Hamilton manda recado à FIA sobre protestos na Fórmula 1: “Não vou parar, não vou desistir”

Depois de a FIA considerar um processo de investigação pelo protesto no pódio do GP da Toscana do último domingo, Lewis Hamilton deixou claro que vai continuar a “jogar luz sobre o que acredito ser correto”

“Não vou parar, não vou desistir”. De forma enfática, Lewis Hamilton mandou um recado direto na manhã desta terça-feira (15). O hexacampeão do mundo e cada vez mais perto do hepta escreveu nos stories de sua conta no Instagram pouco depois de a emissora britânica BBC noticiar que a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) desistiu de abrir um processo investigativo sobre a postura do piloto no pódio do GP da Toscana de Fórmula 1 do último domingo.

Antes e depois da corrida realizada no circuito italiano de Mugello, Hamilton vestiu uma camiseta com a seguinte mensagem: “Prendam os policiais que mataram Breonna Taylor”. Lewis tem sido, desde o começo desta atípica temporada 2020, o artífice de protestos que demarcam firmemente sua posição contra o racismo, discriminação de todo o tipo, repressão policial e desigualdade social.

Em Mugello, Hamilton subiu ao pódio com a camiseta que representa o protesto contra a repressão policial em mais um caso de assassinato contra pessoas pretas nos Estados Unidos.

Lewis Hamilton avisou que não vai ceder às ameaças e não vai parar de protestar contra o racismo e a repressão policial (Foto: AFP)

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O gesto levou a entidade que rege a Fórmula 1 a discutir uma eventual quebra de protocolo. No artigo 1.2 do seu estatuto, o órgão diz que “vai evitar se manifestar sobre discriminação por raça, cor, gênero, orientação sexual, etnia, idioma, religião, filosofia, política, situação familiar ou deficiência em suas atividades”.

Entretanto, a determinação da federação vai na contramão da própria Fórmula 1, que iniciou a campanha ‘We Race as One’. O objetivo da categoria é se tornar mais inclusiva em uma temporada que se tornou particularmente desafiadora por conta da pandemia do coronavírus, mas que acontece em um ano de muitos protestos por assassinatos brutais de pessoas pretas ao redor do mundo.

Hamilton avisou que, independente do que aconteça, vai seguir na sua cruzada contra o racismo e qualquer forma de discriminação.

“Bom dia, mundo. Espero que, onde quer que esteja, que você permaneça positivo em corpo e mente. Quero que saiba que não vou parar, não vou desistir, não vou desistir de usar esta plataforma para jogar luz sobre o que acredito ser o correto”, avisou o piloto de 35 anos.

“A vocês que continuam me apoiando e mostrando amor, sou muito grato. Mas esta é uma jornada para todos nós nos unirmos e desafiar o mundo em todos os níveis de injustiça, não somente racial. Podemos ajudar a tornar este mundo um lugar melhor para nossos filhos e as gerações futuras”, complementou no seu texto.

Quem é Breonna Taylor?

Ao lado de George Floyd, o assassinato de Breonna Taylor foi o outro grande estopim das manifestações deste ano. Breonna, mulher preta de 26 anos, era paramédica quando, em março, a polícia invadiu sua casa, na cidade de Louisville, estado norte-americano do Kentucky, na calada da noite.

O motivo da invasão foi uma ordem de mandado de busca e apreensão que não precisava de batida na porta, daqueles que podem ser realizados com pé na porta de supetão. O alvo era um ex-namorado de tempos atrás da paramédica, suspeito de vender medicamentos controlados. As investigações posteriores provaram que nada de errado jamais fora conduzido na casa de Breonna, que nem sabia da situação e nada de culpada tinha em casa ou na história. Ela e o suspeito, Jamarcus Glover, tinham terminado o relacionamento meses antes.

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Lewis Hamilton levou a imagem de Breonna Taylor no pódio do GP da Toscana (Foto: Reprodução)

Os policiais não apenas entraram na casa, mas nem sequer se anunciaram como policiais, o que fez o namorado de Taylor, Kenneth Walker, que dormia ao lado dela, acreditar que se tratava de invasores. Pegou, então, uma arma – registrada e legal -, e fez com que os policiais atirassem 20 vezes na direção dele. Segundo testemunhas anônimas no local, um dos policiais estava do lado de fora da casa e atirou por uma janela que tinha cortina fechada – sem qualquer visão do local, portanto. Breonna Taylor estava dormindo e foi atingida oito vezes. Morreu na hora.

A acusação foi de “total desrespeito com a vida humana”, uma vez que nada havia contra Breonna Taylor e, mesmo assim, sua casa foi invadida de forma silenciosa como se tratasse de busca a um assassino perigoso. O número de tiros em direção também foi flagrante. A autópsia de Taylor aponta que a morte foi homicídio.

Pouco depois, o chefe da polícia de Louisville, Steve Conrad, anunciou que se aposentaria no fim do mês de junho, acuado pelas críticas. Entretanto, antes disso, foi demitido após outro homem preto, David McAtee, ser assassinado pela Guarda Nacional do Kentucky em Louisville durante manifestações pacíficas pela morte de Taylor e Floyd. Os mandados policiais que não exigem manifestação prévia foram suspensos pela prefeitura da cidade.

Os três policiais responsáveis pela batida e morte? Jonathan Mattingly, Brett Hankison e Myles Cosgrove foram colocados em reatribuição administrativa. A corregedoria local e a polícia federal investigam o caso, mas nenhum dos três foi demitido e, muito menos, preso.

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