Hamilton lembra risco ao ir para Mercedes e diz: “Teria só um título se ficasse na McLaren”

O grande divisor de águas na carreira de Lewis Hamilton foi no segundo semestre de 2012, quando surpreendeu o mundo da Fórmula 1 ao trocar a estabilidade de uma equipe vencedora como era a McLaren à época por uma Mercedes que ainda estava em processo de construção. Hoje, quase dez anos depois, o heptacampeão entende que valeu a pena ter arriscado

É possível dizer que uma decisão tomada por Lewis Hamilton foi decisiva para que hoje, em 2021, o britânico de 36 anos ostente nada menos que sete títulos mundiais e seja o maior vencedor da história da Fórmula 1. Há quase dez anos, no segundo semestre de 2012, o piloto surpreendeu o mundo do esporte a motor ao trocar a estabilidade de uma equipe sólida, vencedora e que o formou para o automobilismo desde o kartismo e o promoveu ao grid da Fórmula 1, como a McLaren, pela Mercedes, que ainda estava em processo de construção e que tinha somente uma vitória depois de três anos após o retorno ao Mundial.

Depois de ter sido procurado por Niki Lauda, que era presidente não-executivo da Mercedes, Hamilton anunciou a decisão que mudou sua carreira e, por que não dizer, mudou a própria história da Fórmula 1. Dos sete títulos mundiais, das 95 vitórias e das 98 poles conquistadas ao longo de 15 temporadas, Lewis conquistou 74 triunfos, largou na posição de honra outras 72 vezes e faturou seis taças do mundo representando a Mercedes ao longo de 156 GPs disputados em 8 temporadas seguidas.

Hamilton se inspirou em Senna para assumir riscos e deixar a McLaren no fim de 2012 (Foto: McLaren)

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Enquanto ainda negocia a renovação do seu contrato com a equipe que ajudou a também conquistar sete títulos do Mundial de Construtores, Hamilton recordou, em podcast publicado pela Crowdstrike, patrocinadora da Mercedes, como foi o divisor de águas da sua trajetória na Fórmula 1.

“Estava na McLaren desde os 13 anos, então era minha família, estava muito seguro lá. Fui muito bem cuidado. Mas acho que a McLaren tinha uma história incrível, eles tinham vários títulos, eram super bem-sucedidos, e eu sentia que não estava necessariamente ajudando a construir algo”, comentou.

“Já era uma equipe consagrada, já tinha todo aquele sucesso. Tinha a maior galeria de troféus, e eu queria ir para algum lugar onde pudesse ajudar, onde pudesse ser uma grande parte da construção de algo”, disse Lewis.

Hamilton foi contratado pela Mercedes para substituir Michael Schumacher, que havia se aposentado de forma definitiva no fim de 2012. Até então, naquela época, a escuderia de Brackley estava em ascensão e era a quarta força do grid, mas tinha apenas uma vitória, conquistada por Nico Rosberg no GP da China. Com a chegada de Hamilton, a Mercedes apresentou grande crescimento, que virou hegemonia em 2014 com a nova era híbrida dos motores na Fórmula 1. Desde então, a equipe chefiada por Toto Wolff domina o Mundial.

Em contrapartida, a McLaren iniciou uma fase decadente na Fórmula 1 justamente após a saída de Hamilton. Desde o fim de 2012, mais precisamente no GP do Brasil daquela temporada, vencido por Jenson Button, a equipe de Woking jamais voltou a vencer. Nos dois últimos anos, com Carlos Sainz e Lando Norris na pista, Andreas Seidl como chefe de equipe e Zak Brown como chefão, a McLaren renasceu, voltou aos pódios e, em 2020, terminou o Mundial de Construtores em terceiro lugar.

“Quando entrei para esta equipe, não havia muitos troféus no armário. A equipe estava subindo, crescendo, sendo construída. Havia mais gente chegando. E eu estava querendo ir para algum lugar e ver se era possível usar tudo o que aprendi em todos esses anos, usar o privilégio de ter trabalhado na McLaren, aplicar todos esses ensinamentos a uma equipe que não tinha tanto sucesso para torná-la bem-sucedida”, comentou.

Mas Lewis revelou que teve seus momentos de dúvida antes de assinar com a Mercedes. “Certamente, houve momentos em que eu estava como ‘nossa, não sei quando vou vencer de novo’. Tive de analisar muitos prós e contras. Mas era sobre correr o risco. [Ayrton] Senna costumava dizer: ‘Se você não quiser mais correr riscos, você não é mais um piloto’. Acho que você fica parado se não correr riscos na vida”.

No fim das contas, Hamilton tomou uma decisão da qual não se arrepende. “Então, poderia ter ficado lá [na McLaren]. Em retrospectiva, você vê: se tivesse ficado, não teria outro título no meu nome. Eu ainda seria campeão mundial só uma vez em 14 anos”, afirmou.

No fim das contas, hoje consagrado como um dos maiores pilotos de todos os tempos, Hamilton agradece pela chance de ter mudado os rumos da sua carreira e traz no seu coração um personagem fundamental naquele momento. “As coisas acontecem por uma razão, de uma forma ou de outra. E eu estou muito, muito grato por ter dado esse passo. Dei aquele salto de fé. E é graças a pessoas como Niki — que sua alma descanse —, Ross [Brawn] e a Mercedes por acreditarem realmente em mim”.

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