Mais perto da AlphaTauri do que da McLaren, Renault desenha mais um ano de figuração

A Renault fechou a primeira etapa de 2020 na sexta colocação do Mundial de Construtores e a tendência é que siga por lá nas próximas provas. Problemas de confiabilidade e falta de performance fazem o time brigar mais no meio do que na frente do pelotão intermediário

Geralmente, a primeira corrida da temporada da Fórmula 1 tem zebras, problemas e um resultado final que não condiz com o restante do campeonato. Bom, o GP da Áustria teve tudo isso de adversidade, mas, pensando em um ano bem mais curto e com as corridas quase que todo final de semana, seu resultado precisa ser levado muito em conta. E isso é um problemão para a Renault.

Depois de uma pré-temporada em que parecia ter mais ritmo que em 2019, a equipe francesa começou 2020 de forma muito parecida com a que terminou o campeonato passado: um ritmo de mediano para fraco e com quebra em um dos carros.

Em meio a isso tudo, uma grave crise fora das pistas, com prisão do presidente e a fábrica passando aperto. Hoje, na realidade, é mais fácil imaginar a Renault fora do grid que vencendo corridas.

A verdade é que, mesmo em 2018, quando Nico Hülkenberg e Carlos Sainz Jr. colocaram a Renault no comando da ‘F1 B’, em nenhum momento desde a volta à F1 a Renault pareceu capaz de encostar nos times de ponta. De 2016 para cá, já teve briga com a Williams, com a Haas, com a Force India, com a Toro Rosso, com a McLaren, mas nunca com o top-3. Para piorar, os franceses parecem estar sendo engolidos pelo pelotão intermediário, ou seja, passando de coadjuvantes ao papel de figurantes do grid.

Esteban Ocon sofreu na reestreia (Foto: AFP)

Na Áustria, a Renault foi bem a cara dos últimos anos: passou para o Q3 com um dos carros, andou ali no top-10, fez quatro pontinhos com Esteban Ocon e teve um abandono com Daniel Ricciardo. Pouco, muito pouco. Para piorar, em uma análise mais aprofundada, o que se nota é que o ritmo do time tem mais a ver com o da AlphaTauri do que de McLaren, Racing Point e até Ferrari, que se rebaixou para a ‘F1 B’ no início do ano. Ou seja, está ali brigando para ser a sexta força.

Por mais que ainda seja cedo, já dá para dizer que Ricciardo acerta ao deixar o projeto no fim do ano e rumar para a McLaren. Primeiro porque a Renault não parece ter margem para crescer como carro e nem como motor, segundo porque a McLaren, por outro lado, parece cada vez mais forte e, de quebra, vai ter as unidades de potência da Mercedes em 2021. Muito promissor.

E como explicar uma diferença tão grande entre as duas no presente e no futuro? A resposta parece estar na organização. Enquanto os britânicos partem para o segundo ano de reação com Zak Brown e Andreas Seidl, os franceses penam com um Cyril Abiteboul que simplesmente nunca encaixou um grande trabalho.

Daniel Ricciardo já viu que era melhor sair (Foto: Renault)

Desde o ano passado que o problema passa longe da dupla de pilotos, afinal, Nico Hülkenberg foi o que de melhor a Renault teve desde a volta ao grid. Agora, com Ocon, não deve ser muito diferente, mas a equipe precisa que o francês se adapte rápido, já que todo ponto vale ouro no meio do pelotão. E, ao menos na Áustria, Ocon pareceu bem frio, fora de ritmo, ainda longe do ideal e fechou atrás de Pierre Gasly, que supostamente tem um carro inferior. É bom que já abra o olho.

O GP da Estíria é muito importante para todo mundo, mas já ganha um peso extra para uma Renault que sempre fala muito, investe muito, mas que, até agora, entrega pouquíssimo. Para quem sonhou em ser protagonista, a realidade joga na cara um papel de figuração.

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