;
Mick Schumacher também teve sua dose de acidentes (Foto: F1/Twitter)

Isso, entretanto, não quer dizer que a temporada de Schumacher é um esplendor. O alemão, que já teve lentas adaptações em campeonatos menores, repete a dose no palco principal. Os resultados superiores aos de Mazepin, que já não são muito mais do que fazer a obrigação, ficam manchados por acidentes graves. Os GPs de Mônaco, da França e da Hungria tiveram o pupilo arrebentando o VF-21. A sorte é que as consequências esportivas disso são mínimas para alguém que, nas CNTP, larga e termina em 19°. O problema é a questão financeira, em um contexto de teto orçamentário e gastos limitados.

Ainda há meia temporada pela frente, assim como há esperança para 2022, mas o cenário é desolador na Haas. A esquadra que tanto encantou entre 2016 e 2018 está agora em um beco sem saída. O dinheiro de Dmitry Mazepin é um band-aid pequeno demais para uma equipe que não tem performance, não tem estrutura, não tem grandes talentos, não tem uma boa dupla de pilotos.

O chefe Guenther Steiner sabe bem disso tudo, mas não tem muitas opções além de cruzar os dedos e torcer para dinheiro ser realmente tudo que a Haas precisa para voltar a voar mais alto. São perguntas que ficam abertas para 2022, até porque 2021 é um ano de certezas: não há motivo algum para acreditar em menor sofrimento na temporada atual.

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