Hamilton sublinha nome na história ao conquistar 5º título, igualar Fangio e só ter Schumacher à frente

Dono de uma história única na F1, Lewis Hamilton cravou de vez seu nome na história do esporte a motor, neste domingo (28), no México. O inglês alcançou Juan Manuel Fangio e agora pode ser chamado de pentacampeão do mundo

Ele é pentacampeão do mundo. Até o fim da semana passada, Lewis Hamilton não queria falar ou pensar na possibilidade de fechar o campeonato no Circuito das Américas. O inglês preferiu encarar a etapa americana como outra qualquer. O esperado penta não veio e foi adiado por alguns dias. Mas neste domingo (28), repetindo o feito alcançado no ano passado, finalmente Lewis teve a chance de celebrar o quinto título mundial. Mais que isso, agora Hamilton entra para um seleto grupo: apenas o #44, Juan Manuel Fangio e Michael Schumacher alcançaram o número mágico na história. 
 
A marca é tão impressionante que a F1 precisou viver 45 anos até que alguém conseguisse igualar os números do lendário argentino. Agora, 16 anos depois de Schumacher — que, inclusive, superou Fangio —, é a vez de um inglês que tem uma história única no esporte. Apadrinhado por Ron Dennis e a McLaren ainda adolescente, o jovem piloto pode crescer no automobilismo e exibir seu talento, devorando vitórias e títulos até provar que merecia o Mundial. E a equipe inglesa não hesitou em apostar as fichas no britânico. Primeiro negro a correr na F1, Lewis teve de mostrar de cara do que era feito. Logo na estreia, precisou enfrentar a fúria de um bicampeão e venceu, ainda que não tenha levado o título.
 
O ano era 2007. E Hamilton dividia as garagens da esquadra de Woking com Fernando Alonso. A convivência cordial dos primeiros meses foi se transformando em uma rivalidade tão intensa que o espanhol não teve outra alternativa a não ser deixar o time no fim daquela temporada. Antes disso, porém, os dois lutaram ferozmente pelo título, a ponto de Alonso usar de artimanhas, como aconteceu na Hungria, quando ficou parado no pit-lane, impedindo a passagem do companheiro de equipe. A briga toda, no fim, acabou beneficiando um concorrente: Kimi Räikkönen. Correndo por fora, o finlandês ficou com o título naquele ano, o último de um piloto com a Ferrari.
Lewis Hamilton venceu a primeira na F1 no Canadá em 2007 (Foto: Reprodução/Twitter)

Na temporada seguinte, Hamilton teve a equipe ao seu redor e aí partiu para uma nova disputa de título. Agora contra Felipe Massa e a Ferrari. A luta foi intensa, marcada por erros dos dois lados, mas também de exibições de gala de ambos. A disputa chegou à última etapa daquele ano, em Interlagos. Massa venceu o histórico GP do Brasil, mas a chuva no fim e uma ultrapassagem de Hamilton em cima de Timo Glock jogaram a favor do inglês, que se tornou naquele momento campeão mundial.

 
Depois, Hamilton viveu campeonatos mais difíceis. Em 2009, a supremacia da Brawn GP e a inconsistência da McLaren impediram o inglês de avançar na briga. Ainda assim, Lewis conseguiu vencer corridas. Na temporada seguinte, Lewis até esteve na briga, mas, novamente, a irregularidade e as quebras vitimaram o piloto, que teve de enfrentar um outro britânico na equipe: Jenson Button. 2011 viu um domínio implacável de Sebastian Vettel, que liderou a dinastia da Red Bull no começo da década, enquanto, no ano seguinte, a McLaren de novo deixou o britânico na mão, apesar dos triunfos e de ter permanecido na luta pelo título por grande parte da temporada. Só que 2012 acabou sendo um marco na carreira de Lewis.
 
Frustrado com a performance da McLaren e com as amarras impostas por Dennis, Lewis decidiu alçar voos mais altos. E em uma manobra ousada e surpreendente assinou contrato com a Mercedes no fim daquele ano. A equipe alemã ainda não era tão poderosa quanto atualmente — figurava como a quarta força —, mas Hamilton optou por arriscar com a grande mudança de regulamento que viria pela frente na F1. Decisão mais do que acertada. 
Em 2013, a Red Bull dominou, mas Hamilton fez bonito com a Mercedes (Foto: Reprodução/Twitter)
Apesar de um 2013 discreto, a Mercedes emergiu como a equipe a ser batida. O time prata acertou em cheio na construção do novo motor híbrido e o carro sob o novo regulamento, e ninguém foi capaz de ameaçá-los. Tanto que a briga pelo título ficou restrita apenas a Hamilton e a Nico Rosberg. Apesar de certas turbulências em uma rivalidade que se criou entre os dois — que eram muito amigos antes da parceria na Mercedes —, Lewis, já um popstar do esporte, não deu chances ao alemão e levou os campeonatos de 2014 e 2015. 
 
Em 2016, Rosberg endureceu o caldo, mas Lewis se viu às voltas com acidentes e erros, e acabou deixando Nico escapar na ponta. Como de costume, Hamilton cresceu na segunda parte da temporada e encostou no rival, mas uma quebra de motor no GP da Malásia, enquanto liderava a corrida, colocou tudo a perder, e Lewis viu o filho de Keke ser campeão.
 
A disputa entre ambos nas pistas e dentro das garagens foi tão intensa que Rosberg, exausto psicologicamente, decidiu se aposentar no fim daquele ano, anulando qualquer chance de revanche. Aí veio 2017, e Hamilton novamente precisou se recuperar no campeonato depois de sair atrás de Sebastian Vettel, agora novo adversário — a briga entre os dois envolveu até uma batida de ‘trânsito’ do #5 no Azerbaijão. A Ferrari havia construído um carro rápido e consistente, o que permitiu ao tetracampeão encarar a Mercedes e Hamilton. Só que o britânico soube conduzir com paciência e foi aproveitando os erros e a falta de confiabilidade da Ferrari para virar o jogo também na metade final do campeonato, para garantir o quarto título mundial. 
Lewis Hamilton celebra mais uma pole – ele já o recordista deste quesito (Foto: AFP)
Neste ano, a história se repetiu. Mais uma vez, a Ferrari e Vettel se colocaram como adversários fortes, mas erros capitais do piloto, como neste domingo em Austin, e da equipe, acabaram abreviando a disputa. Aliado a isso, ainda houve a espetacular forma de Hamilton, que obteve vitórias improváveis e exibições de luxo, como a pole-position em Singapura e o triunfo na Itália. Outra arrancada fulminante no segundo semestre.
 
E mesmo tendo um carro inferior ao dos italianos durante boa parte da temporada, Lewis conseguiu tirar o melhor das diversas situações e, adotando uma postura altamente cerebral, anulou o rival para conquistar seu quinto título mundial e se igualar a Juan Manuel Fangio. Mais do que isso, Hamilton vem agora acumulando números impressionantes que o colocam cada vez mais perto de Michael Schumacher, o maior vencedor da F1. 
 
Controle emocional 
 
O desempenho forte e avassalador de Hamilton tem muito a ver com o ambiente na Mercedes, mas também com uma mudança de postura do britânico. Durante o período em que esteve na McLaren, Hamilton tinha como ponto fraco a instabilidade emocional. Apesar de letal em voltas rápidas e consistente em ritmo de corrida, o piloto deixava transparecer certo nervosismo por situações que aconteciam fora da pista. E cometia erros. Porém, com o amadurecimento — que veio depois do processo de separação do pai, Anthony Hamilton, como seu agente —, Hamilton foi se tornando também mentalmente muito forte, sabendo separar a vida profissional do que acontecia fora das pistas.

E esse comportamento alcançou o auge nas duas últimas temporadas. Mesmo investindo em diferentes setores, especialmente moda, Hamilton segue consistente e firme nas pistas. Raramente comete erros e esmaga seus rivais com performances precisas. 

 
Inteligente, Hamilton soube, com o passar dos ano,s se tornar um cidadão do mundo e um homem independente. Lewis transita com facilidade entre o implacável mundo do esporte de alto nível e seus interesses fora das pistas. Também conversa como ninguém com os fãs e tem uma legião de seguidores por todo o planeta, ajudando a popularizar a F1. Não é à toa que o britânico é o maior embaixador do esporte no momento. E agora, como pentacampeão, também se iguala de vez aos maiores da história.

GRANDE PRÊMIO cobre ‘in loco’ o GP do México de F1 neste fim de semana com a repórter Evelyn Guimarães.

E o Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1 acontece este ano nos dias 9, 10 e 11 de novembro, no autódromo de Interlagos. Os ingressos para a corrida estão disponíveis no único site oficial do evento: www.gpbrasil.com.br.

GOSTA DO CONTEÚDO DO GRANDE PRÊMIO?

Você que acompanha nosso trabalho sabe que temos uma equipe grande que produz conteúdo diário e pensa em inovações constantemente. Mesmo durante os tempos de pandemia, nossa preocupação era levar a você atrações novas. Foi assim que criamos uma série de programas em vídeo, ao vivo e inéditos, para se juntar a notícias em primeira-mão, reportagens especiais, seções exclusivas, análises e comentários de especialistas.

Nosso jornalismo sempre foi independente. E precisamos do seu apoio para seguirmos em frente e oferecer o que temos de melhor: nossa credibilidade e qualidade. Seja qual o valor, tenha certeza: é muito importante. Nós retribuímos com benefícios e experiências exclusivas.

Assim, faça parte do GP: você pode apoiar sendo assinante ou tornar-se membro da GPTV, nosso canal no YouTube