Verstappen destoa, mas Austrália vê Mercedes emergir da crise e confrontar Aston Martin  

Max Verstappen é o ponto fora da curva e, se tudo correr bem, ninguém é capaz de enfrentá-lo. Mas a Austrália reservou um cenário diferente nesta temporada 2023: inesperadamente, a Mercedes foi capaz de enfrentar a Aston Martin, enquanto a Ferrari parece mais distante, apenas como quarta força

Ainda que a Red Bull guiada por Max Verstappen sempre ofereça um toque de genialidade a mais, a classificação do GP da Austrália mostrou um cenário dos mais intrigantes neste início de temporada na Fórmula 1. Por um momento, nos primeiros instantes do Q3 deste sábado (1), a diferença entre os quatro principais carros do grid ficou em um mísero décimo. O assombro de equilíbrio ecoou pelo traçado escorregadio do Albert Park e abriu a possibilidade de uma prova mais disputada do que as duas primeiras de 2023. É claro que essa sensação durou poucos minutos. Na verdade, apenas o tempo que Verstappen precisou para ajustar seus pneus e virar 1min16s732. Ainda assim, a diferença de 0s236 para a Mercedes de George Russell, o segundo colocado, não pode ser menosprezada. E é desse ponto que parte o inesperado em Melbourne.

De fato, Verstappen destoa ao guiar esse RB19 cheio de artimanhas. O carro taurino possui uma capacidade rara de adaptação a todo tipo de pista e, neste momento, consegue dosar o downforce e entregar velocidade de reta. Mas há uma ressalva: os pneus. Não foi tão fácil encontrar a janela correta de funcionamento no circuito do parque australiano. O próprio Max se queixou e levantou o alerta: “A última volta foi muito boa. Durante todo o fim de semana foi bem difícil de colocar os pneus na temperatura ideal, mas deu certo e eu estou feliz com o tempo e por estar na pole. Então, espero muito para amanhã”, celebrou o bicampeão após a conquista da 22ª pole da carreira.

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É verdade que o holandês encontrou menos dificuldade na parte final, mas isso se deveu à boa preparação feita pela Red Bull – ao contrário dos rivais, Max foi capaz de virar tempo sem uma volta a mais de aquecimento, e isso fez enorme diferença. Agora é entender como isso será replicado na corrida – uma vez que o ritmo de prova ainda segue mascarado diante das sessões tumultuadas até aqui.

Há também outro fator: a confiabilidade. Como na Arábia Saudita, há duas semanas, houve queixas sobre a transmissão. Sem contar, a questão dos freios – alvo de reclamação de ambos os pilotos, mas que acabou por prejudicar Sergio Pérez, que viu seus anseios de uma briga com o colega de equipe cair por terra ao abandonar a classificação. O mexicano larga em último, depois que escapou ainda no Q1 e ficou preso na brita. De todo o jeito, as falhas técnicas e mecânicas parecem a única pedra no caminho dos taurinos neste fim de semana.

“A gente acaba consertando isso [problema transmissão] e vamos continuar bem. Estou com um bom carro para a corrida, ainda que seja difícil atingir as temperaturas dos pneus, mas vai ser uma corrida interessante. Eu já estive no pódio aqui, mas dessa vez quero estar em um lugar diferente”, garantiu Max.

É certo dizer que Verstappen segue favorito e que, se nada anormal acontecer, a tendência é que consiga atingir seu objetivo de vencer neste domingo. Mas também é correto colocar aqui que há certo equilíbrio e uma pimentinha na disputa que se ensaia logo atrás do holandês. Isso porque a Mercedes emergiu da crise para confrontar a Aston Martin. E embora a própria esquadra alemã não tenha ainda todas as respostas para a súbita performance, o caso é que o time soube encontrar um caminho assertivo não só em tirar proveito das singularidades do Albert Park, como também de outros elementos, como os pneus. Ambos os pilotos foram capazes de encontrar a temperatura correta e trouxeram o carro à vida.

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Sergio Pérez atola na brita no Q1 da Austrália (Vídeo: Reprodução)

Não à toa, Russell teve a sensação de que poderia até mais em Melbourne. “Não esperávamos isso. O carro estava ótimo. Secretamente, eu até esperava a pole-position”, disse o britânico. “Eles estão trabalhando muito na fábrica, aqui em Melbourne também, e que classificação conseguimos fazer. Eu senti que tinha um carro ‘vivo’, a volta feita no final foi mesmo no limite.”

“É um daqueles dias em que as coisas mudam muito rapidamente. Ontem, provavelmente, teríamos ficado muito felizes na largada se tivéssemos conseguido entrar no top-4. Mas o carro se comportou muito melhor, e isso também revela que temos potencial para extrair, algum potencial que realmente existe”, completou George, que teve a opinião compartilhada por Lewis Hamilton.

Aliás, o heptacampeão chegou a figurar na ponta da tabela no início do Q3 e ficou a apenas 0s3 da marca do pole. “Este é um resultado totalmente inesperado. Estou muito orgulhoso da equipe. George fez um trabalho fantástico e estar na frente e na segunda fila é um sonho para nós. Estamos trabalhando muito para voltar ao topo e estar tão perto da Red Bull é incrível”, afirmou o inglês.

Só que, apesar da performance, a disputa da Mercedes não deve ser diretamente com a Red Bull de Verstappen, mas com a Aston Martin. A equipe verde, que segue em busca de se consolidar como segunda força do grid, se viu mais parelha com os octacampeões do que com os taurinos. Desta vez, Fernando Alonso não foi capaz de colocar o AMR23 #14 mais à frente e enfrentou problemas para tirar o melhor dos pneus. No entanto, o bicampeão aposta em uma reviravolta na corrida, pois acredita em um retorno à normalidade em um dia com temperaturas mais altas em Melbourne.

“Acho que há muitas incógnitas para a corrida depois de perdermos o TL2”, avaliou Fernando, que vai dividir a segunda fila com Hamilton. “E ainda mais que a temperatura será muito diferente amanhã. Acho que vai estar ensolarado. Em termos de estratégia e preparação de corrida, ninguém está totalmente pronto ainda”, acrescentou.

George Russell vai largar na segunda fila (Foto: Mercedes)

O bicampeão, até por isso, não vê a Mercedes como adversária. “É uma corrida para descobrir quem terá o melhor ritmo e o melhor gerenciamento. Vamos ver se a Mercedes consegue fazer uma boa largada e parar Max de alguma forma. Ou será uma corrida entediante para eles”, provocou.

Há de se falar também da Ferrari, que ficou apenas em quinto com Carlos Sainz, e sétimo com Charles Leclerc. Acontece que a escuderia se atrapalhou toda na comunicação e nas decisões estratégicas ao longo da classificação. O monegasco por exemplo, encontrou Sainz no meio da volta rápida, enquanto o próprio espanhol enfrentou problemas em atingir a temperatura ideal dos pneus. Ainda, o time vermelho acreditou em uma chuva nunca veio, e isso também interferiu decisivamente na tática do Q3. “Estávamos com medo da chuva, então decidimos fazer uma saída rápida e volta lançada imediatamente, mas nos faltou alguma coisa para estarmos na frente”, contou Charles.

Portanto, a equipe parece mais distante de Mercedes e Aston Martin. E admite isso. “A Mercedes é muito mais rápida do que as pessoas pensam, e isso também na corrida. Eles tiveram um ritmo muito próximo ao de Fernando em Jedá. George e Lewis estavam exaustos e não conseguíamos acompanhá-los. Eles não são tão rápidos quanto a Red Bull – ninguém é”, alertou Sainz.

Ainda, a estratégia terá seu papel neste domingo, especialmente diante de condições de tempo firme. O asfalto, entretanto, segue traiçoeiro e a largada será fundamental para as ambições de quem sai logo atrás de Verstappen. E ao contrário das duas primeiras etapas, o cenário ainda é inconclusivo, em um fim de semana em que ninguém é realmente capaz de determinar ritmo e desgaste dos pneus.

GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do GP da Austrália de Fórmula 1AO VIVO e EM TEMPO REAL. A largada está marcada para as 2h [de Brasília, GMT-3] do domingo: o GP acompanha com SEGUNDA TELA, em parceria com a VOZ DO ESPORTE.

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