Má fase de Vettel e Stroll aciona alerta na Racing Point: há como substituir Pérez?

Sebastian Vettel segue em fase tenebrosa, isso enquanto Lance Stroll volta a ser um piloto errático. Esses são os contratados de 2021 da Aston Martin, uma equipe que abriu mão de Sergio Pérez e talvez se arrependa nos próximos meses

O GP de Portugal esclareceu algumas coisas na Fórmula 1 atual. Pilotos em boa fase se destacaram; pilotos em má fase ficaram bem para trás. Sergio Pérez foi um exemplo claro do primeiro grupo: mesmo rodado por Max Verstappen na largada, fez grande recuperação e terminou em sétimo por méritos próprios. Isso, entretanto, não quer dizer que a Racing Point ficou muito feliz: a equipe viu seus pilotos de 2021, Lance Stroll e Sebastian Vettel, com atuações simplesmente decepcionantes.

O caso de Vettel não foi chocante, mas deu sequência ao roteiro triste de seu 2020. Charles Leclerc deu show e foi quarto, enquanto o alemão sofreu para ser apenas décimo, isso em um GP que rendeu climão em Maranello. Vettel se sente prejudicado, mas com o chefe Mattia Binotto assegura que os dois carros são absolutamente iguais.

Lance Stroll teve um dia terrível e encaixou o terceiro abandono seguido (Foto: Racing Point)

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Com Stroll, o GP de Portugal foi difícil do começo ao fim. Depois da controvérsia do caso de coronavírus não comunicado à FIA, o canadense foi ao menos parcialmente responsável por dois acidentes, com Max Verstappen e Lando Norris. No segundo, durante a corrida, jogou fora qualquer chance de pontuar após forçar a barra com uma ultrapassagem que nunca daria certo. Isso rendeu 5s de punição, logo após receber outros 5s por exceder limites de pista repetidas vezes. O golpe de misericórdia foi um abandono para poupar equipamento. Já são três GPs seguidos sem ver a bandeira quadriculada.

Checo, enquanto isso, trilha caminho oposto. O piloto que começou o ano sem aproveitar ao máximo o que o carro tinha para oferecer vive agora grande fase. Das últimas quatro corridas, três renderam top-5. Além disso, o mexicano pontuou em cada GP disputado. E perdeu emprego na Racing Point para 2021.

Todas essas estatísticas são contraditórias quando pensamos nos contratados para 2021. Os pilotos escolhidos para a futura Aston Martin até formam boa dupla no papel – o campeão experiente e o segundo piloto em evolução –, mas não há garantia alguma na atualidade de que isso vá de fato funcionar. E se descobrirmos que o ano ruim de Vettel é um problema mais pessoal do que da Ferrari? E se os bons resultados de Stroll na primeira metade da temporada foram apenas um brilhareco?

Stroll nunca foi aquele piloto 100% confiável. Vettel não o é desde 2018, verdade seja dita. Sabe quem consegue bons resultados de forma realmente constante? Pérez. Quando o carro permite uma boa atuação, o mexicano costuma aproveitar. Isso desde os já distantes dias de Sauber, em 2012. Só que Checo não tem o pai de dono de equipe e nem quatro títulos mundiais no currículo.

Sebastian Vettel é reforço de peso, mas segue perdido na Fórmula 1 (Foto: AFP)

A decisão da Racing Point de escolher Stroll e Vettel faz todo sentido, mas só quando se ignora alguns fatores envolvendo Pérez. Há um risco em abdicar de um piloto realmente confiável, e isso pode ter um preço bem caro: a briga do pelotão médio, incrivelmente apertada com Renault, McLaren e Ferrari, mesmo que com alguma boa vontade, não permite GPs com os dois carros andando mal ao mesmo tempo.

Pérez se tornou um cara tão valorizado que chega a surpreender seu status de ‘agente livre’ numa fase tão tardia do mercado de pilotos. É verdade que o mexicano não é tão brilhante quanto os pilotos de maior destaque do grid, mas trata-se de um excelente quebra-galho para quase todos. Não é por acaso que Sergio é uma ameaça até mesmo a Alexander Albon, pendurado na Red Bull. Há ainda a alternativa da Williams, onde a vítima seria George Russell.

O motivo é simples: poucos pilotos são confiáveis como Pérez. Jenson Button, por exemplo, era prestigiado por ser raro. Nico Hülkenberg, apesar de não ter deixado a F1 por definitivo, também carrega tais características. Esses três cometiam erros raros e, apesar de não terem velocidade impressionante, sabiam usar a cautela para colher frutos aos domingos.

A Racing Point, mesmo tendo contratado um tetracampeão como reforço, vai sentir falta de Pérez em 2021. Mesmo que Vettel seja um grande acerto e traga pódios frequentes, é o mexicano quem erra pouco. No fim das contas, é uma troca de características que pode valer a pena. Só que, do jeito que 2020 anda, é difícil ficar otimista.

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