Todt defende GP da Arábia Saudita: “Esporte e política não deveriam se envolver”

Jean Todt defendeu a presença da Fórmula 1 na Arábia Saudita por acreditar que esporte e política não devem se envolver. País do Oriente Médio é conhecido mundialmente por desrespeitar e violar os direitos humanos

Verstappen arrisca na estratégia e bate Hamilton: os melhores momentos do GP da França (GRANDE PRÊMIO com Reuters)

Presidente da FIA, Jean Todt saiu em defesa da Fórmula 1 em relação ao tema direitos humanos. A categoria recebeu uma chuva de críticas por confirmar a realização do GP da Arábia Saudita. O país é criticado pelo histórico de desrespeitos e violações, e também por ser adepto do ‘sportswash’, pagando para receber eventos esportivos grandes com a intenção de melhorar a própria imagem no exterior.

Todt, que também exerce papel na ONU sobre segurança no trânsito, revelou conversas com diversos representantes para sair em defesa da realizações de eventos esportivos em países como Arábia Saudita, Azerbaijão, Bahrein e Rússia.

“Se você olhar o painel que fizemos sobre segurança no trânsito, temos Michael Elisson, ex-comissário de direitos humanos. Temos a Michelle Bachelet, que é comissária de direitos humanos, o Filippo Grandi, comissário de refugiados. De alguma forma, é um privilégio debater isso com eles”, disse o mandatário.

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Jean Todt criticou envolvimento político na F1 (Foto; Reprodução)

“Ontem, Stefano [Domenicali] veio me visitar, e recebi Jacques Toubon, ex-ministro de justiça que até o ano passado era o encarregado de direitos humanos na França, e falamos sobre isso. Todos são a favor de ter corridas em todas as partes do mundo, somos um esporte”, afirmou o dirigente.

A discussão sobre direitos humanos vem no momento onde manifestações crescem na Fórmula 1, especialmente por parte do heptacampeão mundial Lewis Hamilton, idealizador dos atos antirracistas antes das corridas. Todt não concorda com o envolvimento de política com esporte, e afirma o desejo de diálogo com ONGs locais de países como a Arábia Saudita.

“Também é algo que discuto com o COI [Comitê Olímpico Internacional], com Thomas Bach, porque eles têm o mesmo problema. E consideramos que o esporte não deveria se envolver com política”, citou.

“Precisamos nos engajar com as ONGs. E falo de boas ONGs, como a Human Rights Watch, que são pessoas adequadas para tentar dizer que tipo de contribuição podemos dar? Então estamos trabalhando nisso. Você pode interpretar da maneira que te ajudar. Na minha opinião, ir para estes países dá uma chance para as pessoas que são negativas sobre o país falarem, o que provavelmente não fariam de outra forma”, concluiu.

O GP da Arábia Saudita será a penúltima etapa da Fórmula 1 em 2021, e está marcado para acontecer no dia 5 de outubro.

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