Hamilton deixa início irregular para trás e busca octa após recuperação histórica

Lewis Hamilton teve temporada diferente em 2021, em que precisou correr atrás da Red Bull. No entanto, o inglês despertou na hora certa para se recuperar e chegar empatado na final, em busca do octacampeonato inédito

F1 NA ARÁBIA: HAMILTON VENCE, VERSTAPPEN 2°: EMPATE NA DECISÃO | Briefing

Lewis Hamilton e Max Verstappen chegam à última corrida da Fórmula 1 2021 em uma situação que nem os fãs mais alucinados do automobilismo sonhariam. Com ambos empatados em 369,5 pontos, será a primeira vez desde 1974 que dois postulantes ao título vão à última corrida com a mesma soma na pontuação na categoria. Em uma temporada que chegou a parecer perdida na Cidade do México, o britânico heptacampeão do mundo conseguiu um sprint final vital, com três vitórias seguidas, para chegar em Abu Dhabi com chances reais de assegurar o octa e se isolar como o maior campeão da história.

Apesar da alta pontuação após 21 etapas e a coliderança do campeonato — claro, atrás no desempate de Verstappen, que tem uma vitória a mais —, a temporada não foi simples para Hamilton como tinham sido as últimas, em que o inglês venceu simplesmente todos os títulos da era híbrida com exceção feita a 2016, quando Nico Rosberg triunfou também pela Mercedes. A Red Bull apresentou um conjunto realmente desafiador à escuderia alemã em 2021 e se mostrou inclusive superior em boa parte do ano. No entanto, o atual tetracampeão consecutivo despertou nesta reta final e dizimou a vantagem do holandês. Com auxílio vital do time.

Tudo começou no Bahrein, quando a Red Bull deu a primeira mostra à Mercedes de que realmente vinha para brigar pelo título em 2021. E, dentro das pistas, a corrida foi um aperitivo do que seria visto ao longo da temporada, com Hamilton e Verstappen batalhando ferozmente na pista. Lewis triunfou em Sakhir, logo após Max conseguir a ultrapassagem e ter que devolver a posição, após exceder os limites de pista. A primeira corrida do ano já reservou a primeira polêmica. Era um prenúncio do que viria por aí.

MAX VERSTAPPEN; LEWIS HAMILTON; GP DO BAHREIN; F1
Momento em que Verstappen ultrapassa os limites da curva 4 para superar Hamilton no Bahrein (Foto: Reprodução)

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Após resultados positivos nas três corridas seguintes — segundo em Ímola, e vencedor em Portugal e na Espanha — o campeonato começou a se complicar para o heptacampeão, que naquele momento ainda ocupava a liderança. Um raríssimo e quase inexplicável sétimo lugar em Mônaco, em um final de semana que Hamilton não se encontrou com o carro, dava o tom do que estava por vir. Aí veio o Azerbaijão, com uma corrida que poderia ter sido decisiva para o destino de ambos no campeonato e reservou emoções inesperadas na reta principal do circuito de Baku.

Primeiro, Verstappen teve um furo no pneu em momento que liderava a corrida, e deixou o carro claramente inconformado com o problema — chegou a chutar a roda do RB16B. A vitória cairia no colo de Hamilton, que passaria a ser o líder da corrida, mas simplesmente apertou um botão errado em seu volante em uma relargada. O inglês passou reto na curva 1, e em uma disputa que provavelmente somaria uma boa quantidade de pontos, talvez até 25, terminou em 15º lugar, zerado.

Hamilton até voltou ao pódio nas duas corridas seguintes, ao ser segundo colocado em França e Estíria, mas viu Verstappen ganhar as duas e ainda triunfar na Áustria, quando o inglês chegou em quarto e a diferença foi parar nos 32 pontos entre os dois. Ou seja, foram cinco corridas de jejum para o britânico e aquela sensação de que o campeonato poderia, sim, já até estar acabando.

Lewis só voltou a vencer em casa, no GP da Inglaterra, quando ambos bateram logo na largada e Max abandonou. O inglês até foi punido, mas triunfou com penalização e tudo. Mas aquilo parecia ter sido só um sopro de esperança, porque, depois, foram mais quatro corridas sem vitória até o GP da Rússia, passando em branco na Hungria, na não-corrida da Bélgica, na Holanda, onde Max passeou e, claro, na Itália, onde a rivalidade entre os dois pegou fogo de vez, com ambos abandonando em uma cena de comédia pastelão, com Verstappen subindo no carro de Hamilton.

Situação na Turquia parecia cada vez mais complicada para Hamilton com o quinto lugar (Foto: AFP)

Desta forma, Lewis via a diferença para Max no campeonato aumentar cada vez mais, já que o holandês praticamente não oscilou: foi primeiro ou segundo em absolutamente todas as corridas que completou, exceto no GP da Hungria, quando foi acertado por Valtteri Bottas e ainda conseguiu fechar em nono com o carro aos pedaços. Além disso, conseguiu algo que o inglês só foi alcançar na Arábia Saudita, penúltima etapa do ano: três vitórias seguidas — que poderiam ser cinco, não tivesse abandonado no Azerbaijão sem culpa alguma.

O GP da Turquia reservou momentos de extrema tensão na Mercedes, que errou na estratégia e viu sua situação parecer cada vez mais complicada. Apesar da quinta posição, após ser vencido por Sergio Pérez em disputa intensa, deve-se levar em consideração que Hamilton largou em 11º devido à troca de motor em sua Mercedes, algo que se provaria vital para o restante do ano. O rendimento superior do carro #44, entretanto, não foi suficiente para vencer duas etapas em que os carros da Red Bull foram perfeitos, nos EUA e no México — esta última, um verdadeiro passeio de Verstappen. A primeira, uma virada surreal dos taurinos da noite para o dia.

Com 19 pontos de desvantagem no campeonato, chegou o GP de São Paulo, que merecia um texto à parte, para sermos justos. Hamilton trocou novamente uma peça do motor, buscando mais potência, foi punido com perda de cinco posições no grid e ainda desclassificado da classificação para a corrida sprint, na qual teve de largar em último por uma irregularidade na asa. Verstappen chegou em segundo na disputa que define o grid de largada, então somou mais dois pontos e aumentou a vantagem para 21.

No Brasil, Lewis Hamilton teve atuação poucas vezes vista na Fórmula 1 e mostrou que estava vivo (Foto: Mercedes)

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Mas aí, Hamilton acordou. Mordido e com a faca entre os dentes, Lewis simplesmente passou por 15 carros na corrida sprint de Interlagos e outros nove na corrida principal, no dia seguinte. Desta forma, o heptacampeão ultrapassou absolutamente todos os pilotos do grid durante um só final de semana. O motor “apimentado” da Mercedes fez diferença, e nem a manobra questionável de defesa de Max na volta 48 foi suficiente para evitar o triunfo.

Hamilton manteve o pique no Catar e na Arábia Saudita, com mais duas vitórias — em Jedá, mais um triunfo cercado de polêmicas pela rivalidade feroz entre os postulantes ao título e, especialmente, o tipo de defesa do rival — e chegará em Abu Dhabi com a consciência de que tudo vai praticamente zerado para a última corrida do ano: quem terminar à frente, é campeão. Em caso de abandono duplo, a taça fica com Verstappen, que venceu nove vezes contra oito de Lewis. E, sim, esse cenário não deve ser desprezado.

Em uma temporada marcada por altos e baixos do heptacampeão, algo que não havia sido visto na era híbrida desde a aposentadoria de Rosberg, Hamilton ainda assim consegue chegar à última corrida com chances reais de título, em pé de igualdade com Verstappen — que teve um carro melhor durante boa parte da temporada, além de apresentar também mais regularidade.

O sonho da Mercedes é conseguir um 1-2 para o grid de largada de Abu Dhabi, com Hamilton em primeiro e Bottas em segundo. Tudo o que a escuderia alemã mais quer evitar é um novo encontro com Verstappen em uma disputa de posição, que pode ser fatal nas ambições pelo título. O desfecho da temporada 2021 vai se apresentando à altura do que foi o ano mais emocionante de toda a era híbrida da Fórmula 1. Um verdadeiro encerramento com chave de ouro e que pode dar em um octa inédito na história da categoria.

A perseverança de Hamilton foi fundamental para vencer uma corrida caótica em Jedá e empatar na liderança do campeonato (Foto: Mercedes)
Verstappen diminuiu a velocidade no meio da pista e foi atingido por Hamilton em Jedá (Vídeo: Reprodução/F1TV)
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