F1

Kubica diz que “personalidade forte” foi chave para lidar com lado psicológico após acidente de rali

Robert Kubica saiu do acidente de rali de 2011 com fraturas e lesões. Mesmo assim, a recuperação física não foi nem a pior parte: de acordo com o polonês, o difícil mesmo é cuidar do psicológico em meio à incerteza sobre o futuro

Grande Prêmio / Redação GP, de Berlim
GUIA 2019
O acidente de rali de 2011 deixou Robert Kubica com diversas fraturas, vida ameaçada e carreira incerta. O polonês precisou de tempo para voltar a ter um corpo saudável – mas engana-se quem pensa que esse foi o ponto final na recuperação. De acordo com Kubica, a parte mais difícil no processo de retorno às pistas não foi o físico, e sim o mental.
 
É que Kubica, ao mesmo tempo que ficou surpreso com a adaptabilidade do cérebro à nova realidade, descobriu também que não seria difícil enfrentar as diversas pedras no caminho da recuperação.
 
“A época logo após o acidente provavelmente foi a mais difícil do ponto de vista físico”, recordou Kubica, entrevistado pelo jornal ‘The Guardian’. “Você passa a viver em uma situação diferente, então no fim das contas você começa a mudar sua cabeça. Você precisa aprender [a lidar com as mudanças] e quer aprender. Eu descobri como o cérebro pode ser poderoso. Ele se adapta muito rapidamente, é incrível como ele consegue se adaptar e como você pode progredir em um curto espaço de tempo”, continuou.
Robert Kubica trilhou um caminho tortuoso até voltar à F1 (Foto: Xavi Bonilla/Grande Prêmio)
“Quando você se adapta mentalmente, foi aí que ficou ainda mais difícil. Questões físicas você consegue resolver, mas teve várias vezes que, após fazer cirurgia para resolver coisas, descobri que não andei pra frente, e sim para trás. Lidar com isso é uma tarefa mental, você precisa ser forte. Eu tenho uma personalidade forte e isso definitivamente me ajudou muito naqueles dias”, seguiu.
 
A “personalidade forte” de Kubica ajudou a buscar a F1 novamente ainda durante 2017. O primeiro passo foi o posto de piloto reserva da Williams em 2018, que logo traria a promoção à titularidade em 2019. O polonês forma dupla com George Russell agora.
 
“Você não ganha nada ao desistir. Eu sabia que isso não resolveria meus problemas. Você precisa encarar a realidade, se adaptar e seguir em frente. É simples, você não ganha nada ao desistir”, encerrou.
 
O primeiro GP de Kubica desde o de Abu Dhabi em 2010 é no próximo fim de semana, na Austrália.