‘Homem ao mar’, Ocon começa 2020 como própria carreira: com freio de mão puxado

Esteban Ocon tem na Renault a última grande chance de impressionar a Mercedes - e talvez até de ter uma carreira longa na Fórmula 1. Até agora, vai mal

Quem caracterizar a trajetória de Esteban Ocon na Fórmula 1 como ‘estranha’, não estará cometendo injustiças. Da Manor para a Force India, de lá para a rua e a Renault. Até aqui, ancorado pela Mercedes, mas cada vez mais solto da coleira prateada. Na fábrica francesa como ele, onde estreia na condição de piloto emprestado, porém, começou o ano de maneira opaca, diferente do que se esperava de um piloto com a carreira em encruzilhada.

Por que em encruzilhada? Porque cada vez menos o futuro de Ocon parece estar na Mercedes. Sim, é a Renault que ele defende atualmente – e chegaremos nos amarelos -, mas primeiro há que se falar das conjecturas do jovem que um dia foi favorito a assumir um futuro num dos dois assentos mais cobiçados no Mundial de Fórmula 1.

Quando, em 2016, Ocon foi escolhido pela Force India para dar um passo à frente, saído da Manor após somente alguns meses no que era um confronto direto de pupilos da Mercedes com Pascal Wehrlein, parecia destinado ao sucesso e a um futuro de brigas por vitórias e títulos. Mas o tempo passou. Um golpe de azar custou a vaga em 2019, tudo bem, mas os alemães direcionaram os olhos mais carinhosos para George Russell. Em julho de 2020, seria ingênuo negar que é Russell quem ocupa a posição #1 no ranking de preferências da Mercedes.

E, desta forma, Ocon foi deixado para morrer no sistema da pilotos da Mercedes. Jogado ao mar e emprestado para a Renault, que gostaria de contar com ele desde anos atrás, para que tenha um espaço. Superar Russell só com superioridade magistral.

Mas o começo de temporada de Ocon é, como dito anteriormente, opaco – como a própria Renault também é. É necessário se destacar, no entanto, que o oitavo lugar de Ocon na Áustria foi bastante menos impressionante que a exata mesma colocação de Daniel Ricciardo, seu companheiro, nos GPs da Estíria de Hungria. Ricciardo apareceu entre carros melhores, largou mão de estratégia instigante, arriscou e, embora na mesma posição, mostrou muito mais.

Ocon foi oitavo numa prova em que 11 carros terminaram e esteve praticamente sumido. Depois, na Estíria, ensaiou um ótimo fim de semana e viveu o melhor momento dele no campeonato: classificou na quinta colocação, bem acima das possibilidades reais da Renault, nas condições de chuva. Com tudo mais ou menos igualado, brilhou.

O brilho, porém, não durou. Começou a cair no começo da prova e, com 25 voltas, recolheu para os boxes. Tinha problemas de superaquecimento, uma falha no sistema de resfriamento como a que Ricciardo tivera na Áustria, e abandonou. Na Hungria, classificou e terminou em 14º. Tenha mente: com 19 carros chegando ao fim, Ocon ficou à frente apenas das Williams, das Alfa Romeo e de uma das Haas, a de Romain Grosjean. Muito pouco.

“Foi um fim de semana duro desde o começo. Não estamos felizes, claro, estamos todos decepcionados e só podemos melhorar daqui para frente. Precisamos aprender e voltar mais fortes. Muita coisa aconteceu na corrida, mas não progredimos em qualquer condição de pista. Precisamos revisar tudo e trabalhar pesado para evitar esses resultados. As duas primeiras provas foram decentes, mas não melhoramos muito para essa”, comentou depois da corrida.

É verdade que a Renault precisa revisar tudo e melhorar, precisa crescer porque em condições normais está atrás até da AlphaTauri – a Ferrari é uma incógnita. Mas é necessário que Ocon se agarre com mais força à boia salva-vidas. O começo de 2020 do francês é fraco.

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