CEO do Liberty Media diz que “não está preocupado” após prejuízo bilionário da F1

Em que pese a considerável perda de US$ 386 milhões (ou R$ 2 bilhões) em um ano passado todo prejudicado pela pandemia, Greg Maffei, o chefão do Liberty Media, mantém o otimismo de que o cenário financeiro da Fórmula 1 vai ser mais favorável em 2021 e num futuro próximo

No último fim de semana, o Liberty Media revelou que a Fórmula 1 sofreu um prejuízo de grandes proporções na última temporada. A perda, registrada no balanço anual da companhia, foi de US$ 386 milhões (ou cerca de R$ 2 bilhões). A pandemia de Covid-19, que levou a categoria a reduzir todo o seu cronograma ao segundo semestre e realizar apenas 17 corridas, a maior delas sem público e com o calendário todo concentrado na Europa e no Oriente Médio, foi determinante para o prejuízo. Entretanto, Greg Maffei, CEO do Liberty Media, deixou claro que há motivos para ficar otimista com o futuro. Por isso, não há grandes preocupações.

Na realidade, segundo o grupo que detém os direitos do Mundial, o lucro até existiu, de U$ 17 milhões (pouco mais de R$ 90 milhões), mas após os pagamentos para as equipes, se transformou em prejuízo.

Com apenas três GPs com a presença do público, e ainda assim de forma bastante reduzida, o dinheiro oriundo da renda de bilheteria desabou. Outro exemplo da redução na entrada de dinheiro na categoria foi a queda de 30% para 12% na representação total do orçamento vindo de taxas da organização de cada GP. Conforme publicado pelo Liberty, algumas etapas não pagaram essas obrigações, enquanto outras tiveram o valor diminuído.

O Liberty Media confia em ter um ano mais normal na F1 em 2021 (Foto: Racing Point)

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Contudo, na visão do executivo norte-americano de 60 anos, não há motivos para entrar em pânico neste momento. “Acho que uma das coisas sobre fazer parte do grupo Liberty é que temos a capacidade de olhar para o futuro e sermos atenciosos com o benefício das nossas empresas operacionais. O balanço patrimonial da Fórmula 1 é muito, muito forte. Acho que os níveis operacionais que temos em nossos acordos são bons. Portanto, não estou muito preocupado”, salientou o dirigente em conferência com investidores de Wall Street, nos Estados Unidos.

Maffei lembra que ainda é preciso ser cauteloso, uma vez que a duração da pandemia seja bastante incerta, mesmo com o processo de vacinação contra a Covid-19, especialmente na Europa e no Oriente Médio.

“Certamente não estamos exatamente no negócio de bolas de cristal. Mas nosso negócio é tentar nos preparar para ter certeza de que nos beneficiaremos quando tudo isso estiver aberto, e que estaremos prontos se isso não acontecer quanto à mudança ou no ritmo que gostaríamos”, comentou.

Também no último fim de semana, Chloe Targett-Adams, diretora-global de promoção de corridas da Fórmula 1, afirmou seu otimismo sobre a presença de público na maior parte das provas ao longo de 2021. Sobre o assunto, Maffei não mostrou o mesmo otimismo, mas acredita que haverá alguma normalidade sobretudo nos meses finais do ano.

“Teremos uma variedade de alternativas onde os fãs vão estar em algum grau. E acho que não vai ser binário, não vemos necessariamente isso como zero a 100. Mas estaremos potencialmente em algum lugar no meio disso. Portanto, estou mais otimista quanto ao final do ano, uma vez que vamos atingir 100% da capacidade”, disse.

“Acho que a receita dos promotores ainda vai ser reduzida em 2021, certamente na comparação com o que teríamos em um ano sem pandemia. Teremos públicos restritos e fãs restritos em alguns dos nossos eventos. Não estamos aqui para fazer uma previsão, em parte porque parte disso ainda está no ar, flutuando. Definitivamente vamos ser afetados”, pontuou.

Entretanto, com a confiança da cúpula da Fórmula 1 em levar adiante o cronograma originalmente traçado com 23 GPs no calendário, a expectativa é que 2021 fique longe de registrar o prejuízo visto na temporada passada.

“Esperamos um fluxo de receita de transmissão razoavelmente normal levando em conta as nossas 23 corridas. Agora, novamente, nenhuma bola de cristal sobre exatamente como o Covid funciona. Mas nosso objetivo era tentar suportar a dor em 2020, na medida em que tínhamos de fazer concessões a algumas das nossas emissoras. Nosso objetivo era, tanto quanto possível, tornar aquele evento [possível] em 2020 e trazer em 2021 de volta ao normal. Essa é a nossa esperança e expectativa. Mas a Covid pode mudar isso, como um aviso”, ressaltou.

Com o público em casa, o aumento na porcentagem dentro do total dos rendimentos da F1 ficou claro na venda de direitos de transmissão para a TV: de 38% para 55%. Mesmo assim, com valores menores. “Os valores brutos vindos de transmissões caíram, em razão das mudanças já citadas no calendário, além de negociações contratuais ocorridas unicamente em 2020”, disse a categoria em comunicado.

A esperança do Liberty Media é que, na esteira das novas diretrizes do Pacto da Concórdia, o acordo que rege as relações comerciais entre F1, FIA (Federação Internacional de Automobilismo) e as equipes, a perspectiva de maiores ganhos seja maior nos próximos anos.

“Daqui em diante, com o novo Pacto da Concórdia, temos uma estrutura que, à medida em que aumentamos a rentabilidade, temos a oportunidade de retomar um pouco do que historicamente a F1 ganha. Com o passar dos anos, as taxas vão ficar mais atrativas para nós. Se vamos atingir isso em 2021, levando em conta os riscos da pandemia, não estou tão confiante, mas nos anos que estão por vir, ao passo em que continuarmos a ter um negócio totalmente saudável, acredito que nossa participação vai aumentar ligeiramente”, explicou Greg Maffei.

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