Liberty Media e FIA miram reduzir poder das equipes a partir de 2021

De acordo com a revista alemã ‘Auto Motor und Sport’, a FIA e o Liberty Media trabalham em conjunto para fazer com que as equipes do grid da Fórmula 1 tenham menos influência sobre os rumos do esporte. Algumas mudanças só podem ir adiante com a aprovação unânime dos times, algo que a empresa dona do esporte e a entidade visam mudar drasticamente em 2021

A F1 trabalha para mudar drasticamente os rumos do esporte a partir de 2021, tanto no aspecto técnico como esportivo e também quanto aos direitos comerciais e distribuição de receita. Ao longo dos últimos meses, várias reuniões envolvendo a FIA (Federação Internacional de Automobilismo), Liberty Media — empresa dona da categoria — e as equipes foram realizadas para ajustar os detalhes do que pretende ser a F1 no futuro. Mas uma das novidades reveladas nesta sexta-feira (25) pela revista alemã ‘Auto Motor und Sport’ é que tanto FIA e Liberty Media trabalham em conjunto para reduzir o poder das equipes do grid.
 
Segundo a publicação, o tema foi abordado na última reunião do grupo, realizada há nove dias em Paris, na sede da FIA. Atualmente, as equipes da F1 têm o poder de vetar determinadas mudanças no regulamento, algo que, por exemplo, aconteceu recentemente. O Liberty Media tinha o interesse de testar o formato de corridas de classificação em três etapas — França, Bélgica e Rússia — aos sábados, já em 2020. Entretanto, tal proposta precisaria de aprovação unânime das equipes para prosperar, o que não aconteceu.
As equipes atualmente têm poder para vetar mudanças no regulamento da F1 (Foto: Mercedes)
A proposta para 2021 é que exista apenas um órgão de tomada de decisões, composto por dez membros da FIA, outros dez do Liberty Media e os chefes das dez equipes da F1. Com o novo grupo formado, há a previsão de duas maiorias: a pequena maioria, com a necessidade de 25 votos para que uma mudança seja aprovada, e a grande maioria, com 28 votos. A tendência de discordância entre as equipes em termos de mudanças não teria mais tanta influência como acontece no momento na F1.
 
Dessa forma, a pequena maioria passaria a ser necessária para todas as decisões que afetam o ano seguinte ou as próximas temporadas, mas também o campeonato atual, desde que seja votada antes de 30 de abril. A grande maioria dos votos passaria a ser necessária para decisões tomadas a partir de 1º de maio e que sejam válidas para a atual temporada. 
A iniciativa da Liberty Media e da FIA, obviamente, não encontra coro nas equipes como um todo. Otmar Szafnauer, chefe da Racing Point, mostrou preocupação com os rumos do esporte e se mostrou alerta com a possibilidade de custos mais altos no futuro.
 
“Não podemos lutar contra caso a FIA queira mudar as regras no meio do campeonato. Duas equipes são rapidamente encontradas para votar pelas mudanças. Mas, em curto prazo, interferências no regulamento geralmente custam dinheiro. Pela unanimidade, você pode se proteger de uma vantagem tecnológica votando contra”, explicou o dirigente.
 
A informação da ‘Auto Motor und Sport’ também diz que as principais equipes gostariam que a pequena maioria fosse ampliada de 25 para 26 votos, o que FIA e Liberty Media não concordam porque entendem que justamente as grandes equipes podem se unir às clientes — como Ferrari, Haas e Alfa Romeo e Mercedes, McLaren, Williams e Racing Point. 

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