Honda considera retorno à F1 em longo prazo, mas antes mira sucesso no WTCC, diz executivo

A montadora japonesa deixou a F1 no auge da crise econômica mundial, em 2008, mas sempre se manteve envolvida, de certa forma, com o esporte a motor. Além da Indy e da MotoGP, a fábrica centra seus esforços agora no Dakar e no WTCC

Uma das marcas mais importantes e tradicionais do automobilismo em todo mundo pode retornar à F1. A Honda, que deixou a categoria como equipe no fim do Mundial de 2008, no auge da crise econômica que também culminou, um ano mais tarde, nas saídas de Toyota e BMW, considera voltar ao esporte em longo prazo. Quem afirma é o membro do conselho da montadora e diretor-executivo da Honda R&D (Research and Development, ou, em português, Pesquisa e Desenvolvimento), Yoshiharu Yamamoto.

“Não posso falar pela Honda, mas, em nível pessoal, eu amo as corridas, mas há muita coisa envolvida quando você está na F1”, disse o executivo em entrevista concedida à revista britânica ‘Autosport’. “É o topo do automobilismo, e isso requer um grande compromisso. Mas é verdade que nós prestamos atenção nessas corridas e espero que um dia possamos participar novamente”, sinalizou Yamamoto.

A Honda considera retornar à F1 em um futuro distante (Foto: Divulgação)

Entretanto, o membro do conselho da Honda deixe aberta a possibilidade de retorno à F1, fato é que, se de fato tal possibilidade for concretizada, será em um futuro relativamente distante. “Pessoalmente, não acho oque nós podemos voltar imediatamente, mas há um potencial para que as regras mudem e isso [possa] nos atrair. Eu sigo as regras, certamente, e se eles [Honda] apresentarem uma oportunidade, então seria ótimo voltar”, afirmou.

Antes de voltar à F1, a Honda quer se fazer vencedora em seu mais novo projeto no automobilismo, o Mundial de Carros de Turismo. Para 2013, temporada que vai marcar o início de uma nova era da marca, Gabriele Tarquini e Tiago Monteiro vão liderar o projeto da Honda no WTCC. “A primeira coisa que devemos fazer é vencer no WTCC, e então, talvez possamos mirar mais além”, disse Yamamoto, condicionando um eventual retorno à F1 aos resultados neste campeonato, a partir do próximo ano.

Como equipe, a Honda disputou 88 GPs em épocas bastante distintas na F1. Sempre construindo seus próprios motores, a equipe nipônica fez sua estreia no GP da Alemanha de 1964, tendo como piloto o norte-americano Ronnie Bucknum. A primeira vitória veio no ano seguinte, mais precisamente no GP do México, pelas mãos do também estadunidense Richie Ginther.

No fim de 1968, a Honda deixou a F1 pela primeira vez, para retornar em 1983, não mais como equipe, mas como fornecedora de motores. Foi um dos projetos mais vencedores da história da F1 e que culminou em seis títulos mundiais de Construtores (1986 e 1987, com a Williams de Nigel Mansell e Nelson Piquet, e entre 1988 e 1991 com a McLaren) e outros cinco de Pilotos (Piquet, Ayrton Senna, Alain Prost e mais dois títulos de Ayrton).

Em 1992, diante da supremacia dos motores Renault, a Honda decidiu deixar a categoria no fim daquela temporada para concentrar seus esforços em outras áreas do automobilismo, como o fornecimento de motores para a F3 e o desenvolvimento dos propulsores para a Indy (Cart, à época). No período entre 1996 e 2000, a Honda foi dominante no certame norte-americano, sobretudo com a Ganassi de Jimmy Vasser, Alessandro Zanardi e, depois, Juan Pablo Montoya.

Como fornecedora de motores, a Honda voltou para a F1 em 2000 como parceira da BAR, então equipe de Craig Pollock, a British America Tobacco e Jacques Villeneuve. Na sequência daquela década, o time evoluiu de maneira significativa, até que, em 2004, chegou ao incrível vice-campeonato mundial de Construtores, ficando apenas atrás da dominante Ferrari. Era o que faltava para encorajar a Honda a voltar à F1 como equipe.

No fim de 2005, a Honda comprou a BAR e voltou à F1 como equipe, quase 40 anos depois do GP do México de 1968. E, de fato, o primeiro ano foi bastante animador, com bons resultados da dupla Jenson Button-Rubens Barrichello, como a vitória do britânico em Hungaroring. Ao mesmo tempo, a Honda tinha uma segunda equipe, a Super Aguri, gerenciada por Aguri Suzuki e que tinha como um dos seus pilotos Takuma Sato.

Mas os anos seguintes foram muito difíceis para a Honda. Em 2007, com um carro de pintura belíssima — preto e com o globo terrestre estampado —, foram apenas seis pontos conquistados, todos com Button. Já em 2008, com um carro predominantemente branco e verde, foram 14 pontos, sendo 11 de Barrichello. A falta de bons resultados, mais o alto investimento e a gravidade da crise econômica, sobretudo no Japão e Estados Unidos, contribuíram para que a Honda deixasse novamente a F1 no fim daquele ano.

Entretanto, a Honda sempre se fez presente no esporte a motor. Além de ser uma das principais fornecedoras de motores da Indy, a montadora, na divisão de motos, segue vencendo títulos na MotoGP e, a partir de 20013, estará de volta ao Dakar com equipe própria após 23 anos de ausência. Um dos seus pilotos entre Peru, Argentina e Chile será o brasileiro Felipe Zanol.

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